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Cuidados infantis
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Dentes de leite

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Os dentes decíduos, como se chamam tecnicamente, são popularmente chamados de "dentes de leite". Isto porque a sua coloração é mais branca que a dos dentes definitivos ou permanentes, fazendo lembrar o leite. 

Estes dentes começam a ser formados ainda durante a gravidez, logo nas primeiras semanas, estando a sua formação dividida em 3 etapas ao longo deste período. Daí ser tão importante a grávida vigiar bem a gravidez e ter, também ela, os devidos cuidados com os seus dentes. Sobre este tema, pode encontrar mais informação no artigo redigido pel' o pai, a mãe e eu aqui.

Os dentes de leite tendem a começar a nascer a partir dos 6 meses e terminam por volta dos 2 - 3 anos. É importante referir que estas idades são marcos variáveis, dado que crianças diferentes apresentam desenvolvimento diferente. 

Nesta fase totalizam 20 dentes, sendo 8 incisivos, 8 molares e 4 caninos, que nascem por etapas, tal como está presente na imagem em baixo. 

Fonte: desconhecida

Outra das diferenças relativamente à dentição decídua e permanente é que na primeira não existem dentes pré-molares.


Os sinais de que os dentes começam a querer romper a gengiva são:

  • saliva mais abundante e por vezes mais espessa;
  • gengivas mais "grossas" e poderão estar mais vermelhas (isto porque há um processo inflamatório associado);
  • maior irritabilidade do bebé (por desconforto/ dor);
  • o bebé leva todos os objetos e/ ou dedos à boca para poder "coçar" as gengivas;
  • eventualmente poderá haver uma rejeição da comida;
  • sono com muitas interrupções por dor/ desconforto.
Esta fase de nascimento dos dedos é, na maioria dos casos, bastante stressante para o bebé e para a família.


Por isso, o que poderá fazer para atenuar o desconforto? 
  • Caso amamente, faça gelado de leite materno. O frio ajudará a aliviar o desconforto que o bebé tem na boca.
  • Ofereça os mordedores que podem ir ao frigorífico/ congelador. Terá o mesmo efeito do gelado de leite materno e a criança também beneficiará das rugosidades que esse mordedor tem. 
  • Coloque soro fisiológico no frio e quando ele estiver a uma temperatura mais baixa, embeba uma compressa e passe na gengiva do bebé.
  • Opte por refeições mornas, iogurtes,... Isso ajudará a não aumentar a temperatura da boca e consequentemente o desconforto. 
  • Fale com a enfermeira/ pediatra/ médico assistente para saber a opinião sobre administrar paracetamol para alívio da dor. 

Após o nascimento dos dentes, é preciso ter algum cuidado especial?

Existe ainda a ideia de que estes dentes não são propensos a cáries e, caso eventualmente apareça, em nada são influenciados os dentes definitivos ou permanentes. Pois bem, na verdade esta conceção é um mito e sobre isso, a Dra. Sofia Arantes e Oliveira escreveu para o pai, a mãe e eu e pode encontrar informação aqui.

É importante que cuidem destes dentes tão bem quanto cuidarão dos dentes permanentes. Estes devem ser escovados pelo menos duas vezes ao dia (preferencialmente de manhã e antes de ir dormir), com pasta de dentes com flúor na quantidade de 1000 a 1500 ppm, tal como abordei no artigo sobre cáries. Nesse artigo poderá ler esta e outras dicas para uma adequada higiene oral. 

É importante não esquecer que dentes saudáveis são sinónimo de criança saudável e feliz. Os dentes não servem apenas para a mastigação. Eles têm também influência na fala. Há que preservá-los. 


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Como diminuir a dor da vacina?

quinta-feira, 28 de abril de 2022

 Os procedimentos dolorosos, ocorram eles em que momento da vida ocorrerem, são situações que promovem stress. Stress nas crianças e nas famílias que assistem com a frustração provocada pela ideia de que nada podem fazer.

Antigamente pensava-se que quanto mais pequena e prematura fosse a criança, menor a sua sensibilidade à dor. Pensamento completamente incorreto e já com vários estudos realizados que o inviabilizam.

Numa Neonatologia ou outro serviço de internamento em pediatria dispomos de medidas não farmacológicas (à parte a contenção, luminosidade, etc) que podemos utilizar e que ajudam na minimização deste stressor.

Nos centros de saúde não dispomos dessas alternativas, mas há sempre técnicas que poderemos utilizar e que são medidas não farmacológicas que denunciam boas práticas de cuidados. Vamos então enumera-las.

- Amamentação: Amamentar o seu bebé durante a realização do teste do pezinho ou durante a administração de vacinas diminui consideravelmente a sensação de dor. Acontece que, a partir dos 4 meses esta medida poderá começar a deixar de ser uma medida eficaz, dado que o bebé começa a ficar mais atento ao que o rodeia, deixando de mamar assim que alguém se aproxima.

- Chupeta: caso não amamente ou o seu filho utilize a chupeta e seja uma forma de o acalmar, esta consegue fazer magia e regular a criança nesta altura.

- Contenção e tom de voz (antes dos 12 meses de vida do bebé): a alternativa à amamentação, caso isso não coloque em causa a segurança de nenhum dos intervenientes (pais, bebé, enfermeira), é mesmo a contenção. Pode pegar no seu bebé ao colo e aconchega-lo, falar-lhe docemente e encorajá-lo.

Assim que o bebé completa 12 meses de vida, as vacinas deixam de ser administradas nas pernas e passam a sê-lo nos braços.

Nesta altura a contenção, o abraço, é fundamental.

É importante saber que a sua reação perante este procedimento influenciará sobremaneira a forma como o seu filho reagirá. Por isso mantenha o tom de voz tranquilo e baixo, a contenção que faz com que perceba que está ali para ele e a apoiá-lo. No final, independentemente da reação que ele tiver, elogie-o. Diga-lhe que foi muito corajoso e que não tem mal chorar. Que percebe que tenha sido doloroso e que entende que essa foi a melhor forma que encontrou para se expressar.

Dependendo da idade da criança, poderá prepará-lo para o procedimento que terá lugar no dia a seguir ou daqui a alguns minutos (para as crianças mais pequenas).

É importante que a criança se sinta compreendida, apoiada e respeitada, já que a vacinação é o "bicho-papão" dos mais pequenos (e de alguns graúdos também).


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A vacina Rotavírus

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Hoje falo sobre a vacina do Rotavírus, vacina que protege contra as gastroenterites.

É importante desmistificar uma situação. Esta vacina não evita que o seu filho venha a ter gastroenterites. O que acontece é que ela protege da severidade da situação.

É uma vacina que atualmente apenas é gratuita para alguns bebés considerados de risco, nomeadamente os bebés prematuros que tenham nascido com menos de 32 semanas e/ ou com baixo peso (< de 2500g), não podendo estar internados na altura em que devem ser vacinados.

É importante ainda saber que com > 27 semanas poderão fazer Rotarix e com 25 semanas ou mais deverão fazer Rotateq.

Em que diferem estas duas marcas da mesma vacina? Principalmente em dois aspetos:

- no número de doses (Rotarix é de duas doses e Rotateq 3 doses);

- a Rotarix é uma vacina atenuada e a Rotateq é uma vacina viva.

 
É importante ainda alertar que esta vacina, independentemente da marca, tem idade mínima para começar e terminar o esquema.

Por isso, abordem esta questão com a Enfermeira, Médico Assistente e/ ou Pediatra pelo menos no primeiro mês de vida, já que o seu início deverá ser aos 2 meses de vida. 

Alertar para o facto de que, embora esta vacina seja oral (na boca), esta deverá ser administrada no Centro de Saúde (ou Hospital), por um profissional de saúde. 

Por último, apenas alertar para os cuidados a ter após administração.

Se estamos a vacinar contra a gastroenterite, os sintomas que se poderão verificar no bebé são os desta doença. Por isso falamos de vómitos, diarreia e eventualmente febre. Poderá, tal como acontece com as outras vacinas, não ter qualquer tipo de sintomatologia.

Da vossa parte, pais, avós, amas, educadoras e auxiliares, o que necessitam fazer é lavar muito bem as mãos após mudar a fralda a este bebé. 

As fraldas deverão ir para um saco à parte do lixo doméstico, para evitar contaminação de quem recolhe o lixo, caso o saco se rompa.

Não esqueçamos do tema da campanha. “Vacinas: Na procura de uma vida longa e saudável.”


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Vacinas na Prematuridade

terça-feira, 26 de abril de 2022

Ao contrário do que se possa pensar, o esquema vacinal nas crianças prematuras inicia-se tendo em conta a idade cronológica, como é indicação da DGS (Direção-Geral da Saúde). Portanto, se a criança nasceu há 2 meses quer dizer que está na altura de continuar com o PNV (Plano Nacional de Vacinação), tal como os bebés de termo.

No entanto, existem 2 exceções que poderão significar o atraso da administração das primeiras vacinas e, consequentemente, das vacinas dos 2 meses.

As primeiras vacinas de qualquer bebé são a BCG (Vacina contra a Tuberculose) e a VHB (Vacina contra a Hepatite B), embora em boa verdade, a BCG só se esteja a administrar a crianças consideradas elegíveis, porque pertencem ao que denominamos grupos de risco.

A exceção no caso do bebé prematuro é que a BCG (caso pertençam ao grupo de risco) só pode ser administrada quando alcançar os 2kg. Pode ser administrado até aos 12 meses, sem ser necessária outra intervenção ou teste.

No caso da VHB, que no bebé de termo é dada no dia em que nasce ou antes de ter alta da maternidade, só poderá ser administrada assim que o bebé prematuro adquirir 2Kg ou um mês de vida (aquele que alcançar primeiro).

Para estas e restantes vacinas, dever-se-á ter em conta a situação de saúde do bebé e a idade gestacional. Isto porque, um bebés que tenha nascido com 28 semanas ou menos, deverá ser vacinado no hospital, quer esteja ou não internado. É ainda indicação da DGS que permaneça em vigilância durante 6 a 8h de forma a despistar alterações que possam surgir a nível cardio-respiratório.


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Semana Europeia da Vacinação 2022

domingo, 24 de abril de 2022

 Esta semana, com início no dia de hoje, celebra-se mais uma Semana Europeia da Vacinação.

Após um período demasiado desafiante onde a vacinação não evitou as infeções, mas teve com toda a certeza uma diminuição na sua severidade, mais uma vez a vacinação mostrou a sua importância na vida da população.

É um facto que nem todas as crianças (e até mesmo adultos) têm ao seu dispor um Plano Nacional de Vacinação tão completo e gratuito como acontece em Portugal.

É também um facto que com a pandemia, mesmo no nosso país, muitas crianças permanecem com vacinas em atraso, vacinas essas muito importantes para a manutenção da sua saúde.

Este ano, o tema da campanha é “Vacinas: Na procura de uma vida longa e saudável”.

Historicamente falando, as vacinas conseguiram erradicar algumas doenças e diminuir a incidência de outras. No entanto, é importante que continuemos a vacinar os nossos filhos, não só para favorecer a sua proteção individual, como para promover a imunidade de grupo.

Há um artigo publicado aqui no blogue, em 2018, redigido pelo Enfermeiro Ricardo Ferreira e que é denominado Vacinar: Sim ou Não?

Passem por lá e deem uma espreitadela e caso achem pertinente, por favor, façam-no chegar a mais pessoas partilhando-o.

Por aqui, qual a vossa opinião relativamente à vacinação de uma forma geral?

Os vossos filhos têm as vacinas em dia?


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Aranha, sim ou não?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Qualquer idade é propícia a acidentes, tendo em conta a fase do desenvolvimento e as competências que a criança tem nesse momento, assim como a sua mobilidade. Num futuro próximo abordaremos outros tipos de acidentes, no entanto parece-me ser importante falar sobre os andarilhos, mais conhecidos como aranhas. Sim, ou não à sua utilização?

A partir dos 6 meses a criança já deverá conseguir sentar-se sem apoio e, por isso, terá outra perceção do espaço que a rodeia. Nesta altura já rebola e rasteja, prontinha a começar a gatinhar. Esta maior independência coloca ao seu alcance objetos e situações que a deixam em perigo, enquanto a mãe e o pai piscam um olho. Assim, muitos pais, na melhor das intenções preferem sentar a criança na aranha e deixá-la explorar em… segurança. Mas será que está assim tão segura? Será que realmente a criança aprende a andar mais rapidamente do que se o tentasse fazer sozinha?


Caros pais, sentar a criança numa aranha é igual a sentá-la no automóvel, sem cinto de segurança.

Sabia que as quedas são uma das principais causas de acidentes mortais, na Europa, em crianças com idades entre os 0 e os 19 anos?

Sabia que uma das causas das quedas são as aranhas e que 90% dos danos causados são na cabeça e que, destes últimos, mais de 30% correspondem a danos cerebrais?

Assustadores estes números, não são? Também o são para a European Child Safety Alliance e para a ANEC (entidade europeia certificadora). E, por isso, desaconselham totalmente o uso das aranhas, já que para além de não promoverem o desenvolvimento da marcha nas crianças, também demonstraram aumentar exponencialmente o risco de acidentes a nível cerebral (como já referido).

Para além das quedas, o uso de aranhas/ andarilhos poderão levar a:

- queimaduras – a criança está mais elevada, consegue alcançar lugares mais altos e com isto, facilmente alcança fornos, puxa toalhas da mesa onde já estão recipientes com conteúdo quente, …;

- envenenamento -  exatamente pelos mesmos motivos descritos na situação anterior. Como se encontra mais elevado, tem acesso a lugares que de outra forma estariam ligeiramente mais inacessíveis.

É importante referir ainda que, de estudos realizados, os acidentes ocorrem maioritariamente sob observação dos pais. E embora pareça descabido, a razão deve-se ao facto de, nas aranhas, a crianças consegue percorrer uma maior distância, num menor espaço de tempo. O que dificulta a tarefa dos pais em alcança-los e evitar o acidente.

Para além disso, temos a questão do desenvolvimento físico. Se pensarmos bem, muitas crianças que são sentadas nas aranhas, ainda têm a perna curta, pelo que começam a “andar” em bicos de pés de forma a conseguirem movimentar a aranha. Esta situação associada a uma incorreta postura da anca poderá levar a problemas futuros na marcha.

Devido a todas as intercorrências verificadas ao longo dos anos, o Canadá foi o primeiro país a proibir a venda e utilização de aranhas, em 2004.

E se não pode utilizar as aranhas, como pode fazer para ajudar o seu filho a andar?

Para responder a esta, coloco outra questão. Como faziam os nossos pais para nos ajudar no desenvolvimento da marcha ou como fazemos nós com os nossos filhos, quando não temos aranha disponível?

Pois é! Não há nada melhor do que o deixar explorar o ambiente. Proteja-o de todos os locais que poderão suscitar perigo e deixe-o andar pela casa. Por norma, as primeiras vezes que se irá levantar, será apoiando-se no sofá ou num móvel. Garanta que o móvel não pode tombar e para isso tente fixá-lo o melhor possível à parede, por exemplo.

Dedique-lhe algum tempo e ampare-o na marcha. Ele irá adorar!

No fundo, é permitir que, no tempo dele, consiga dar os primeiros passos, sem recorrer a objetos que podem comprometer o adequado desenvolvimento e a saúde e bem-estar.

Nem tudo o que é “à moda antiga” é mau.

E por aqui desejamos uns felizes primeiros passos… em segurança.

 

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Ortoptista - o que é?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Ortoptista... a palavra difícil e a profissão que poucos sabem o que é. 

A licenciatura em Ortóptica atribui a qualificação para o exercício profissional independente e autónomo, cujo conteúdo funcional se rege pelos Decreto-Lei nº. 564/ 99 de 21 de dezembro; Decreto-Lei nº. 261/ 93 de 24 de julho e Decreto-Lei n.º 320/ 99 de 11 de agosto e pelo Despacho n.º 3207/ 2012 de 3 de dezembro. Os profissionais licenciados em Ortóptica enquadram-se na categoria de Técnico Superior de Diagnóstico e Terapêutica. 

Após esta "explicação legal", vamos simplificar! 

A palavra Ortóptica deriva do grego "ortho optikos" que significa "olhos direitos". Por aqui podemos entender que umas das principais áreas de intervenção é o estrabismo. Na verdade, a profissão, pelo nome que é conhecida até aos dias de hoje, foi criada exatamente com base no estrabismo. O ortoptista era um profissional de saúde que tratava as disfunções da visão binocular. Atualmente, essa continua a ser uma área nobre de atuação dos ortoptistas. No entanto, o trabalho que desempenhamos tornou-se muito mais amplo e dinâmico. 

Enquadrados em equipas multidisciplinares, na área de oftalmologia, os ortoptistas exercem funções tanto no setor público, como no setor privado. São responsáveis pela realização dos exames complementares de diagnóstico, podem realizar consultas de optometria e contactologia, trabalhar em centros de investigação, em áreas responsáveis pela baixa visão, treino visual e lecionar. Participam também em programas de rastreio, como o Rastreio Nacional de Retinopatia Diabética e os rastreios de deteção de fatores ambliogénicos, em idade pré-escolar. Isto faz com que, numa grande maioria das vezes, estes profissionais sejam uma primeira linha de contacto com a população. 

O mais provável é já se ter cruzado com um ortoptista, simplesmente não sabia é que era este o nome da sua profissão. 

E qual a importância da Ortóptica e de um Ortoptista?

São diversas as patologias oculares, assim como sistémicas, que podem provocar alterações na motilidade ocular. Desta forma, a Ortóptica propriamente dita, continua a ter um papel fundamental nos dias de hoje. 

Nas crianças é necessário garantir um diagnóstico precoce, de modo a que o tratamento seja o mais eficaz possível, permitindo que a criança tenha um correto desenvolvimento visual. Em adultos, uma das principais causas de estrabismo é o traumatismo e lesões nos pares cranianos, como consequência de doenças sistémicas. Logo, um acompanhamento próximo e estreito pode fazer toda a diferença. Grande parte das patologias oftalmológicas apresentam melhores prognósticos se detetadas precocemente. Fazendo os ortoptistas parte dos cuidados primários de saúde, são muitas das vezes estes profissionais que sinalizam situações urgentes e fazem um primeiro acompanhamento. 


Joana Azevedo

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Geração online

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

As novas tecnologias são muito importantes para a nossa evolução e desenvolvimento de novas habilidades. Mas, como tudo, tem também os seus contras. 

Há uns anos (muitos), os computadores eram usados apenas por alguns e quando mesmo necessário. Aprender a mexer neles não foi a mais difícil das tarefas, mas a caneta e o lápis foram os preferidos durante muito tempo. 

No entanto, as crianças parecem nascer já com conhecimentos informáticos e, em tenra idade, manuseiam um telemóvel como ninguém. Ficam completamente vidrados no ecrã e o estado de hipnose é tal, que não existem birras e o mundo parece parar. Surgiram assim as novas babysitters, as babysitters digitais. São baratas, disponíveis a qualquer hora do dia e pelo tempo que considerarmos necessário. Ideais para reuniões de família ou amigos ou até, quem sabe, durante as compras no supermercado. 


Mas será o mais adequado? 

Uma das maiores preocupações dos pais é poder haver problemas de visão, motivadas pelo uso excessivo dos ecrãs e, sobre isso, temos já um artigo redigido pela Dra. Lígia Figueiredo e que pode consultar aqui. Mas, os problemas não se resumem apenas a este aspeto. Senão vejamos. Porque razão as crianças pequenas utilizam os dispositivos? 

  1. Porque os pais, irmãos e todos os que as rodeiam utilizam algum ecrã;
  2. os sons e as cores atraem a atenção;
  3. quando são removidos da sua posse, fazem uma birra;
  4. ficam calmos. 

E a partir de que idade as crianças podem usar os telemóveis ou computadores? Será benéfica a sua utilização?

De acordo com as indicações de 2013, da Academia Americana de Pediatria, os ecrãs (tablet, TV, telemóvel ou computador) não estão recomendados em crianças com menos de 18 meses e, entre os 18 meses e os 2 anos, não deverão passar mais do que 1h em frente a um dispositivo. Tendo sempre em atenção que as crianças não devem utilizá-los sozinhas e que apenas devem servir como complemento a uma atividade lúdica com os pais/ cuidadores. 

Se, por um lado, a utilização dos dispositivos possa ajudar na aprendizagem (as cores, números,...), por outro poderão levar a: 

  • atraso cognitivo, da linguagem e da motricidade;
  • diminuição do tempo total do sono (em qualquer idade), com dificuldade em adormecer e despertares frequentes. Isto porque a luz do dispositivo diminui a quantidade de hormona que induz o sono (melatonina) e leva a que a criança tenha dificuldade em adormecer. 

Para além destes aspetos, é importante ainda referir outro bastante importante. É normal (levante o dedo quem ainda não o fez) oferecerem-se os telemóveis e escolher a espetacular aplicação do YouTube durante as refeições. Mas, o que acontece quando as crianças estão entretidas com o telemóvel? 

Não aprendem que as refeições são para ser realizadas em família; não estão atentas aos sabores, cores e texturas dos alimentos e este momento pode tornar-se stressante caso um dia não seja possível oferecer o telemóvel. O ideal e o que recomendamos é que as refeições sejam realizadas em família e sem qualquer tipo de distração. 

Quando a nossa idade-chave passa a ser a idade escolar e a adolescência, precisamos ter em mente que as novas tecnologias passam a ser uma constante no seu dia-a-dia. Atualmente a escola integra as novas tecnologias como ferramenta para complementar a aprendizagem e a utilização torna-se frequente. Para além disso, os jogos de computador passam a ser uma constante e uma forma de se integrarem num grupo, já que todas as crianças/ adolescentes acabam por ter as mesmas preferências. 

Por outro lado, os pais oferecem telemóveis cada vez mais cedo e o Whatsapp, Facebook e Tik Tok passam a fazer parte do quotidiano e conseguir interagir nas redes sociais fá-los entrar num mundo cool. 

A verdade é que a socialização virtual é atualmente uma realidade que pesa bastante, muito em parte pelos jogos online que os leva a conhecer pessoas nos 4 cantos do mundo. Conseguem adquirir algumas estratégias de defesa com os jogos, assim como a rapidez de reação. Acresce o facto de os fazer sentir integrados no seu grupo (como referi anteriormente), situação tão importante na adolescência. Por outro lado, fomenta a criatividade e a capacidade de escrita. 

Mas, como "não há bela sem senão", mesmo com os aspetos positivos, há aspetos mais desafiantes que devem ser ponderados e tidos em conta para estabelecer limites. 

Com a existência de televisão na cozinha e de telemóveis, as refeições em família perderam a sua essência de momento familiar privilegiado para a comunicação. E que tal decidirem, todos os elementos da família, colocar os telemóveis na sala, durante as refeições?

Aproveitem para conversar, partilhar o vosso dia, as vossas preocupações, ... É importante voltarmos a conseguir conversar, sem pressas e envolver todos os elementos da família nos problemas/ preocupações/ dúvidas que possam existir. Verão como isso vos aproximará mais. 

Por outro lado, os telemóveis nos recreios e os videojogos em casa diminuem a competência para "socializar olhos-nos-olhos". 

Para além disto, a exposição social pode ser um risco, dado que as crianças/ adolescentes publicam todos os seus problemas nas redes sociais e, muitas vezes, os pais só se apercebem ao fim de uns dias. Aumenta desta forma o risco de cyberbullying, extorsão e coação sexual levando a que haja uma necessidade de fomentar a literacia digital tanto das crianças, como dos pais, de forma a poderem evitar ou diminuir o perigo e ajudar os filhos a fazê-lo.

Tendo em conta tudo o que já foi descrito, deixo algumas dicas que poderão ser colocadas em prática com os seus filhos. 

  1. Oferecer ecrãs o mais tarde que conseguirem e limitar o uso de acordo com a idade;
  2. Utilizem as novas tecnologias como complemento à aprendizagem, mas não para utilização sem vigilância;
  3. Caso os seus filhos estejam em idade escolar e adolescência, tentem um acordo com eles e estabeleçam um limite de utilização lúdica das novas tecnologias;
  4. Se não for mesmo necessário os seus filhos levarem telemóvel para a escola, deixem-no em casa e estabeleçam um limite de tempo, por dia, para a sua utilização;
  5. Evitem ecrãs, pelo menos, 2h antes dos vossos filhos irem para a cama;
  6. Vigiem as suas redes sociais e ativem as definições de segurança, de forma a diminuir o risco de desconhecidos entrarem em contacto com os vossos filhos. No caso de serem adolescentes, tentem conversar com eles e tentem perceber se há algum problema ou preocupação. Conversem tranquilamente, sem pressões, para que possa haver uma partilha e não uma discussão. Mostrem-se disponíveis para escutar;
  7. Organizem atividades em família, jogos de tabuleiro, jogos tradicionais, momentos de leitura que fomentem a relação e comunicação familiar. 
Recordem-se que a família e as tecnologias devem ser dois elementos completamente interligados, mas nada deve substituir o tempo de qualidade entre pais e filhos. 




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Os cocós dos bebés

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

 "O meu filho não faz cocó!" ou "O meu filho faz cocó verde!" ou ainda "O meu filho faz demasiado cocó!". Estas são as frases que mais ouço durante as minhas consultas. Manifestamente uma das maiores preocupações dos pais, nos primeiros meses de vida dos seus filhos. 

Mas qual a razão desta preocupação? Serão as cólicas que muitas vezes estão associadas? Será a informação que se encontra pela internet e que nem sempre é a mais fidedigna?

Uma vez que a preocupação é frequente e transversal, decidi que este tema merecia ser alvo de um artigo. Aqui tentarei esclarecer quanto à coloração, frequência e consistência das fezes e deixar algumas dicas que poderão ser úteis para a resolução de alguns problemas que possam surgir. 

Sendo assim, aqui vamos nós. 

Durante a gestação, o intestino encontra-se completamente formado a partir das 8 semanas. Por volta das 10 semanas de gestação, este começa a trabalhar, absorvendo o líquido amniótico que o feto ingere e que será eliminado em forma de urina. É nesta altura que se começa a produzir o mecónio (primeiras fezes do bebé, verde e espesso, com aspeto tipo "pastilha elástica"). 

Por norma e em situações normais, o bebé apenas evacua o mecónio após o nascimento, tendo o colostro (primeiro leite produzido pela mãe e que parece uma "aguadilha") uma função facilitadora para esta primeira dejeção. Ao fim de mais ou menos 3 dias, as características das fezes mudam, dependendo do tipo de leite (materno ou artificial) ingerido pelo bebé. Caso a mãe amamente, as fezes características do leite materno são amarelas, líquidas e a maior parte das vezes com grânulos, tipo "papa mal passada". Caso o leite oferecido seja o artificial, as fezes tendem a ser mais pastosas e uniformes, de cor também amarelada. 

Por vezes, as fezes tomam a tonalidade verde ou acastanhada. Esta mudança de cor poderá estar associada à alimentação da mãe, caso esteja a amamentar. No entanto, existe outra corrente que refere que o contacto do ar com as fezes na fralda oxida-as, atribuindo-lhes a tonalidade verde. Por isso, não precisam preocupar-se! 

Há, no entanto, necessidade de procurar ajuda por parte do médico assistente e/ ou enfermeira, caso as fezes: 

  • estejam muito escurecidas (e aparentemente com sangue misturado) e tenham cheiro muito intenso;
  • sejam muito claras/ esbranquiçadas;
  • tenham sangue vivo;
  • sejam muito moldadas ("bolinhas"). 

Como já referi antes, as fezes tendem a ser mais líquidas e, nas primeiras semanas, será normal que haja uma dejeção em cada mamada. Contudo, não há bebés iguais, com o mesmo comportamento e, por isso, cada um terá um padrão intestinal diferente. Assim, também é normal que o seu bebé tenha apenas uma dejeção por dia. Após o primeiro mês de vida, dizem os especialistas que, os bebés poderão passar quase 5 dias sem evacuar, dado que se pensa que nesta fase todo o leite materno ingerido é totalmente absorvido. Obviamente que se o bebé mostrar desconforto, deverá ajudá-lo a evacuar, com massagem abdominal e/ ou estimulação. No entanto, aconselho-vos a tentar que o bebé evacue pelo menos uma vez por dia. 

Como já percebemos, o número elevado de dejeções não é de todo sinónimo de diarreia, pelo que não deverá suscitar qualquer preocupação. 

Aos 6 meses de vida, com o início da alimentação complementar, as características das fezes irão assemelhar-se muito às do adulto. Fezes castanhas, mais moldadas e cheiro mais intenso. Alguns alimentos tendem a provocar obstipação (dificuldade em evacuar), pelo que, em caso de dúvida, devem contactar a enfermeira/ médico que vos acompanha. 

Por último, pensando que por vezes as fezes se tornam mais ácidas e provocam assaduras, deixar uma dica sobre a higiene do rabinho. 

No dia-a-dia, em casa, devem utilizar água e sabão e um pano para secar devidamente a pele do bebé. As toalhitas deverão ter uso exclusivo fora de casa, já que não se torna prático levar água num recipiente, para lavar o rabinho. Isto porque, o uso permanente de toalhitas fragiliza a pele e promove, elas próprias, assaduras. 


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A baba e os dentes

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

É vulgar dizer-se que um bebé, quando começa a "babar-se" (salivar) muito, tem os dentes prestes a nascer. Mas, se o seu bebé tem menos de 6 meses, a causa não será essa. 

Faz parte do normal desenvolvimento da criança, esta começar a salivar em grande quantidade, entre os 2 e os 4 meses. É nesta altura que as glândulas salivares (glândulas que estão na boca e que produzem saliva) iniciam a sua produção de saliva. Contudo, este amadurecimento não é acompanhado pelo desenvolvimento muscular da boca e garganta (orofaringe), o que faz com que a criança não consiga deglutir a maior parte da saliva que é produzida. Esta situação poderá durar até após os 12 meses. Note-se que, principalmente na fase adulta, as glândulas salivares produzem, por dia, perto de 1 a 2L de saliva. 

Parece-nos importante salientar que a saliva desempenha um importante papel na saúde oral e na digestão. Ela lubrifica e humedece os alimentos, facilitando a mastigação e deglutição. Ajuda também, através dos seus componentes, a iniciar a digestão. Para além disso, ao humedecer a boca, permite controlar o crescimento de bactérias, diminuindo a probabilidade de aparecerem cáries. 

Mas, o que poderá fazer para evitar que o seu filho permaneça molhado devido à baba?

Com o aumento da saliva, a criança passa a ter o rosto e pescoço molhados. Se não for frequentemente limpo, a pele poderá macerar e levra a infeções provocadas por fungos. Desta forma deve:

  • colocar um babete na criança e mudá-lo com regularidade;
  • secar, com frequência, a cara e pescoço, para que estas zonas não fiquem molhadas durante muito tempo;
  • caso a pele do pescoço comece a ficar avermelhada, pode colocar uma camada muito fina sa pomada que utiliza no rabinho;
  • vigiar sinais de agravamento e consultar a enfermeira/ médica de família/ pediatra, caso perceba que não há melhoras nos sinais da pele. 

Não obstante, também é verdade que, quando os dentes começam a nascer, a salivação pode acontecer de forma acentuada, devido ao desconforto gerado pelo rompimento da gengiva. 

Esta situação, por norma, ocorre a partir dos 6 meses. Pode verificar que o seu bebé fica muito incomodado, as gengivas estão inchadas e vermelhas e a criança tende a levar tudo à boca e "raspar" as gengivas. 

Assim, aconselhamos:

  • ofereça um mordedor, alguns dos quais têm gel que deve refrigerar (no frigorífico ou congelador) antes de oferecer à criança, já que isso irá proporcionar alívio do desconforto, por diminuição da inflamação;
  • pode utilizar uma compressa embebida em água fresca e aplicar nas gengivas da criança;
  • utilizar algum produto natural, adquirido na Farmácia e que proporcione alívio do desconforto. 


O nascimento dos dentes provoca algum desconforto adicional na criança?
É frequente os pais associarem a diarreia ou outros sintomas gastrointestinais, ao nascimento dos dentes. No entanto, esta relação não é causa efeito. O que poderá acontecer é uma diminuição da imunidade e, como as crianças passam a estar mais sensíveis, levar a que adoeçam mais facilmente. 

Caso haja alguma alteração, procurem o apoio do profissional de saúde que vos tem acompanhado. 


Quando os dentes rompem, há algum cuidado a ter?

Sim! Quando os dentes começarem a romper, deve ter o cuidado de lavar os dentinhos pelo menos 2 vezes ao dia, sendo que uma das vezes deve, obrigatoriamente, ser ao deitar. 

Para a higiene dos dentes, poderá utilizar inicialmente uma dedeira ou compressa. Mas poderá adquirir uma escova com cerdas macias e utilizar pasta de dentes para crianças (com flúor na quantidade de 1000 a 1500 ppm). 


Quando deverá ser feita a primeira visita ao dentista?

A primeira visita deverá ser feita assim que o primeiro dente romper, ou seja, a partir dos 6 meses. Pode parecer-vos estranho, mas nesta altura o dentista colherá os dados da vossa história ao nível da saúde oral e identificará o risco para a criança. Quanto mais cedo esta avaliação for feita, com maior antecedência se inicia a prevenção de cáries. Para além disso, vai permitir à criança familiarizar-se com o dentista e toda a parafernália existente no consultório, levando a menos momentos de ansiedade, no futuro. Em todo o caso, poderão ler sobre esta questão no artigo publicado no nosso blogue.


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Sou alérgico!

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

 A modificação dos hábitos alimentares na Era Moderna, com a introdução de novos ingredientes e a crescente utilização de produtos processados, aumentou significativamente a frequência de reações indesejadas associadas a alimentos. Agora, uma nova ferramenta online pode ajudar a identificar onde se encontram os mais perigosos. 

As reações adversas devido a alimentos podem ser divididas em dois tipos - as alérgicas (Alergias Alimentares) e as não-alérgicas (normalmente também chamadas de Intolerâncias Alimentares).

A Alergia é uma resposta exagerada e inadequada do sistema imunitário contra substâncias inofensivas do meio ambiente. Numa situação normal, o organismo combate agentes que possam causar doenças, como bactérias ou parasitas e "tolera" substâncias benéficas como os alimentos. Normalmente existe uma tendência familiar, ou seja, um risco genético para a ocorrência. A alergia alimentar afeta aproximadamente 5% das crianças e 3-4% dos adultos nos países ocidentais. A sua frequência parece estar a aumentar e as reações parecem estar a tornar-se mais graves, apesar de ainda não haver uma explicação definitiva para este aumento. 

A Intolerância a um alimento, não está relacionada com o sistema imunitário - resulta de erros na digestão ou metabolismo dos alimentos. Quando se fala de intolerâncias alimentares não se fala de uma doença única, mas de um conjunto de problemas diferentes que resultam em sintomas desagradáveis devido a um alimento. Normalmente os sintomas não ocorrem em todas as ocasiões em que há ingestão e são habitualmente necessárias quantidades razoáveis do alimento para ocorrer sintomas. Apesar de serem menos graves que as reações de alergia alimentar, podem também afetar muito a qualidade de vida. 

Os tipos mais comuns de intolerância ocorrem devido à falta de uma enzima necessária para a ingestão de um componente/ parte de um alimento. Um exemplo típico é o caso da intolerância à lactose, que se deve à perda da atividade enzimática da lactase, uma molécula responsável pela digestão da lactose, um açúcar do leite. A intolerância alimentar também pode resultar da própria composição química do alimento - alguns alimentos são muito ricos em aminas (enlatados, alguns peixes, morangos ou citrinos), cafeína (chá, café ou cacau) ou salicilatos (tomate, citrinos, frutos vermelhos ou chá) e estes alimentos podem provocar sintomas em pessoas mais sensíveis, mesmo que ingeridos em pequenas quantidades. 


Quando suspeitar de uma alergia alimentar?

A Alergia Alimentar pode causar muitos sintomas diferentes. No entanto, estes sintomas são reprodutíveis, isto é, surgem sempre que o alimento (ou, pelo menos, alimentos da mesma família) é ingerido. Além disso, são frequentemente imediatos, ocorrendo de minutos até um máximo de 2 horas após a ingestão. Em algumas situações, o contacto ou inalação de vapores de cozedura do alimento também podem causar sintomas. 

Os sintomas frequentemente afetam a pele. Pode manifestar-se como manchas ou babas/ borbulhas vermelhas que provocam muita comichão (urticária) ou como inchaço, habitualmente nos lábios ou olhos. Também podem provocar comichão intensa na boca, vómitos ou cólicas abdominais, causar espirros, comichão nos olhos ou lacrimejo, tosse, chiadeira ("gatinhos") no peito ou dificuldade em respirar. Em algumas situações pode ocorrer uma reação alérgica grave (anafilaxia) que envolve vários órgãos em simultâneo, como a pele, o sistema respiratório, o digestivo e/ ou cardiovascular. Nesses casos, pode ocorrer uma queda súbita da pressão arterial, suores, palidez ou perda de consciência. Estas reações colocam a vida em risco. 

A Intolerância Alimentar pode manifestar-se de muitas formas diferentes, já que não se trata de uma doença única. Normalmente os sintomas não são reprodutíveis, nem imediatos. Os sintomas mais frequentes são a má-digestão, o enfartamento, barriga inchada, flatulência, azia, falta de apetite, queda de cabelo, olheiras, dores de cabeça, entre outros. 


Que alimentos provocam alergia?

Embora uma reação alérgica possa ocorrer com qualquer alimento, os alimentos mais alergéncios e que causam alergia mais frequentemente são: na criança, as proteínas do leite, o ovo, o peixe, frutos secos, amendoim, soja e trigo; no adulto, os mariscos, peixes, frutos secos/ sementes e amendoim. 


Em que idade se manifestam as alergias?

A Alergia Alimentar pode manifestar-se pela primeira vez em qualquer idade, embora seja mais frequente nos lactentes e crianças. Infelizmente alguém que previamente tolerava um determinado alimento, pode em qualquer momento da vida tornar-se alérgico. 

De uma forma geral, quando surgem alergias alimentares na infância, estas tendem a desaparecer, sobretudo as alergias a leite e ovo. Pelo contrário, a alergia alimentar em adultos tende a manter-se para o resto da vida. 


Como diagnosticar?

O diagnóstico de alergia alimentar deve ser feito por um médico especialista em Imunoalergologia. Normalmente baseia-se na combinação de uma história clínica cuidadosa, testes cutâneos, análises de sangue e provas de tolerância oral. 


Como viver com alergia alimentar?

A principal forma de lidar com a alergia alimentar é evitar rigorosamente os alergénios implicados, o que inclui leitura cuidadosa dos rótulos, precaver refeições em restaurantes ou preparadas por pessoas alheias ter especial cuidado na preparação das refeições devido à possibilidade de reações apenas com o contacto ou inalação de vapores de cozedura ou utilização de objetos mal lavados na cozinha. 

Ainda assim, por vezes as reações ocorrerem inesperadamente- É por isso importante existir um plano escrito de emergência com indicação dos medicamentos a tomar em caso de reação. 

Não existe qualquer remédio caseiro ou natural que permite acelerar a resolução da alergia ou resolver os sintomas. O doente não deve também automedicar-se sob pena de poder agravar o seu quadro clínico e colocar a vida em risco. 


A plataforma SouAlergico.com

A única forma de prevenção de reações alérgicas é a evicção alimentar. Contudo, esta exclusão é por vezes complicada pela presença invisível de alergénios em produtos comercializados. Esta situação gera muita ansiedade nos doentes e seus familiares, devido ao receio de ocorrer uma exposição acidental e contribuem para um grande impacto negativo desta doença na qualidade de vida. 

A Universidade do Algarve e a consulta de Imunoalergologia do Grupo HPA Saúde desenvolveu recentemente uma plataforma simples e intuitiva que permite uma rápida identificação da presença dos alergénios nos alimentos à venda nas maiores superfícies comerciais. 

A plataforma soualergico.com está disponível online e é totalmente gratuita. Permite facilmente criar listas de compras com produtos isentos de alergénios para diversas categorias de alimentos e apresenta também informação adicional acerca de alergia e intolerância alimentar. 


Pedro Morais Silva


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A Escola e o novo Coronavírus

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Se o início das atividades escolares sempre foram sinónimo de dor de cabeça para os pais, atualmente, considerando a situação pandémica, o receio e a incerteza aumentaram exponencialmente. 

É importante não esquecer que o ser humano é um ser que vive de relações, especialmente as crianças, que aprendem a brincar e, para isso, é de extrema importância socializarem com os seus pares e adultos, quer sejam os pais, ou outros elementos da família e professores/ educadores/ auxiliares. 


Então, estamos perante um dilema. O que importa mais? Afastar as crianças e mantê-las encerradas em casa ou, pelo contrário, lança-las para o desconhecido do novo Coronavírus? 

De forma a manter as crianças em segurança, garantir o seu adequado desenvolvimento e permitir aos pais retornar às suas atividades laborais, a Direção-Geral da Saúde emanou algumas orientações que têm sido atualizadas no decorrer destes, tendo em conta a evolução da pandemia. 

Não obstante haver diretrizes que deverão ser seguidas pelo pessoal docente e não docente, é natural que todas as famílias se sintam inseguras. Decidimos então, resumir as mesmas e orientar-vos nas indicações que poderão dar aos vossos filhos. 

Antes de mais, é importante relembrar quais as formas de contágio pelo novo coronavírus. Assim, há duas formas possíveis. São elas: 

- contacto direto: através de gotículas produzidas quando uma pessoa infetada tosse, espirra ou fala e podem ser inaladas ou pousar na boca, nariz ou olhos das pessoas que se encontram próximas (a menos de 2 metros de distância);

- contacto indireto: quando tocamos numa superfície ou objeto contaminado e, de seguida, sem higienizar as mãos, tocamos na boca, olhos ou nariz. 

De seguida, apresentaremos algumas indicações específicas para as crianças que irão frequentar o jardim de infância/ ama e o ensino básico/ secundário. 


Jardim de infância/ ama

Uma das maiores maiores diferenças que vai encontrar é a (provável) impossibilidade de poder levar o seu filho até à sala. No entanto, esta medida poderá ser adotada pela maioria dos estabelecimentos escolares de forma a poder reduzir o risco de infeção. A esta medida acresce a necessidade de:

  • levar calçado suplente para que o seu filho possa usar na sala algo que não tenha sido usado na rua. Há algumas escolas que pedem também uma muda de roupa para que a roupa que veio da rua não seja usada na sala;
  • não levar brinquedos ou outros objetos que não sejam realmente necessários;
  • começar a treinar o seu filho a lavar as mãos, explicando a importância desta medida (se a criança tiver idade para este treino, obviamente);
  • tentar obter informações acerca do comportamento do seu filho por parte da educadora, mesmo que apenas por via digital, dado que neste momento todos os contactos presenciais foram reduzidos ao máximo. 


Ensino Básico/ Secundário

Embora mais autónomos, nestas idades ainda há os que gostam da companhia dos pais até à porta, contudo, a sua entrada também será muito provavelmente interdita. 

Se tem filhos dentro destas faixas etárias, deverá alertá-los para:

  • que usem a máscara durante todos os momentos e que só a retirem para as refeições:
  • mudem de máscara caso a sua esteja húmida (dependendo das atividades que realize, poderá transpirar mais e ter necessidade de mudar). Para a remover, deverá lavar/ desinfetar as mãos e só após isto remover a mesma pelos elásticos;
  • lavar com frequência as mãos e, até as lavar, não tocar no nariz, boca e olhos;
  • evitar tocar em bens comuns, corrimãos, maçanetas, interruptores, ou outros. Caso não haja alternativa, lavar ou desinfetar as mãos de seguida;
  • caso necessite de se assoar, deverá usar um lenço de papel de utilização única e em seguida colocá-lo no caixote do lixo. Depois deverá lavar/ desinfetar as mãos;
  • que, quando sentir necessidade de tossir ou espirrar, não deve remover a máscara e deve fazê-lo para o braço e nunca para as mãos ou para o ar (mesmo com máscara colocada).

Para além disto, independentemente da idade, é importante que cheguem a casa, tomem o seu banho e a roupa utilizada seja colocada para lavar. Impede desta forma que roupas potencialmente infetadas circulem pela casa. 


Até agora, falámos das questões mais práticas e comportamentais. No entanto há uma questão de maior importância e que não deve ser descurada. Estamos a falar da questão emocional. 

Esta é uma questão abordada por vários profissionais e uma preocupação de todos (profissionais e família).

Nas crianças mais pequenas refere-se a dificuldade em criar uma ligação emocional com as educadoras e auxiliares, devido à barreira provocada pela máscara e a insegurança que daí poderá advir. Mas, na nossa opinião, se pensamos que para as crianças mais crescidas passarão por esta situação de forma mais tranquila, desenganem-se. 

Habituados à liberdade de circulação nas escolas, aos amigos e às brincadeiras com estes, ver-se-ão limitados na sua essência. Assim sendo, aconselhamos a que haja muito diálogo e uma preparação prévia e tranquila para o início das atividades escolares. 

Dada a complexidade desta situação e a sua imprevisibilidade provocada pelo desconhecido, deixamos 4 aspetos que são importantes transmitir aos vossos filhos. 

  • É normal sentires-te desta forma (irritado, triste, inseguro, ...)! - É importante transmitir à criança que a percebe e que não há o que punir na sua atitude. Pode inclusivamente partilhar a forma como se sente no seu trabalho ou quando vai às compras e abordar com ele o que mais o incomoda. Tentar encontrar, em conjunto, formas de ultrapassar e gerir estes sentimentos e emoções, de forma a controlá-los.
  • Não estás sozinho! - Deve mostrar à criança que o distanciamento social que vai imperar na escola não significa que, em caso de necessidade, não terá ninguém a quem recorrer. Muito pelo contrário! Deverá informá-lo sobre os nomes e locais onde se dirigir caso tenha algum problema ou não se sinta bem (embora decerto na Escola também o façam). Por outro lado, reforçar, tal como referido anteriormente, que estamos todos a sofrer as mesmas restrições, com especificidades apropriadas aos locais que frequentamos. Os receios dela serão os receios dos colegas, professores e pais. 
  • Tens sempre direito à tua palavra nas decisões! - Se envolver a criança nas decisões, ela sentir-se-á mais segura e terá a ideia que, tal como os adultos, controla ligeiramente o que a rodeia. 
  • Vamos ver o lado positivo e mostrar disponibilidade para aprender com as novas situações! - Não só nesta situação, mas em todas as outras na sua vida, é importante ensinar a criança a ver o lado positivo, mesmo que muito difíceis. Por outro lado, tentar aprender com a adversidade. Pode, para isto usar algum exemplo de situações que tenham ocorrido no passado: umas férias mais aventureiras e a forma como resolveram algo inesperado; o confinamento e o final do ano letivo passado que aproximou os elementos da família e os levou a organizar atividades em casa, permitindo tornar esses dias menos stressantes. 

Os tempos são desafiantes e a forma como os encaramos marcará a diferença. É importante criarmos crianças resilientes e não esquecer que aprendem, em qualquer altura, com o exemplo, sendo os pais os maiores modelos. 

Por último, alertamos para a existência de apoio por parte da Psicóloga do Sistema Nacional de Saúde, que poderá acompanhar o seu filho/ família, em caso de necessidade. Para isso poderá contactar o seu Centro de Saúde ou a Saúde Escolar, através do Diretor de Turma. 

Esperamos que o início deste ano escolar seja o mais tranquilo possível. Digam-nos como o estão a vivenciar e quais as vossas maiores preocupações. Encontramo-nos, também nós, disponíveis para colaborar convosco, no que estiver ao nosso alcance. 

Bom início de escola!! Vai tudo correr bem!!!


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Crosta Láctea

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

A Dermatite Seborreica, também denominada Crosta Láctea é caracterizada por se apresentar como crostas de cor amarelada, que aparecem no couro cabeludo, podendo estender-se à testa, sobrancelhas e, por vezes, orelhas. 

É comum aparecer nos recém-nascidos (entre as 2 e as 6 semanas de vida) e desaparece, normalmente, antes do ano de vida ( entre os 7 e os 8 meses).

Esta situação ocorre dado que há uma produção excessiva de gordura por parte das glândulas sebáceas nesta zona do corpo, que pensa-se em resposta às hormonas maternas que ainda se encontram em circulação.

Embora tenha um aspeto desagradável, esta situação não causa qualquer desconforto no bebé. No entanto, torna-se importante vigiar a coloração da pele circundante e a saída de líquido amarelado das lesões. Poderá significar uma pequena inflamação, com necessidade de acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.

O que poderá utilizar para remover estas crostas?

Trinta minutos ou uma hora antes do banho poderá aplicar vaselina ou óleo de amêndoas doces na cabeça do bebé. Atenção!!! Não Aplicar nas sobrancelhas, já que poderá entrar nos olhos e provocar reação. Depois, no banho, com água tépida e usando um pente deve tentar remover as crostas de forma suave.

Hoje em dia já existem algumas marcas de cosmética, com gamas pediátricas, das quais faz parte o creme específico para a crosta láctea. É uma questão de experimentar o que tem à sua disposição. 

Caso tenha dúvidas, deverá sempre contactar o profissional de saúde que vos acompanha. 


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Promova o desenvolvimento psicomotor em sua casa

quarta-feira, 4 de março de 2020
No presente artigo pretende-se expor de que forma os pais podem auxiliar no desenvolvimento psicomotor infantil, sem sair do conforto do seu lar. 

Ao longo do desenvolvimento infantil existem várias áreas e competências que surgem encadeadas. Isso deve-se ao facto do desenvolvimento psicomotor progredir de forma hierárquica. Este desenvolvimento subdivide-se em sete fatores psicomotores aliados às áreas cognitivas e emocionais, que, como explicado, condicionam-se mutuamente. Assim, é possível entender a importância de estarmos atentos aos mesmos.


Para entender melhor que tipo de atividades podem ser desenvolvidas em determinada idade, devemos compreender como progridem os fatores psicomotores:

1º fator - Tonicidade, surge no primeiro ano de vida e associa-se, como o nome indica, ao tónus muscular, pelo que deve ser trabalhado através de questões corporais como alongamentos, reforço muscular, ...

2º fator - Equilibração, entre o primeiro e o segundo ano, a criança explora o plano vertical, sendo importante o trabalho de brincadeiras que estimulem os apoios (com os dois pés ou só um), saltos, ...

3º fator - Lateralidade, até ao terceiro ano, a criança, após compreender as dimensões anteriores (horizontal, vertical) é capaz agora de iniciar a diferenciação do seu espaço interno (noção de um lado e do outro);

4º fator - Noção corporal, do terceiro ao quarto ano a criança necessita de vivências e consciencializações corporais, assim como, promoção do controlo de si mesmo;

5º fator - Estruturação espacio-temporal, até aos 5 anos é aprimorada a capacidade de compreender o espaço envolvente, noções de ritmos e localização temporal;

6º fator - Praxia global, dos cinco aos seis anos, a criança necessita de brincadeiras que envolvam coordenação, agilidade, dissociação de membro;

7º fator - Praxia fina, até aos sete anos é aprimorado o último fator para permitir a pega de lápis, manuseio de objetos pequenos, entre outros.


Conhecendo agora como o desenvolvimento progride e as respetivas competências, podemos passar à prática. O tempo em família é cada vez menor, com rotinas rígidas e pouco tempo, por isso seguem alguns exemplos de tarefas ou atividades que podem ser realizadas em casa, num curto espaço de tempo:

  • ajudar no transporte de pequenos objetos;
  • realizar percurso com almofadas ou criar pequenos fortes;
  • manusear objetos com diferentes texturas;
  • amassar folhas;
  • contar histórias, interaja com a criança, peça para virar páginas, apontar para algo;
  • concurso de caretas;
  • desenhar com espuma de barbear (atenção à supervisão);
  • brincar no parque ou no jardim de casa, pedir para ajudar a apanhar folhas e pedrinhas (agrupar por categorias);
  • pedir à criança que seja o copiloto, informando sobre o caminho de volta;
  • estender meias;
  • fazer colares de massa;
  • ajudar na cozinha;
  • dar responsabilidades (arrumar brinquedos, fazer a cama, ...);
  • brincar com os jogos que tem em casa;
  • ...

Como vimos acima, são muitas as atividades, com coisas lá de casa, que promovem o desenvolvimento. E se o tempo é ainda o inimigo, não desespere. Enquanto faz o jantar, porque não tirar alguns tupperwares e pedir à criança para os empilhar ou encaixar? Na hora do banho, principalmente com crianças mais pequenas, podemos colocar pequenos objetos e brincar ao "faz de conta". Embalagens vazias podem ser animais (e que tal imitar o som desses animais e identificar a letra pela qual os seus nomes começam?), ou simplesmente enquanto dá banho e coloca o gel no corpo, pedir para identificar as diferentes partes do corpo. Desafie a criança com atividades diferentes juntamente com materiais que não está à espera. Ajude-a a compreender as atividades. 

Se durante estas brincadeiras verificar a persistência da dificuldade em algum aspeto, procure a ajuda de um pediatra ou psicomotricista e peça uma avaliação do desenvolvimento. 

Brinque muito com os seus filhos, seja criativo, mas tenha em atenção o que já dizia Maria Montessori:

"Qualquer ajuda desnecessária é um obstáculo na aprendizagem".



Fátima Sousa
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Birras: o eterno dilema

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
Frases como estas: "Hoje ele está impossível"; "Sofia, consigo ele não faz birras"; "Com a educadora corre sempre melhor", são comuns a todos nós!

A birra deve ser um dos temas mais falados pelos pais, educadores, psicólogos, especialistas, avós e vizinhos. Desde a vertente educacional, à emocional ou à comportamental, muitas são as estratégias dadas em centenas de sites pela internet e em cursos. Existem muitos debates sobre as suas origens, o porquê de acontecerem e quais os seus resultados na vida adulta.


Muito haveria para falar sobre este assunto e muitas seriam as opiniões de cada um, mas existem inúmeras formas de resolver as birras e cada família tem o seu ritmo, a sua linguagem e os seus hábitos. 

Tendo em mente os "meus" pequenotes e as suas famílias, consigo compilar alguns concelhos que muitos pais, devido às rotinas e ao corre-corre do seu dia-a-dia, acabam por esquecer. Por isso, este artigo pretende alertar para algumas dessas situações:

  1. Sono e fome nunca fez bem a ninguém

    As crianças tendem a fazer mais birras quando têm fome, sono ou quando ficam doentes... e é normal! Até nós adultos nos sentimos completamente diferentes quando estamos com fome e não conseguimos comer a horas. Assim, lembre-se que cada criança tem o seu próprio ritmo e que uns precisam de comer mais ou dormir mais que outros em determinadas alturas do dia.

  2. Falar simples e direto - ajuda mesmo!

    Quando nos irritamos, a tendência é para falar mais e mais alto - pois é! Mas deveria acontecer exatamente o oposto.

    Deste modo, se a criança fala com uma ou duas palavras, o máximo que deveríamos usar seriam duas palavras. Se perceber que o seu filho, mesmo com um discurso simples, não consegue resolver a birra, ajude-o a cumprir o que pediu ou até mesmo sair do lugar onde se encontra o estímulo que desencadeou a birra.

    Não julgue nem fale sobre o comportamento menos adequado. Concentre-se de imediato no comportamento assertivo, como ficar mais calmo ou parar de gritar.

  3. Seja positivo e firme

    "Não faças isso"; "Não mexas nisso"; "Não digas isso" - Não, Não Não! Sempre Não! - Gosta de ouvir a palavra Não? Eu também não!

    Mas é das palavras mais usadas no nosso dia-a-dia. O que vou dizer parece impossível (mesmo impossível), mas em vez de dizer sempre "Não", mude a forma de falar. Por exemplo, em vez de "Não mexas nisso", utilize "Deixa estar assim". E vez de "Não corras", utilize "Anda mais devagar". Mesmo que não consiga aplicar sempre, poderá pensar em determinadas situações que o possa fazer.


    Explico porque é importante: para algumas crianças, esta palavra só promove o comportamento que não pretende que ela tenha. Por isso, ter uma abordagem positiva, em que identifica o comportamento correto a ter, vai ajudá-la a saber o que fazer. Pois, já deve ter reparado que quanto mais diz para não fazer algo, mais eles vão tentar fazer aquilo que está errado, certo? Por isso, quebre este ciclo através da linguagem!

  4. Respire fundo e calma!

    Há dias em que nada parece resultar: respire fundo e analise a situação:

    - o que aconteceu? O que causou a birra?
    - como é que eu a resolvi? Quais foram as consequências?

    Escreva num papel a resposta a estas perguntas. Isso ajudar-vos-á a perceber quais as estratégias que melhor resultam com o vosso filhote. E pensem sobre: "o que estava a tentar ensinar?"; "Como é que estou a verbalizar o que ele deve fazer?". Ensine-o todos os dias! O cérebro precisa desse constante reforço. Depois, procure estabelecer um acordo em que fique explícito que, se cumprir determinada tarefa, obterá o que pretende.

  5. Birras por sensações

    Lavar o cabelo, barulho muito alto, comida crocante, comida mole, camisolas de lã, etiquetas... podem causar uma birra? Sim! Lembre-se que o cérebro das crianças está a tornar-se maduro e, por vezes, sensações como vestir uma camisola, lavar ou escovar o cabelo são registadas no cérebro como se fosse algo novo ou até como se fosse um ataque ao seu corpo.

    Este processo pelo qual todos nós passamos chama-se integração sensorial. Ou seja, é a forma como recebemos, modelamos e processamos a informação que vem dos órgãos dos nossos sentidos: tacto, visão, olfato e paladar. É por isso que, por vezes, se ouve falar de baixa sensibilidade ou hipersensibilidade auditiva, por exemplo.

    Os nossos pequenotes estão a crescer e a forma como processam as sensações está constantemente a ser registada no seu cérebro - daí esse impacto criar conflitos - surgindo este tipo de birras. Assim, lembre-se: deve expor o seu filhote gradualmente a este tipo de estímulos. Se vir que existem muitas birras e que o seu filho fica mesmo muito agitado, poderá pedir ajuda a um terapeuta ocupacional especialista em integração sensorial.


Apenas citei algumas das situações que mais ocorrem no dia-a-dia. Lembrem-se que, se o vosso filhote estiver a ser acompanhado por algum terapeuta, podem pedir-lhe ajuda, pois todos os comportamentos têm uma razão para ocorrerem e uma consequência. 

As birras farão sempre parte da nossa vida e mostram que estamos a ficar mais velhinhos. Por isso, em vez de apenas educar em situações limite, lembre-se que todos os dias servem para ensinar a criança a lidar com a frustração e com os seus sentimentos. 



Sofia Rocha-Bernardino
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