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Gravidez
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Dentes de leite

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Os dentes decíduos, como se chamam tecnicamente, são popularmente chamados de "dentes de leite". Isto porque a sua coloração é mais branca que a dos dentes definitivos ou permanentes, fazendo lembrar o leite. 

Estes dentes começam a ser formados ainda durante a gravidez, logo nas primeiras semanas, estando a sua formação dividida em 3 etapas ao longo deste período. Daí ser tão importante a grávida vigiar bem a gravidez e ter, também ela, os devidos cuidados com os seus dentes. Sobre este tema, pode encontrar mais informação no artigo redigido pel' o pai, a mãe e eu aqui.

Os dentes de leite tendem a começar a nascer a partir dos 6 meses e terminam por volta dos 2 - 3 anos. É importante referir que estas idades são marcos variáveis, dado que crianças diferentes apresentam desenvolvimento diferente. 

Nesta fase totalizam 20 dentes, sendo 8 incisivos, 8 molares e 4 caninos, que nascem por etapas, tal como está presente na imagem em baixo. 

Fonte: desconhecida

Outra das diferenças relativamente à dentição decídua e permanente é que na primeira não existem dentes pré-molares.


Os sinais de que os dentes começam a querer romper a gengiva são:

  • saliva mais abundante e por vezes mais espessa;
  • gengivas mais "grossas" e poderão estar mais vermelhas (isto porque há um processo inflamatório associado);
  • maior irritabilidade do bebé (por desconforto/ dor);
  • o bebé leva todos os objetos e/ ou dedos à boca para poder "coçar" as gengivas;
  • eventualmente poderá haver uma rejeição da comida;
  • sono com muitas interrupções por dor/ desconforto.
Esta fase de nascimento dos dedos é, na maioria dos casos, bastante stressante para o bebé e para a família.


Por isso, o que poderá fazer para atenuar o desconforto? 
  • Caso amamente, faça gelado de leite materno. O frio ajudará a aliviar o desconforto que o bebé tem na boca.
  • Ofereça os mordedores que podem ir ao frigorífico/ congelador. Terá o mesmo efeito do gelado de leite materno e a criança também beneficiará das rugosidades que esse mordedor tem. 
  • Coloque soro fisiológico no frio e quando ele estiver a uma temperatura mais baixa, embeba uma compressa e passe na gengiva do bebé.
  • Opte por refeições mornas, iogurtes,... Isso ajudará a não aumentar a temperatura da boca e consequentemente o desconforto. 
  • Fale com a enfermeira/ pediatra/ médico assistente para saber a opinião sobre administrar paracetamol para alívio da dor. 

Após o nascimento dos dentes, é preciso ter algum cuidado especial?

Existe ainda a ideia de que estes dentes não são propensos a cáries e, caso eventualmente apareça, em nada são influenciados os dentes definitivos ou permanentes. Pois bem, na verdade esta conceção é um mito e sobre isso, a Dra. Sofia Arantes e Oliveira escreveu para o pai, a mãe e eu e pode encontrar informação aqui.

É importante que cuidem destes dentes tão bem quanto cuidarão dos dentes permanentes. Estes devem ser escovados pelo menos duas vezes ao dia (preferencialmente de manhã e antes de ir dormir), com pasta de dentes com flúor na quantidade de 1000 a 1500 ppm, tal como abordei no artigo sobre cáries. Nesse artigo poderá ler esta e outras dicas para uma adequada higiene oral. 

É importante não esquecer que dentes saudáveis são sinónimo de criança saudável e feliz. Os dentes não servem apenas para a mastigação. Eles têm também influência na fala. Há que preservá-los. 


o pai, a mãe e eu

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A gravidez e a saúde oral

terça-feira, 27 de outubro de 2020

 A gravidez traz consigo grandes mudanças na mulher e, inevitavelmente, na família. É nesta altura que se repensam os hábitos de vida, em prol do adequado desenvolvimento do bebé. E, embora comecem a haver mudanças, algumas acabam por cair no esquecimento. 

Hoje iremos abordar um dos aspetos mais importantes da gravidez e que é, em grande parte das vezes, descurado. E com isto refiro-me à saúde oral. Talvez este "esquecimento" ocorra muito em parte por questões financeiras. Mas já lá chegaremos. 

Dizem que, durante a gravidez, o sangramento das gengivas é perfeitamente normal. Mas será mesmo normal? Podemos desde já dizer que não. Não é normal e este é um dos sinais que necessita para agendar uma consulta com um dentista. 


Mas então, porque razão será tão importante cuidar dos dentes durante a gravidez?

A resposta é simples e assustadora. É importante cuidar dos dentes durante a gravidez, porque uma mãe com problemas dentários, futuramente terá uma criança com os mesmo problemas. 

Estima-se que um quarto das mulheres em idade fértil (com idade para engravidar) apresenta cáries e que cerca de 30% das grávidas apresentam gengivite (inflamação das gengivas provocada por uma higiene deficiente ou por alterações hormonais). 

Por outro lado, vários estudos indicam a possível relação entre cáries e os partos prematuros ou restrições de crescimento in utero. Isto porque, as cáries são causadas por bactérias que, quando viajam pela corrente sanguínea, poderão provocar outras reações e desencadear o parto prematuro ou a restrição de crescimento. 

Por último, informar ainda que em 70% dos casos estudados, é a mãe que transmite estas bactérias à criança, aumentando em muito o risco de aparecimento de cáries. 

Sim, isto é verdade e passo a explicar a razão. 

As cáries dentárias são a doença infeciosa crónica mais frequente, mais até do que, por exemplo, a asma. No entanto, são completamente passíveis de prevenir através da mudança de hábitos de higiene e alimentares. 


E porque razão os problemas dentários são, de certa forma, transmissíveis?

Já reparou, certamente, numa mãe a certificar-se da temperatura da sopa levando a colher à sua própria boca antes de a oferecer ao filho. Quase todas as mães o fazem de forma inconsciente e, por isso, sem se aperceberem do aspeto nocivo desta ação. 

Pois é! Algo tão simples pode significar a transmissão da bactéria que é a causadora das cáries. Isto, ou o limpar a boca/ cara da criança com a nossa saliva, o lamber a chucha porque caiu ao chão, antes de a dar novamente à criança... Neste caso, incluímos aqui também o pai, a vó ou outra pessoa significativa e cuidadora. Importante salientar que a colonização (infeção pela bactéria) pode acontecer desde o nascimento, mas tem maior probabilidade de ficar retida na boca após o nascimento do primeiro dente. 


Mas, foquemo-nos em si, que está grávida. O que poderá fazer para diminuir o risco de vir a ter cáries e de as transmitir ao seu bebé?

Tendo em conta o que dizem os especialistas e a Direção-Geral da Saúde, deixamos aqui alguns conselhos: 

  • escovar os dentes duas vezes ao dia, com pasta com flúor e uma escova macia;
  • limitar a ingestão de alimentos açucarados às refeições e fora delas;
  • optar por beber água e/ ou leite magro, em vez de bebidas açucaradas;
  • dar preferência à fruta em vez de sumos de fruta naturais. 


Se está permanentemente nauseada (maldisposta) e a vomitar, deve acrescentar as seguintes medidas: 
  • comer pequenas quantidades de alimentos nutritivos ao longo do dia;
  • bochechar, após vomitar, com uma solução composta por 1 colher de chá de bicarbonato de sódio, num copo de água. Esta solução eliminará o ácido que ficar nos dentes, evitando a sua destruição. 

Para complementar estas medidas, há estudos que indicam que, se a futura mãe bochechar diariamente com produtos prescritos pelo dentista, a partir dos 6 meses de gestação, diminui drasticamente a colonização da boca e a transmissão das bactérias para o filho. Existe também outra medida, embora ainda pouco se conheça relativamente a dosagens e duração do uso. Esta medida tem a ver com o uso de pastilhas Xilitol, após as refeições. O xilitol é um adoçante natural, encontrado nas fibras de muitos vegetais e que tem um efeito positivo no controlo das bactérias na boca, pois embora doce, inibe o crescimento destas últimas e não prova cáries. 


Por último, falta abordar a questão da visita ao dentista. 

Referem as diretrizes que a visita ao dentista deve ocorrer entre as 14 e as 20 semanas de gestação, pois embora o risco de aborto provocado pelo tratamento do dentista seja mínimo em qualquer momento da gravidez, este é o período ideal. 

Se tiver tido uma visita ao dentista nos últimos 6 meses, recomenda-se que agende uma nova visita que, idealmente deverá acontecer ainda durante a gravidez. Caso a sua última visita tenha sido há mais de 6 meses, deverá agendar uma antes das 20 semanas. 

E aqui surge a questão mencionada no início deste artigo. Por norma, estas consultas são tão dispendiosas que, para muitos portugueses, tratar dos dentes só em última instância. Foi a pensar nisso que a Direção-Geral da Saúde criou o Cheque Dentista. 

Então mas o que é isto? Todas as grávidas têm direito? Não é um direito apenas em vigor para as crianças?

O cheque dentista funciona como um voucher que dá acesso a um conjunto de cuidados ao nível da saúde oral, quer na prevenção, quer no diagnóstico e tratamento. 

Este voucher pode ser utilizado em qualquer parte do país, mas o médico deverá ter aderido ao Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Para saber quais os médicos aderentes, pode consultar a lista no sítio da internet do SNS24.

Todas as grávidas têm direito a 3 cheques dentista, completamente gratuitos e que devem ser utilizados até 60 dias após o parto. 

Não se esqueça que a saúde oral é muito importante e que uma grávida saudável significa um bebé saudável. 

Aposte na sua saúde oral... pelo seu filho!


o pai, a mãe e eu

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Plano de Nascimento

quarta-feira, 11 de março de 2020
O Plano de Nascimento é um documento que expressa as preferências e expetativas da mulher grávida/ casal para o trabalho de parto, parto e pós-parto, contribuindo para uma experiência positiva e humanizada, uma vez que constitui um guia para os profissionais de saúde que a irão assistir. 


A sua elaboração permite à grávida/ casal refletir e tomar consciência das diferentes fases do trabalho de parto e parto e das várias opções que estarão ao seu dispor. A partilha/ realização conjunta permite ao acompanhante conhecer as suas escolhas e preferências e saber como a apoiar quando chegar o grande dia. É um direito da mulher grávida/ casal, que reflete a sua liberdade de escolha (informada) relativamente ao seu projeto de parto e parentalidade, contemplado na legislação portuguesa (Lei n.º 110/ 2019, de 9 de setembro, artigo 15º E). Com este documento, os profissionais de saúde poderão personalizar um momento que é muito especial para os pais: o nascimento do seu bebé. 

Pressupõe ter acesso a informações pertinentes e credíveis, relacionadas com a fisiologia do trabalho de parto e parto e práticas baseadas em evidências científicas atuais, que favorecem o seu bem-estar e do seu bebé. Estas informações poderão ser obtidas nas consultas de vigilância pré-natal/ cursos de preparação para o nascimento e parentalidade e fontes bibliográficas fidedignas. O Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstétrica constitui um profissional de referência que a/os poderá apoiar na elaboração deste documento, uma vez que lhe facultará informação credível, de acordo com as suas necessidades individuais/ história clínica, confiança e respeito pelas suas escolhas. 


A altura ideal para elaborar o Plano de Nascimento é entre as 28 e as 32 semanas de gestação. Recomenda-se a visita ao hospital onde pretende que aconteça o nascimento do bebé (na dúvida, agendar visita aos vários hospitais), para poder conhecer as opções que tem ao seu dispor e procedimentos rotineiros utilizados. Este documento poderá ser apresentado no hospital que escolheu para o nascimento para o nascimento do seu bebé, aquando da visita ao mesmo. Algumas instituições hospitalares solicitam que seja entregue a partir das 30 semanas, para ser analisado pela direção clínica. No momento da admissão hospitalar, este documento deve ser entregue e discutido com a equipa, sendo sempre aconselhável a grávida/ acompanhante manterem uma cópia consigo. 

O Plano de Nascimento é um documento flexível, passível de sofrer alterações. Ao vivenciar a experiência de trabalho de parto, nascimento do bebé e pós-parto, no confronto das suas expetativas com a realidade, poderá sentir necessidade de alterar as suas preferências previamente definidas. Por outro lado, existem algumas situações clínicas que poderão justificar a necessidade dos profissionais de saúde seguirem um caminho diferente ao estabelecido previamente, de forma a garantir o seu bem-estar e do bebé. Em caso de dúvida, a grávida/ casal deverá colocar todas as questões que considerar pertinentes. 

Este documento deve ser claro, conciso e conter toda a informação que considere pertinente, idealmente não ocupar mais do que uma página A4 para facilitar a sua leitura (em forma de tabela, tópicos, ...). Também poderá ser transmitido oralmente à equipa de profissionais de saúde. 


Alguns exemplos de tópicos que o Plano de Nascimento pode incluir, de acordo com as suas preferências:
  • início espontâneo das contrações;
  • respeito pelos tempos de nascimento;
  • ambiente e espaço físico, por exemplo, luzes baixas música ambiente escolhida pela parturiente/ casal;
  • acompanhante(s) durante o trabalho de parto e parto;
  • métodos de alívio da dor, não farmacológicos/ farmacológicos;
  • liberdade de movimentos durante o trabalho de parto;
  • tipo de monitorização do bem-estar do bebé;
  • posição para o nascimento do bebé;
  • corte tardio do cordão umbilical por pessoa significativa;
  • apoio no aleitamento materno;
  • alojamento conjunto mãe-bebé;
  • primeiro banho;
  • ...
Mesmo perante uma cesariana programada previamente, continua a ser recomendável a elaboração do Plano de Nascimento, como forma de personalizar o momento e promover o bem-estar emocional da mulher, podendo incluir-se:
  • acompanhante;
  • solicitar descrição de todo o procedimento;
  • corte tardio do cordão umbilical;
  • contacto pele com pele;
  • música durante a cirurgia;
  • ...



Cláudia Cardoso
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O Pai, a Mãe e o Vicente - O CrossFit e o pós-parto

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
Olá. Eu sou a Fábia, coach do CrossFit Leiria e mamã de primeira viagem. Estou aqui para falar um pouco sobre a vida pós-parto e o CrossFit. 

Todas as mulheres são reais e depois do parto colocamos tudo em causa, nomeadamente se estamos preparadas para esta realidade, se conseguimos estar a 100% para o nosso bebé, se sabemos lidar com a amamentação, se temos em conta todos os cuidados diários deste e ainda com a nossa recuperação. 

No meu caso, a primeira semana foi a mais difícil, apesar de ter o melhor do Mundo nos braços. A "subida" do leite, amamentar em livre demanda e as noites em branco fizeram parte desta aventura. 

Todavia, a família concordou em ter visitas desde o primeiro dia, pois eu sentia-me bem (tive a sorte de recuperar rápido do parto) e a companhia da família e amigos fazia-nos bem. Ajudava a aliviar a pressão, os medos e as inseguranças. 


Penso que é nesta altura que mais importa a união familiar. Isto porque, com o nascimento do bebé, as mães tendem a ter menos atenção por parte da família e amigos, em detrimento do bebé. E, de facto, é neste momento que as mães mais precisam de atenção e carinho. 

Por outro lado, até para nós o bebé vem sempre em primeiro, o que faz com que acabemos por esquecer-nos de nós próprias. Por isso, é importante pedir ajuda quando nos sentimos esgotadas física e psicologicamente. E é aqui que entra o CrossFit! No meu caso, faz parte da minha profissão e do meu estilo de vida, acabando por ter sido uma lufada de ar fresco na minha recuperação e manutenção da saúde mental. 

Não existe um momento ideal para retomar os treinos após ser mamã. Cada caso é um caso e o mais importante é saber ouvir o seu corpo. 


Então, quando iniciar a atividade física de acordo com a Medicina?

O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda que as recém mamãs comecem a praticar exercício físico logo que seja seguro em termos físicos e médicos. Tratando-se de um parto normal, geralmente tem indicação para iniciar o exercício físico 4 a 6 semanas após o parto (após a consulta de revisão do puerpério). No caso de cesariana, poderá levar um pouco mais de tempo. No meu caso pessoal, iniciei a atividade física ao fim de 2 semanas de pós-parto, por indicação da médica. 

Após termos sido Mães, o corpo tem de ser, acima de tudo, funcional. Por isso aos poucos comecei a tirar um tempinho para mim e voltar à rotina. 

Nas primeiras semanas iniciei com a avaliação da diástase abdominal e exercícios de fortalecimento do pavimento pélvico (para diminuir a probabilidade de incontinência urinária), pois este fica fraco, flexível e sem apoio devido ao efeito combinado de gravidez, parto, diminuição de estrogénio (durante a amamentação) e fadiga física. Ainda exercícios de respiração hipopressiva pós-parto (ativação dos músculos profundos que vão reforçar todo o core), reforço muscular e exercícios focados na postura.

No início é importante ser cautelosa devido às mudanças ocorridas, tanto pela gravidez, como pelo parto. Estas alterações requerem tempo e dedicação para que tudo volte ao funcionamento "normal".

Na terceira semana, voltei aos treinos de CrossFit sem deixar de dar importância aos exercícios iniciais. Eu estava muito contente por voltar à box, mas senti que a cabeça tinha um ritmo e o corpo respondia de forma completamente diferente. O que é normal, por isso tive de adaptar alguns exercícios e dar prevalência à baixa intensidade e impacto.

No entanto, lembro-me que ir treinar me deixava bastante contente, menos ansiosa e quando terminava o treino era uma sensação fantástica de "ar fresco" e bem-estar!

Aos poucos, o meu corpo foi recuperando a memória, fui recuperando a força, conseguindo recuperar as habilidades anteriores. A parte mais difícil foi a da musculatura do core, que foi sendo "acordada", recebendo estímulo e recuperando a sua funcionalidade aos poucos.

Passo a enumerar alguns benefícios dos treinos de CrossFit após a consulta de revisão do puerpério:

  • correção postural;
  • redução do stress;
  • melhoria da qualidade do sono;
  • aumento da autoestima;
  • redução de problemas de incontinência, sendo para isso necessário o acompanhamento de profissionais especializados para tal;
  • aumento da energia;
  • socialização;
  • bem-estar e melhoria do humor;
  • redução da fadiga;
  • ganhos de força e da funcionalidade corporal;
  • ganhos na mobilidade;
  • perda de peso;
  • alimentação vs treino vs amamentação;
  • reforço do core.
O CrossFit ajuda ainda nas tarefas diárias com o bebé. Estamos melhor preparadas para transportar o Sistema de Retenção ("ovinho") e subir escadas com ele, transportando também as malas/ sacos; passar horas com o bebé ao colo; dar banho e trocar a fralda/ vestir; dar de mamar sem muito desconforto e até mentalmente sentimo-nos mais preparadas para os desafios do dia-a-dia e para o desconhecido. 


Em relação ao treino, desaconselho nos primeiros três/ seis meses (dependendo de cada situação) exercícios de impacto como corrida, saltos, abdominais crunch e todo o tipo de pranchas em que haja a contração do músculo reto abdominal. Isto porque irá promover ou aumentar a sua diástase (separação da linha alba). Evite também dobrar o tronco pela cintura, agachar ou suportar cargas superiores a metade do seu peso corporal. Desta forma, estará a dar conforto às articulações e descanso à coluna que estiveram em sobrecarga nos últimos meses. 

Resumindo...

Mamãs, pensem em vós não só como mães, mas também como mulheres. Procurem uma atividade que vos faça bem e traga felicidade. 

O CrossFit pode ser uma ótima escolha!! Como apaixonada pela modalidade, posso dizer que traz benefícios não só para a vossa saúde, como também para a vossa vida. Se ainda não encontraram algo que vos motive, dêem uma oportunidade ao CrossFit. Com toda a certeza irão apaixonar-se por esta comunidade, por tudo o que ela pode fazer por vós e pela vossa família. 



Fábia Velosa
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Pilates Clínico e a dor lombar na grávida

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
A dor lombar é um das queixas mais frequentes nas grávidas devido às alterações hormonais e biomecânicas que ocorrem nesta fase. E, além da limitação funcional que representa, dependendo da sua intensidade e duração, pode levar a outras queixas como insónias e depressão. 

Esta queixa pode ser prévia ou ocorrer apenas aquando da gravidez e segundo vários estudos estima-se que entre 50% a 93% das grávidas sofram de dor lombar. 


Vários estudos referem que o exercício físico regular e de baixa intensidade, se for autorizado pelo seu médico, além de ser seguro para a gestante e para o feto, pode ajudar a prevenir e a diminuir as queixas lombares. O método de Pilates é uma modalidade de baixa intensidade que procura fortalecer os músculos profundos da coluna, bem como melhorar o equilíbrio e trabalhar a mobilidade articular, sempre de modo fluido e acompanhado do controlo da respiração. 

Foi demonstrado, num grupo de grávidas no terceiro trimestre da gravidez, que os exercícios de Pilates, realizados uma vez por semana, durante oito semanas, foram mais eficazes na redução da intensidade de dor lombar, do que outro tipo de exercício. 

Além de prevenir o aparecimento de dor lombar, o Pilates Clínico, devidamente orientado por um profissional qualificado, é uma excelente forma de melhorar a postura, manter ou aumentar a força muscular, dar mobilidade ao seu corpo e aumentar a sua sensação de bem-estar durante este período tão especial. 



Inês Azevedo Fraga
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A osteopatia e a mulher grávida

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
Durante a gravidez, o corpo vai sofrer várias alterações (físicas, biológicas e emocionais) e a mulher vai ter que se adaptar. Muitas vezes, estas mudanças provocam dores e desconfortos a nível articular, digestivo e respiratório. 

O osteopata com a sua abordagem global, vai fazer com que os desconfortos diminuam e levar a mulher a viver a gestação serenamente. 

No entanto, é importante salientar que a osteopatia não substitui um seguimento obstétrico convencional.


Quais os benefícios de uma consulta com um osteopata?

A consulta num osteopata durante o primeiro trimestre da gravidez pode ajudar com as náuseas, vómitos, distúrbios do trânsito intestinal, lombalgia e irritabilidade, que podem acontecer nos três primeiros meses. 

Durante o segundo trimestre, o útero vai aumentar de tamanho e vai mudar a posição dos órgãos do abdómen. Pode provocar uma diminuição da mobilidade diafragmática. Dores lombares podem também aparecer, devido ao aumento de peso, à posição do bebé e à mudança dos tecidos. A dor ciática também é comum durante a gravidez.

Trabalhar na mobilidade da bacia, da coluna e do abdómen vai ajudar a tratar esses desconfortos, no sentido de melhorar o dia-a-dia das futuras mães. 

No fim da gestação, a osteopatia ajuda a viver serenamente as últimas semanas, antes da chegada do bebé. Pode ajudar nas pernas pesadas, distúrbios circulatórios, dores lombares e/ ou cervicais e contribui na preparação para o parto. 


Como vai decorrer a consulta?

O tratamento osteopático da mulher grávida respeita o princípio da globalidade e da unidade do corpo. 

O objetivo do osteopata é equilibrar as mudanças morfológicas e as consequências viscerais, articulares e funcionais. Ele trabalha nos órgãos internos (estômago, fígado, ...), na estrutura óssea (coluna, bacia, ...), na estrutura muscular (a nível da bacia, como por exemplo, o psoas, o piramidal ou o períneo) e na circulação. 

Durante a consulta , ele garante que a fisiologia da mulher grávida se adapta às exigências da gestação. 

As técnicas usadas são suaves e adaptadas a cada paciente. A globalidade das técnicas destinam-se a aliviar os sintomas da gravidez e otimizar a preparação para o parto. Todas as técnicas limitam-se à manipulação do corpo. 


Intervenção osteopática no pós-natal

A osteopatia é aconselhada nas semanas a seguir ao parto, pois favorece a recuperação e alivia as dores que ainda possam existem. Dores ao nível do cóccix, da bacia, alguns distúrbios a nível intestinal, cefaleias ou estado de tensão ao nível das meninges, devido à epidural. 



Elodie Coget
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EneaBirth Coaching - Renascer para a melhor versão de ti mesma

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
Cada vez mais tomo consciência do que ser Mãe faz connosco. 

Ser Mãe traz-nos a possibilidade brutal de nos transformarmos na nossa maior potencialidade. Permite-nos olhar verdadeiramente para o nosso interior, para o nosso Eu real. Ser Mãe destrói para voltar a construir. Parte barreiras, destrói crenças, coloca em causa valores. Ser Mãe despe-nos... deixa-nos nuas na nossa vulnerabilidade, despe-nos de conceitos, de máscaras, de superficialidades. Deixa-nos tão despidas, que para nos voltarmos a vestir precisamos conhecer o nosso corpo, a nossa alma, a nossa essência. Até lá, é um mergulhar nas nossas águas mais profundas. É andar enroladas nas ondas, a tentar sobreviver e sem nos afogarmos em desespero, em solidão, em sentir que não sabemos mais onde pertencemos. 


Ser Mãe é, assim, a oportunidade de Renascer, de nos descobrirmos, de ser quem realmente somos e quem realmente queremos ser. Tornarmo-nos Mães implica ficarmos inseguras e perdidas. Significa ser vulnerável, chorar, rir, fugir... para que daí possa renascer o nosso verdadeiro eu!!!

Ninguém nos avisa que vamos ter a maior transformação da nossa vida, que vamos morrer e renascer, que vamos mudar de identidade!!

Quando engravidei, vivi a plena dualidade da gravidez: ao mesmo tempo que era uma mulher mega feliz, era também uma menina assustada, cheia de medos e inseguranças que não sabia se estava preparadas para o que aí vinha. 

Posso dizer que a minha gravidez refletiu perfeitamente o turbilhão que eu vivia emocionalmente. Acho que não houve incómodos e sensações próprios da gestação que eu não tenha tido ou sentido. 

Quando a minha filha nasceu, achava que ia ficar tudo bem, que ia ser a mulher mais feliz do mundo, mas afinal a viagem não tinha terminado. Tinha entrado numa montanha russa que nem a meio caminho estava. Sentia-me ainda mais sozinha, confusa e perdida algures entre a pessoa que eu era antes e a pessoa que era "agora". Passei por Baby Blues e Depressão Pós-Parto.

A maternidade levou-me assim para a frente de um espelho gigante onde fui obrigada a olhar para a minha verdade crua e dura. Estava finalmente frente-a-frente com a minha sombra, a minha luz, os meus maiores medos, as minhas maiores fragilidades. Iniciei assim uma jornada profunda de aprendizagem sobre mim mesma e sobre o mundo.

Isso fez-me buscar informação e querer perceber o que se passava comigo (connosco). Percebi que muitas Mães se sentem assim: perdidas, "loucas", sozinhas, mas têm vergonha de falar, porque a nuvem que paira no ar da sociedade é que ter um filho é o melhor do mundo, o momento mais mágico das nossas vidas e não podemos sair desse padrão de perfeição. 

Hoje sei que não sou "louca" e advogo por uma maternidade real e imperfeita, onde cada mulher e casal encontra a sua forma de Maternar!

Ter passado, também eu, pela sombra da maternidade, fez-me querer desenvolver um método que apoiasse outras Mães e casais a restaurar a sua energia, a reconetarem-se com o seu corpo e a resgatarem o seu sentido de Identidade para que possam desfrutar em Honestidade, Amor e Harmonia o maravilhoso mundo da Maternidade. 


Nasce assim o EneaBirth Coaching, o método desenvolvido por mim que une a sabedoria ancestral do Eneagrama, o Coach Transformacional, a profissão de Doula e a minha própria experiência da maternidade. É um programa único e exclusivo de Coach de Nascimento em Eneagrama, que apoia Mães e casais a ultrapassarem os desafios da Gravidez e do Pós-Parto. 

A gravidez e a chegada de um bebé compreende uma das fases mais transformadoras da vida humana. É o ponto de partida e chegada de uma mudança substancial: física, emocional, mental e espiritual. Esquecemo-nos, muitas vezes, que esta é uma experiência complexa, desafiante e única. Ao longo e através da maternidade, o ser humano é convidado a reconetar-se com a sua capacidade e compromisso do EU.

"Pode ser que uma mulher passe por tudo isso de uma forma anestesiada, mas é uma pena, porque é uma experiência tão maravilhosa, é uma viagem tão incrível quando a mulher se consegue entregar a essa fusão com esse bebê e poder produzir para ela mesma, uma expansão da sua consciência."
(Alexandre Amaral, Psicólogo, Membro do Instituto Aripe)

Com o método EneaBirth és convidada(o) a ampliar a tua consciência de ti. Potenciamos esta transformação que já se dá por si só, para que possas passar por ela "acordada", consciente e possas reconstruir a tua nova identidade. 

Existem 2 programas:
  • EneaBirth Pregnancy - ajuda-te a ultrapassar os desafios da maternidade, a equipares-te com o auto-conhecimento, a tranquilidade e a alegria necessárias para renasceres junto com o teu bebé, em verdade e integridade. 
  • EneaBirth PostPartum - 9 passos para um Pós-Parto transformador - onde caminhamos com a ajuda do Eneagrama por esta fase transformadora e desafiante, para que possas reconhecer-te, recuperar o encantamento e a alegria pela vida e pelo teu papel de Mãe, ao mesmo tempo que RENASCES PARA O MELHOR DE TI. 
Hoje em dia, aspiro ser a voz do renascimento de todas as Mães, Pais e casais que encontram nos desafios da maternidade a razão certa para se encontrarem e se transformarem em seres humanos mais felizes e íntegros. 


Acredito que o meu trabalho contribui para a felicidade, bem-estar e sucesso, a todos os níveis, de muitas Mães/ casais. 

Acredito que ajudando alguém a conhecer-se melhor, a aceitar-se sem culpas e sem tabus, a compreender-se e a sentir-se mais estável emocionalmente, influenciará tudo à sua volta. 



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Endometriose

quarta-feira, 20 de novembro de 2019
A endometriose afeta cerca de 10 a 15% das mulheres em idade fértil. Caracteriza-se pela presença de tecido foro do útero que deveria estar localizado dentro do útero (endometrial). Esta localização pode ser nos órgãos ou áreas em redor do útero, como ovário, peritoneu, fundo-saco, colo do útero ou vagina ou em localizações à distância, como por exemplo pulmão, umbigo ou cicatrizes. 


Apesar de se tratar de uma doença benigna, pode ter impactos tremendos na qualidade de vida das doentes, com implicações a nível pessoal, social e familiar. Isto porque a sintomatologia pode ser tão incapacitante, que motiva ao planeamento dos dias em que a dor será mais intensa. A etiologia é desconhecida, existem algumas teorias, mas nenhuma delas explica totalmente a doença. 


E que sintomas incapacitantes são estes?

A DOR é o sintoma dominante. Esta dor pode manifestar-se durante a menstruação, tratando-se de uma dor tipo cólica, de agravamento progressivo - dismenorreia secundária, sendo este tipo de dor o mais prevalente. Pode também existir dor nas relações sexuais, dor a evacuar ou urinar ou mesmo dor pélvica crónica. 


A Infertilidade está sempre associada à endometriose?

Endometriose não é igual a infertilidade. No entanto, sabe-se que cerca de 30% das mulheres com endometriose têm infertilidade e que, das mulheres com infertilidade, cerca de 25 a 50% têm endometriose. Para a suspeição deste diagnóstico é fundamental uma história clínica completa e orientada à caracterização das queixas. É importante um exame objetivo atento e também direcionado à avaliação/ inspeção e palpação de algumas localizações específicas, como por exemplo o fundo saco posterior. Os exames complementares de diagnóstico, como a ecografia e a ressonância pélvica também podem ajudar e por vezes são necessários mais exames para avaliar os órgãos envolventes. O tratamento vai ser individualizado, mediante os achados, as queixas e os objetivos de cada mulher. Poderá passar pela terapêutica médica, essencialmente com tratamento hormonal até à cirurgia. A endometriose é muitas vezes subdiagnosticada, existindo frequentemente um atraso no diagnóstico. Tem um impacto importante na qualidade de vida das mulheres e por isso temos de, sem dúvida, valorizar as queixas de dor... porque todos merecemos viver sem dor!




Patrícia Isidro Amaral
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Gravidez e parentalidade no Masculino

quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Introdução:

Ao falarmos sobre gravidez e parentalidade no masculino, consideramos que estão envolvidas variáveis de ordem cultural, social e psicológicas bem como que, também para os homens, há uma série de exigências às quais terão que se ajustar. 

A forma como cada homem vai vivenciar a gravidez e a paternidade depende, portanto, de vários aspectos aos quais não são alheios também a oportunidade da gravidez e a qualidade da relação conjugal. 


Não podemos esquecer que para lidar com todos os momentos exigentes da vida é fundamental a forma como se estruturou a personalidade. É daqui que surge a base mais ou menos estruturada para se lidar com as transformações, os conflitos e ambivalências inerentes à gravidez e à parentalidade nos homens e nas mulheres.

É importante que tenha havido uma infância suficientemente satisfatória que permita confiar, estabelecer compromissos e ter uma boa capacidade de contenção. É fundamental saber gerir invejas e raivas, bem como, especificamente para o homem, é importante ainda ter esclarecidas as questões de masculinidade, lidar ajustadamente com os aspetos femininos e masculinos da sua personalidade e ter em conta a qualidade da relação com o próprio pai (J.R. Leff 1991, 2001).

Portanto, o que sabemos é que durante a gravidez, também o homem:

  • reavalia o seu passado como criança;
  • reavalia o ter sido filho dos seus pais;
  • põe em causa a sua capacidade de ser pai;
  • vive um turbilhão de emoções;
  • vive a expetativa de novas situações.


Diferentes tipos de pai:

Concordamos com Leff (2001) que considera poder falar-se de três tipos de pai, de acordo com a forma como vivem a experiência da paternidade: 
  • Pai participante: É aquele que apresenta uma identidade de género flexível e segura, permitindo-se dar espaço aos seus núcleos femininos/ maternos, sem se sentir ameaçado na sua masculinidade/ paternidade. Assim, participa na gravidez e nos cuidados ao bebé de forma espontânea e tranquila. 
  • Pai renunciador: Este será o pai que intensifica os atributos masculinos, a identificação com o pai e o poder paternal enquanto reforçadores da sua virilidade, tendo alguma dificuldade em lidar com as suas zonas mais femininas, relacionadas com o materno. Este pai, terá alguma dificuldade na empatia com a experiência interior da mulher grávida/ mãe, sendo o seu orgulha na gravidez o que se relaciona com a confirmação da sua virilidade. Claramente considera que a gravidez e cuidados relacionados são assunto de mulheres. 
  • Pai recíproco: Este pai tem uma vivência intermédia. Oscila entre as caraterísticas dos dois grupos anteriores. Apresenta sentimentos mistos sobre a gravidez, parto e cuidados ao bebé; sente a diferença biológica em relação à mulher e assume essa diferença. Este pai vivenciará a paternidade com ambivalência e reflexão e irá integrá-la de acordo com o modo como for gerindo a sua experiência e também de acordo com o modo como a mulher o for executando. 
Atualmente, os homens podem vivenciar a experiência de paternidade a dois níveis: um relativo à relação com o contexto físico e psicológico da mulher grávida e o outro referente à sua própria experiência de homem expetante para o qual contribuem o momento sociocultural atual, a sua história pessoal, as suas caraterísticas de personalidade, a sua relação com a mulher e os seu desejo de ser pai.  


É certo que podem experimentar uma elaboração de paternidade que lhes permite estar em contacto com a parte feminina e materna da sua personalidade (Leff, 2001; Clereget, 1980), bem como reconhecerem-se como sensíveis e afetuosos sem que isso ponha em causa a sua masculinidade e ainda viver o processo enquadrados no atual momento social e cultural que lhes dá espaço para expressão de emoções e expetativas (Correia, 2004). 


Homem grávido:

Esta expressão obviamente que é usada há pouco tempo e surge quando queremos referir-nos a um homem que vive a gravidez com um compromisso emocional e psicológico marcado e com alguma identificação à mulher grávida. 

Alguns autores consideram mesmo que estes homens vivem a gravidez num processo de fases de desenvolvimento psicológico, tal como na mulher. 

Habitualmente, nestes casos, vivem a gravidez observando o corpo da mulher em transformação, sentindo como agradável a realidade de tocar na barriga e sentir o feto a mexer, participando nas consultas de gravidez e na preparação para o parto, aproveitando a ecografia para visualizar o feto e sentir novas emoções, vivenciando um imaginário de expetante e futuro pai, projetando no casal os projetos de parentalidade, participando e colaborando no trabalho de parto e partilhando os cuidados ao filho. 


Concluindo:

Estamos longe do tempo em que o homem/ pai aparecia unicamente como uma figura de autoridade, a responsável pelas gestões económica, dos bens, do mundo exterior da criança e da família enquanto à mulher/ mãe cabiam os cuidados domésticos, os cuidados afetivos e emocionais da criança. 

As transformações económica, social e cultural iniciadas no século passado levaram a que, homens e mulheres, se percebessem mais semelhantes e se permitissem uma gestão da vida doméstica, profissional e consequentemente da parentalidade mais igualitária e partilhada, independentemente do género. 

Assim, no nosso tempo, é possível que homem e mulher possam partilhar o cuidado do bebé (já "in utero"); Badinter (1993) fala-nos de uma Revolução Parental a partir da qual homem e mulher podem vivenciar e repartir a parentalidade de uma forma semelhante, de acordo com as suas caraterísticas/ escolhas/ desejos. 


Maria de Jesus Correia
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A maternidade e o mundo moderno

quarta-feira, 18 de setembro de 2019
O processo profundo da maternidade não se encaixa no mundo moderno...

Vivemos hoje num mundo rápido, apressado, stressado, onde nos esquecemos muitas vezes uns dos outros, de estarmos conectados, de parar, observar e estar em presença. 

Vivemos num tempo onde queremos o mais fácil, o mais simples e rápido e de preferência que não dê trabalho. Compramos comida já feita e embalada, legumes lavados, produzimos alimentos com químicos para que cresçam mais rápido, compramos online, etc. Não queremos perder tempo e não queremos demorar muito. O tempo é escasso e a paciência é pouca. 

Deixámos de ter tempo para ESTAR e SER, para partilhar e conversar. Deixámos de saber falar de emoções e vivemos numa época onde a imagem vale tudo. O dia-a-dia é regido maioritariamente por ecrãs e pelo digital. Todos os dias os media e as redes sociais entram-nos pela vista dentro, mostrando mundos perfeitos, patamares aliciantes a atingir, onde nos vendem tudo sem precisarmos de esforço. Alimentamos a competição, o individualismo e o isolamento. 

Vendemo-nos, todos os dias, contos de fada, histórias cor-de-rosa onde, mesmo inconscientemente, todos queremos pertencer em algum momento. Quem não quer sentir-se amado, desejado e aceite? 

Sendo a maternidade um processo intenso, ritualístico e demorado para o qual os livros e as estatísticas não valem de muito na hora "h", como encaixar neste mundo moderno?
  • Como sobreviver no meio disto tudo a uma maternidade/ paternidade onde desejamos calor, entreajuda, presença, conexão e tempo?
  • Como renascermos e aprendermos a ser Pais tendo altos níveis de exigência de performance?
  • Como descobrirmos a nossa forma de maternar no meio de pressões, mil opiniões e verdades absolutas?


Ao longo dos tempos, deixou de se valorizar este fortíssimo processo de transformação, colocando em risco a sanidade mental de toda a Humanidade e das novas gerações, não havendo tempo para viver e para o assimilar. Não há espaço para viver fora dos contos de fadas exigidos, não há tempo para viver a complexidade deste fenómeno e sermos apenas reais...

Como diz o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, do Instituto Aripe, o "pós parto visto como uma fase de 40 dias é um mito criado pela sociedade onde vivemos e que nos "obriga" a regressar à produtividade rapidamente, que nos pressiona a regressarmos à nossa forma física e mental o mais rápido possível, que nos cria inconscientemente a urgência de sermos as mulheres que éramos antes."

Este psicólogo dedicado a este tema tão importante diz: "Essa palavra "puerpério" ainda é uma palavra muito pouco conhecida, muito pouco difundida, no sentido mais profundo que ela tem. Geralmente ela está associada a uma ideia de um pós parto imediato. Puerpério quer dizer um casulo existencial, em que a mulher, o bebê e todos da família, entram numa fase muito maior do que 40 dias. Porque TODOS são recém nascidos nessa época, não só o bebê. Todos renascem para novos papéis familiares e sociais."

Esta é uma viagem de profunda transformação onde precisamos de tempo e apoio prático e emocional para renascermos, para percebermos o que se está a passar connosco e com tudo à nossa volta. 

Já se considera a depressão a doença do século, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 350 milhões de pessoas do mundo sofrem de depressão, o que consiste em 5% da população mundial. Relativamente às mulheres, a depressão pós parto afeta cada 1 em 6 (dados da OMS). Cada vez mais também se assiste a separações dos casais nos primeiros anos de vida de um bebé. 

Acredito plenamente que o nascimento é realmente muito para além do bebé. Quando a minha filha nasceu, o meu marido disse-me algo que nunca mais esqueci: "Agora é que a vida começou".


Quando temos um filho acabou o "faz de conta", de repente tudo o que vivemos até aqui foi apenas um "ensaio" para agora colocar em prática. É um renascimento tão profundo de todos que é tão mágico ao mesmo tempo que temos a sensação que fomos enrolados numa onda e não conseguimos vir ao de cima, uma onda que nos leva e nos arranca de nós. Leva-nos ao limite e coloca-nos em frente a um espelho gigante, onde finalmente nos encontramos connosco mesmas.

Estamos cansadas, o tempo ganhou uma nova dimensõa, temos dores, o nosso corpo transformou-se, temos um ser dependente 24h que não conhecemos, que não fala e não traz livro de instruções. De repente não somos mais só nós, temos a total responsabilidade de um outro Ser e isso é avassalador.

Sentimo-nos exaustas e perdidas... Não sabemos mais quem somos, o que queremos, o que acreditamos. O mundo desmoronou-se e tudo está diferente. E no meio disto tudo, não há tempo.

Não temos tempo nem espaço para entender o que se passa e ninguém parece compreender-nos. Apenas existe um "Agora és mãe!". Deixas de ser a Filipa, a Joana, a Maria, a Raquel, para ser "a Mãe". Desejas mais que nunca ser filha e honrar todas as mulheres. Lembras-te das vezes que ousaste comentar ou opinar sobre alguma Mãe e percebes como não fazias a mínima ideia.

Mas mesmo assim, continuamos neste automatismo e sem falar a verdade, cheias de medo e vergonha de não pertencer ao mundo idealizado que nos impingem.

Não se fala da intensidade, das dificuldades, do tempo que deixa de haver, das dores, das transformações físicas, emocionais e espirituais, das alterações individuais e de casal, dos momentos em que não queremos mais ser mães, dos dias em que choramos, das frustrações que sentimos, da liberdade que deixamos de ter, das noites em que desesperamos sem saber que fazer, dos dias em que nos sentimos sozinhas e incompreendidas, ...

Ao vivermos algo tão intenso não há como não abalar toda a nossa identidade, nos questionarmos e a tudo à nossa volta. Existe agora um mundo e um exemplo para deixar a alguém... Não é possível passar por este "ritual" e continuar igual.

Analisando os Níveis Neurológicos (inspirados na teoria de Gregory Bateson e introduzidos na Programação Neurolinguística por Robert Dilts), uma ferramenta de transformação pessoal que pressupõe que atuamos em 6 níveis neurológicos, camadas essas que compõem o modo como vivemos. Verificamos que as 3 camadas mais altas são o Legado (Missão), a Identidade e as Crenças/ Valores.

Imagem do site "Crie seu destino"

Se quando temos um bebé mexe e abala a nossa Identidade, com o que queremos fazer na vida (Missão), nas nossas crenças e valores, então como não abalar tudo o resto?
  • Como saber quais as nossas capacidades como mães e pais? A direção em que vamos?
  • Como saber quais os comportamentos que queremos assumir como mães e mulheres?
  • Como saber com que pessoas quero despender tempo?
  • Como não sentir que estou desalinhada e desconectada do meu corpo, do meu companheiro e do mundo?
É por isso que é tão intenso, mas tão mágico e acaba sendo o melhor do mundo, no meio de toda a loucura! Dá-nos a oportunidade maravilhosa de Renascer, de viver finalmente a nossa verdade e não a imposta por algo ou alguém. Permite-nos mergulhar fundo, no mais profundo do nosso Ser e tornarmo-nos seres mais felizes e íntegros. Devolve-nos a casa!

Cada vez mais acredito que tudo começa na grande questão: quem sou eu?

Tudo começa nesta descoberta da nossa Identidade. Quando sabemos quem somos, tudo se alinha

Sinto que ao desvalorizarmos este ritual de passagem damos pouco apoio aos pais e às famílias para se redescobrirem, compreendemos pouco, não damos tempo e exigimos. É aqui que as mães se perdem cada vez mais, que esquecem a mulher que também são, que pais se esgotam e famílias se desmoronam. 

  • Podemos mudar esta intensa transformação? Talvez não! Talvez esse seja o processo. Talvez seja por isso que somos seres para procriar, para que possamos evoluir, questionar o mundo e fazer acontecer. Como Brené Brown diz no seu comentário sobre vulnerabilidade: "There is no courage without vulnerability". Na maternidade abrimos portais, abrimos o nosso coração e a nossa vulnerabilidade, permitimos finalmente "despir-nos" e deixar que nos vejam, que nos olhem, que nos abracem. Este amor infindável que sentimos, faz-nos caminhar mais próximos de nós mesmos e transformar o mundo.

  • Mas podemos ter um mundo menos apressado, menos exigente. Um mundo onde damos o tempo e apoio necessários às mães, que elas merecem e precisam para renascer, para se recomporem de terem gerado Vida. De as mimar, de as ouvir, de não exigir perfeição, de lhes falar que não estão loucas e que está tudo bem. De lhes dar colo e atenção. De as deixar fazer o papel delas, de devolver amor e compaixão à humanidade e que tanto precisamos. De as deixar chorar, rir, gritar, de as deixar conhecerem os seus bebés e de se reconhecerem a si mesmas. 
Mães e pais estruturados e emocionalmente estáveis, têm bebés mais felizes e renascimentos mais positivos.

Acredito nisto profundamente e esse é o meu contributo para o mundo como Doula, Coach Transformacional, Bodyworker, Mãe e Mulher. Hoje em dia aspiro a ser a voz do renascimento de todas as mães, pais e casais que encontram nos desafios da maternidade a razão certa para se encontrarem e se transformarem em Seres Humanos mais felizes e íntegros.




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O caminho desconhecido do pós parto...

quarta-feira, 26 de junho de 2019
Falamos tantas vezes nos cuidados a ter antes de engravidar e durante a gravidez e do que esperar nas várias fases da mesma... mas... e no pós parto??!! O que devemos esperar do pós parto?


É muito variável e ouvimos algumas mães dizerem que a partir da primeira semana o bebé já dorme cinco horas seguidas durante a noite, mas muitas mães vivem a realidade do bebé acordar de duas em duas horas e entre dar de mamar, pôr a arrotar, mudar a fralda e voltar a adormecer... voilá!!! Está na hora de dar de mamar outra vez!!

Muitas são as mães que na consulta após o parto referem frases como: "ninguém me tinha avisado que seria assim!" ou "não estava preparada para isto." É verdade que as primeiras semanas são, na maioria das vezes, muito duras... e apesar de sentirmos que estamos a chegar ao limite das nossas forças, nós conseguimos!

O puerpério, ou seja, o período que se segue após o parto, por definição, tem uma duração de 6 semanas. As alterações fisiológicas durante este período ocorrem ao nível de vários órgãos e sistemas. Um deles é o útero, que irá progressivamente involuir à custa de contrações que podem ser percecionadas como dor, principalmente durante a amamentação onde existe uma maior libertação de ocitocina, proporcionando a saída do leite e a contração uterina. 


Durante o puerpério, a perda de sangue por via vaginal, a que chamamos lóquis, pode durar cerca de cinco a seis semanas, e as suas características vão-se alterando ao longo do tempo. Nos primeiros dias pós parto, os lóquios são mais vermelhos (Lochia Rubra), a partir do quinto dia tornam-se mais acastanhados e aquosos (Lochia Serosa) e após o décimo dia adquirem uma coloração amarelada com um aspeto mais espesso (Lochia Alba).

No caso de parto vaginal e de ter sido necessário realizar o corte (episiotomia) ou de ter ocorrido alguma rasgadura (laceração) com necessidade de pontos, habitualmente o fio utilizado é um fio de reabsorção rápida, em que os pontos caem sozinhos a partir dos sete dias após o parto. A partir dessa altura também poderão ser removidos se ainda não tiverem caído, em caso de desconforto.

A higiene deverá ser realizada externamente utilizando um produto de higiene íntima adequado e, para secar, deverá ser utilizada uma toalha que pode tocar sem esfregar, ou utilizar vento frio do secador de cabelo.

E em relação ao leite materno? O que esperar? No pós parto, a primeira secreção mamilar é chamada de colostro, estando presenjte habitualmente até ao 3º dia pós parto. O colostro é rico em proteínas e imunoglobulinas que conferem proteção ao recém-nascido. Após a transição para a produção de leite materno, este é rico em água, hidratos de carbono, gordura, proteínas e minerais, tendo também na sua constituição imunoglobulinas e algum ferro. A sua produção é estimulada pela sucção do bebé ou pela sua remoção por bomba.

A subida do leite pode ser bastante dolorosa, mas é um período transitório, até a mama passar a produzir a quantidade adequada às necessidades do bebé.

Se a mulher se sentir bem, a partir das quatro semanas após o parto, pode ser retomada a vida sexual. Principalmente nas mulheres que estão a amamentar, devido ao hipoestrogenismo (níveis de estrogénio mais baixos), a mulher poderá sentir uma secura vaginal marcada durante as relações, pelo que a utilização de lubrificante poderá ajudar.



Apesar de nas primeiras semanas de pós parto, o cansaço e a exaustão, as fraldas, as chuchas, o leite, os cocós e os chichis, as cólicas e o choro dominarem as 24h do dia, o retorno que vem a seguir é tão grande que tudo vale a pena! E para a vida toda...



Patrícia Isidro Amaral
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Preparar a Parentalidade: Quando e Como?

quarta-feira, 10 de abril de 2019
A preparação para a parentalidade deverá começar antes da chegada de uma gravidez. Idealmente deverá iniciar-se com uma reflexão individual sobre qual o significado pessoal do que é ser mãe e ser pai e qual o significado pessoal do que é ter um filho.

Podem colocar-se questões do tipo: Quero ou não ter filhos? O que é para mim ser mãe/ pai? Porque faz sentido ser mãe/ pai? Será porque a sociedade pressiona? Será porque o meu (minha) companheiro (a) quer? Será só porque sim ou porque é suposto? ...


Alguns dos motivos para se ter filhos podem ser, por exemplo:

  • Realização pessoal: sonhar que uma criança complementa o universo familiar;
  • Gostar de crianças e querer cuidá-las;
  • Religião: o sexo com a função de procriação;
  • A visão da Mãe com o amor incondicional: modelo de comportamento admirado e idealizado;
  • Medo do futuro; arrependimento, ter alguém que possa ser cuidador;
  • Valores morais e éticos: segundo o modelo considerado adequado pela sociedade, a vida só teria sentido quando se cria uma família com filhos;
  • Realizar-se por meio dos sucessores: querer dar aos filhos o que não teve ou ganhou dos pais, assim como projetar expetativas e sonhos não realizados numa criança;
  • Projeto para a vida: ser bem-sucedido profissionalmente, comprar um apartamento e tornar-se Pai ou Mãe. (Há casais que planeiam todos os detalhes do futuro, incluindo o projeto de ter filhos, ...)
  • Simplesmente querer: há pessoas que nunca pensaram na hipótese de viver sem ter filhos e, desde pequenas, sabem que um dia os querem ter. (Necessidade biológica e/ ou psicológica.)
Alguns motivos para não se ter filhos são, por exemplo:
  • Simplesmente não querer;
  • Querer viver em função de si próprio;
  • Não estar disponível para mudanças e novas rotinas;
  • Querer atenção exclusiva do (a) companheiro (a): há casais que sentem dificuldade em dividir o amor com outro, mesmo que seja com um filho;
  • Querer evitar erros do passado: "Pessoas traumatizadas pela separação conjugal dos pais querem que os possíveis filhos não venham a sofrer desilusões como as que passaram";
  • Ter medos físicos da dor associada ao processo;
  • Temer não ser um bom Pai ou Mãe;
  • Priorizar a carreira;
  • Não gostar de crianças e como tal não se imaginar cuidador (a);
  • Não querer a perda de liberdade.

Não importa qual a decisão tomada nesta matéria. Não é por aqui que se define a qualidade das pessoas. O importante é que a decisão de ter ou não ter filhos seja em função daquilo que se sente e deseja profundamente. Está é a primeira premissa para a preparação para a parentalidade. 


Genericamente podemos considerar a existência de três momentos chave para esta preparação: 

1. Antes de uma gravidez: este seria o momento ideal; que a gravidez decorresse de um desejo refletido e amadurecido e que o seu aparecimento permitisse uma continuação coerente e consistente da preparação para se ser Pai/ Mãe. 

2. Na gravidez:
  • na comunidade do tal desejo/ planeamento prévio ou, 
  • quando esta não foi planeada naquele momento da vida (preparação por vezes bem mais exigente). 

3. Sempre, desde que se têm filhos, porque a cada etapa do seu desenvolviemnto é necessário ajuste e adaptação.

Muitas vezes, quando se pensa na preparação para a chegada de um filho, pensa-se no enxoval do recém-nascido, no quarto, no berço, na roupa e nos outros objetos materiais que precisam estar disponíveis. 

Menos vezes se pensa em ser pais preparados para criar e educar uma criança num ambiente emocionalmente gratificante e estável. 

É mais importante uma compreensão de si mesmo, uma consciência de si próprio e das suas características, uma consciência do seu equilíbrio emocional... Se vamos criar/ educar uma nova pessoa, devemos saber em que condições nos encontramos, em que fase do nosso processo de formação e desenvolvimento estamos e o que precisamos melhorar. 

Não podemos esquecer, NUNCA, que o bem-estar emocional dos pais leva à SAÚDE MENTAL dos filhos.


Preparar a parentalidade antes da gravidez remete-nos para o planeamento familiar (PF). 

O PF é o direito que se tem de decidir se se quer ter filhos, quando se quer tê-los e quantos filhos se quer ter (o Estado deve ser responsável por garantir informações de fácil acesso, apoio, educação, métodos contracetivos e consultas médicas à família). 

Se a decisão for avançar para a parentalidade, o PF ajuda a refletir e dialogar no casal sobre as responsabilidades de cada um antes, durante e após a chegada do filho. 

O planeamento de uma gravidez deverá permitir ao casal ir progressivamente interiorizando e amadurecendo o papel que os espera (refletir e falar abertamente sobre as suas dúvidas, receios e medos - normais), com a noção de que a parentalidade lhes vai exigir disponibilidade e resistência psicológica (e não só económica). 

Por vezes, é inexistente um planeamento psicológico da gravidez ajustado (exp.: ocorrência de uma gravidez inesperada e inconsequente, a decisão num período de vida errado, como por exemplo, numa fase de luto). Estamos no terreno das gravidezes em situação de risco psicológico onde pode ser importante uma ajuda psicoterapêutica. 

A este propósito diz-nos Eduardo Sá, em 2017: "Importa evitar uma «gravidez na barriga» que se desencontra da «gravidez no pensamento»."

Preparar a parentalidade na gravidez pode acontecer na continuidade do projeto parental prévio, onde o desejo de gravidez decorre amadurecido e refletido como vimos atrás. Mas, se a gravidez não foi planeada (ou foi de forma pouco consistente), o desafio desta preparação é maior e com mais possibilidade de risco psicológico. 

Poderão viver-se momentos sensíveis, a partir dos quais se pode desenvolver um trabalho terapêutico no contexto multidisciplinar através de consultas pré-natais, concorrendo para a consolidação dos processos de gravidez e consequente parentalidade. 


Caberá aos profissionais estarem atentos à disponibilidade dos pais para a parentalidade, observando igualmente a qualidade da relação do casal e a forma como cada um deles vivencia este processo. Desta atenção decorre, para além da vigilância obstétrica:

  •  Informar sobre as alterações e fragilidade normais de uma gravidez (na mulher, no homem e no casal);
  • Valorizar a comunicação entre eles e com os profissionais disponíveis;
  • Facilitar a presença do companheiro, sempre que o casal solicite (em caso de exames e consultas pré-natais). 
  • Introduzir o bebé - referir (qb) a importância de ambos comunicarem com o bebé in utero (acariciar, conversar, imaginar);
  • Incentivar a presença em cursos de preparação para o parto; 
  • Dinamizar visitas à maternidade;
  • Divulgar informação escrita concisa e atraente sobre apoios familiares, aspetos pediátricos, psicológicos, jurídicos... antes do nascimentos obstétrico do bebé;
  • Informar sobre as características e exigências do parto e do puerpério (principalmente quando não frequentam os cursos de preparação para o nascimento);
  • Alertar para as alterações normais do pós-parto e para os fatores de risco para a depressão pós-parto;
  • Alertar para que é comum que o Pai se sinta excluído e inseguro (podendo inclusive desenvolver também ele uma depressão pós-parto);
  • Mostrar disponibilidade para esclarecer/ clarificar/ apoiar na nova fase e nos desafios da parentalidade;
  • Alertar para que atualmente há muita literatura que pode facilitar o processo, mas também que entre a teoria e a prática há algumas diferenças;
  • Tranquilizar relativamente à importância do bom-senso, do processo de aprendizagem e do autoconhecimento que decorre deste mesmo processo. 

Importa ainda alertar para o super desafio: conciliar individualidade - conjugalidade - parentalidade.

Gostaria de terminar com algumas frases que ajudam a destruir mitos em torno da parentalidade e alertar para a importância do recurso a equipas de especialistas que podem ajudar, se necessário, a tornar mais prazerosa a preparação e a vivência da parentalidade:

  • Nem todas os casais que ficam grávidos planeiam ser Mães/ Pais;
  • Nem todos os filhos foram ou são desejados;
  • Nem todas as mulheres grávidas se sentem belas e felizes com a sua gravidez;
  • Nem todas as mulheres que planeiam uma gravidez se sentem, de facto, grávidas psicologicamente;
  • Nem todas as mulheres que estão grávidas passam os nove meses como se fossem os melhores meses das suas vidas (o conhecido "estado de graça");
  • Gravidez e Maternidade são duas realidades distintas, cujo desejo nem sempre é coincidente. Pode desejar-se ser Mãe e ter dificuldade em viver a gravidez enquanto processo biológico;
  • Nem sempre os casais estão sintonizados no desejo de gravidez/ parentalidade.


Maria de Jesus Correia
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“Um dia decidimos que poderíamos fazer mais do que já fazemos no nosso dia-a-dia profissional. Que os nossos conhecimentos poderiam ser úteis neste mundo cibernáutico, onde a informação nem sempre é filtrada e tende a gerar ideias erróneas ou imensas dúvidas na população de Pais. O acaso fez o seu trabalho e várias sugestões por parte de vários conhecidos fizeram-nos tomar a dianteira e surgiu este projeto, a 1 de Fevereiro de 2017.”

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