A gravidez e a saúde oral
A gravidez traz consigo grandes mudanças na mulher e, inevitavelmente, na família. É nesta altura que se repensam os hábitos de vida, em prol do adequado desenvolvimento do bebé. E, embora comecem a haver mudanças, algumas acabam por cair no esquecimento.
Hoje iremos abordar um dos aspetos mais importantes da gravidez e que é, em grande parte das vezes, descurado. E com isto refiro-me à saúde oral. Talvez este "esquecimento" ocorra muito em parte por questões financeiras. Mas já lá chegaremos.
Dizem que, durante a gravidez, o sangramento das gengivas é perfeitamente normal. Mas será mesmo normal? Podemos desde já dizer que não. Não é normal e este é um dos sinais que necessita para agendar uma consulta com um dentista.
Mas então, porque razão será tão importante cuidar dos dentes durante a gravidez?
A resposta é simples e assustadora. É importante cuidar dos dentes durante a gravidez, porque uma mãe com problemas dentários, futuramente terá uma criança com os mesmo problemas.
Estima-se que um quarto das mulheres em idade fértil (com idade para engravidar) apresenta cáries e que cerca de 30% das grávidas apresentam gengivite (inflamação das gengivas provocada por uma higiene deficiente ou por alterações hormonais).
Por outro lado, vários estudos indicam a possível relação entre cáries e os partos prematuros ou restrições de crescimento in utero. Isto porque, as cáries são causadas por bactérias que, quando viajam pela corrente sanguínea, poderão provocar outras reações e desencadear o parto prematuro ou a restrição de crescimento.
Por último, informar ainda que em 70% dos casos estudados, é a mãe que transmite estas bactérias à criança, aumentando em muito o risco de aparecimento de cáries.
Sim, isto é verdade e passo a explicar a razão.
As cáries dentárias são a doença infeciosa crónica mais frequente, mais até do que, por exemplo, a asma. No entanto, são completamente passíveis de prevenir através da mudança de hábitos de higiene e alimentares.
E porque razão os problemas dentários são, de certa forma, transmissíveis?
Já reparou, certamente, numa mãe a certificar-se da temperatura da sopa levando a colher à sua própria boca antes de a oferecer ao filho. Quase todas as mães o fazem de forma inconsciente e, por isso, sem se aperceberem do aspeto nocivo desta ação.
Pois é! Algo tão simples pode significar a transmissão da bactéria que é a causadora das cáries. Isto, ou o limpar a boca/ cara da criança com a nossa saliva, o lamber a chucha porque caiu ao chão, antes de a dar novamente à criança... Neste caso, incluímos aqui também o pai, a vó ou outra pessoa significativa e cuidadora. Importante salientar que a colonização (infeção pela bactéria) pode acontecer desde o nascimento, mas tem maior probabilidade de ficar retida na boca após o nascimento do primeiro dente.
Mas, foquemo-nos em si, que está grávida. O que poderá fazer para diminuir o risco de vir a ter cáries e de as transmitir ao seu bebé?
Tendo em conta o que dizem os especialistas e a Direção-Geral da Saúde, deixamos aqui alguns conselhos:
- escovar os dentes duas vezes ao dia, com pasta com flúor e uma escova macia;
- limitar a ingestão de alimentos açucarados às refeições e fora delas;
- optar por beber água e/ ou leite magro, em vez de bebidas açucaradas;
- dar preferência à fruta em vez de sumos de fruta naturais.
- comer pequenas quantidades de alimentos nutritivos ao longo do dia;
- bochechar, após vomitar, com uma solução composta por 1 colher de chá de bicarbonato de sódio, num copo de água. Esta solução eliminará o ácido que ficar nos dentes, evitando a sua destruição.
Para complementar estas medidas, há estudos que indicam que, se a futura mãe bochechar diariamente com produtos prescritos pelo dentista, a partir dos 6 meses de gestação, diminui drasticamente a colonização da boca e a transmissão das bactérias para o filho. Existe também outra medida, embora ainda pouco se conheça relativamente a dosagens e duração do uso. Esta medida tem a ver com o uso de pastilhas Xilitol, após as refeições. O xilitol é um adoçante natural, encontrado nas fibras de muitos vegetais e que tem um efeito positivo no controlo das bactérias na boca, pois embora doce, inibe o crescimento destas últimas e não prova cáries.
Por último, falta abordar a questão da visita ao dentista.
Referem as diretrizes que a visita ao dentista deve ocorrer entre as 14 e as 20 semanas de gestação, pois embora o risco de aborto provocado pelo tratamento do dentista seja mínimo em qualquer momento da gravidez, este é o período ideal.
Se tiver tido uma visita ao dentista nos últimos 6 meses, recomenda-se que agende uma nova visita que, idealmente deverá acontecer ainda durante a gravidez. Caso a sua última visita tenha sido há mais de 6 meses, deverá agendar uma antes das 20 semanas.
E aqui surge a questão mencionada no início deste artigo. Por norma, estas consultas são tão dispendiosas que, para muitos portugueses, tratar dos dentes só em última instância. Foi a pensar nisso que a Direção-Geral da Saúde criou o Cheque Dentista.
Então mas o que é isto? Todas as grávidas têm direito? Não é um direito apenas em vigor para as crianças?
O cheque dentista funciona como um voucher que dá acesso a um conjunto de cuidados ao nível da saúde oral, quer na prevenção, quer no diagnóstico e tratamento.
Este voucher pode ser utilizado em qualquer parte do país, mas o médico deverá ter aderido ao Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Para saber quais os médicos aderentes, pode consultar a lista no sítio da internet do SNS24.
Todas as grávidas têm direito a 3 cheques dentista, completamente gratuitos e que devem ser utilizados até 60 dias após o parto.
Não se esqueça que a saúde oral é muito importante e que uma grávida saudável significa um bebé saudável.
Aposte na sua saúde oral... pelo seu filho!
o pai, a mãe e eu
Os cocós dos bebés
"O meu filho não faz cocó!" ou "O meu filho faz cocó verde!" ou ainda "O meu filho faz demasiado cocó!". Estas são as frases que mais ouço durante as minhas consultas. Manifestamente uma das maiores preocupações dos pais, nos primeiros meses de vida dos seus filhos.
Mas qual a razão desta preocupação? Serão as cólicas que muitas vezes estão associadas? Será a informação que se encontra pela internet e que nem sempre é a mais fidedigna?
Uma vez que a preocupação é frequente e transversal, decidi que este tema merecia ser alvo de um artigo. Aqui tentarei esclarecer quanto à coloração, frequência e consistência das fezes e deixar algumas dicas que poderão ser úteis para a resolução de alguns problemas que possam surgir.
Sendo assim, aqui vamos nós.
Durante a gestação, o intestino encontra-se completamente formado a partir das 8 semanas. Por volta das 10 semanas de gestação, este começa a trabalhar, absorvendo o líquido amniótico que o feto ingere e que será eliminado em forma de urina. É nesta altura que se começa a produzir o mecónio (primeiras fezes do bebé, verde e espesso, com aspeto tipo "pastilha elástica").
Por norma e em situações normais, o bebé apenas evacua o mecónio após o nascimento, tendo o colostro (primeiro leite produzido pela mãe e que parece uma "aguadilha") uma função facilitadora para esta primeira dejeção. Ao fim de mais ou menos 3 dias, as características das fezes mudam, dependendo do tipo de leite (materno ou artificial) ingerido pelo bebé. Caso a mãe amamente, as fezes características do leite materno são amarelas, líquidas e a maior parte das vezes com grânulos, tipo "papa mal passada". Caso o leite oferecido seja o artificial, as fezes tendem a ser mais pastosas e uniformes, de cor também amarelada.
Por vezes, as fezes tomam a tonalidade verde ou acastanhada. Esta mudança de cor poderá estar associada à alimentação da mãe, caso esteja a amamentar. No entanto, existe outra corrente que refere que o contacto do ar com as fezes na fralda oxida-as, atribuindo-lhes a tonalidade verde. Por isso, não precisam preocupar-se!
Há, no entanto, necessidade de procurar ajuda por parte do médico assistente e/ ou enfermeira, caso as fezes:
- estejam muito escurecidas (e aparentemente com sangue misturado) e tenham cheiro muito intenso;
- sejam muito claras/ esbranquiçadas;
- tenham sangue vivo;
- sejam muito moldadas ("bolinhas").
Como já referi antes, as fezes tendem a ser mais líquidas e, nas primeiras semanas, será normal que haja uma dejeção em cada mamada. Contudo, não há bebés iguais, com o mesmo comportamento e, por isso, cada um terá um padrão intestinal diferente. Assim, também é normal que o seu bebé tenha apenas uma dejeção por dia. Após o primeiro mês de vida, dizem os especialistas que, os bebés poderão passar quase 5 dias sem evacuar, dado que se pensa que nesta fase todo o leite materno ingerido é totalmente absorvido. Obviamente que se o bebé mostrar desconforto, deverá ajudá-lo a evacuar, com massagem abdominal e/ ou estimulação. No entanto, aconselho-vos a tentar que o bebé evacue pelo menos uma vez por dia.
Como já percebemos, o número elevado de dejeções não é de todo sinónimo de diarreia, pelo que não deverá suscitar qualquer preocupação.
Aos 6 meses de vida, com o início da alimentação complementar, as características das fezes irão assemelhar-se muito às do adulto. Fezes castanhas, mais moldadas e cheiro mais intenso. Alguns alimentos tendem a provocar obstipação (dificuldade em evacuar), pelo que, em caso de dúvida, devem contactar a enfermeira/ médico que vos acompanha.
Por último, pensando que por vezes as fezes se tornam mais ácidas e provocam assaduras, deixar uma dica sobre a higiene do rabinho.
No dia-a-dia, em casa, devem utilizar água e sabão e um pano para secar devidamente a pele do bebé. As toalhitas deverão ter uso exclusivo fora de casa, já que não se torna prático levar água num recipiente, para lavar o rabinho. Isto porque, o uso permanente de toalhitas fragiliza a pele e promove, elas próprias, assaduras.
o pai, a mãe e eu
A baba e os dentes
É vulgar dizer-se que um bebé, quando começa a "babar-se" (salivar) muito, tem os dentes prestes a nascer. Mas, se o seu bebé tem menos de 6 meses, a causa não será essa.
Faz parte do normal desenvolvimento da criança, esta começar a salivar em grande quantidade, entre os 2 e os 4 meses. É nesta altura que as glândulas salivares (glândulas que estão na boca e que produzem saliva) iniciam a sua produção de saliva. Contudo, este amadurecimento não é acompanhado pelo desenvolvimento muscular da boca e garganta (orofaringe), o que faz com que a criança não consiga deglutir a maior parte da saliva que é produzida. Esta situação poderá durar até após os 12 meses. Note-se que, principalmente na fase adulta, as glândulas salivares produzem, por dia, perto de 1 a 2L de saliva.
Parece-nos importante salientar que a saliva desempenha um importante papel na saúde oral e na digestão. Ela lubrifica e humedece os alimentos, facilitando a mastigação e deglutição. Ajuda também, através dos seus componentes, a iniciar a digestão. Para além disso, ao humedecer a boca, permite controlar o crescimento de bactérias, diminuindo a probabilidade de aparecerem cáries.
Mas, o que poderá fazer para evitar que o seu filho permaneça molhado devido à baba?
Com o aumento da saliva, a criança passa a ter o rosto e pescoço molhados. Se não for frequentemente limpo, a pele poderá macerar e levra a infeções provocadas por fungos. Desta forma deve:
- colocar um babete na criança e mudá-lo com regularidade;
- secar, com frequência, a cara e pescoço, para que estas zonas não fiquem molhadas durante muito tempo;
- caso a pele do pescoço comece a ficar avermelhada, pode colocar uma camada muito fina sa pomada que utiliza no rabinho;
- vigiar sinais de agravamento e consultar a enfermeira/ médica de família/ pediatra, caso perceba que não há melhoras nos sinais da pele.
Não obstante, também é verdade que, quando os dentes começam a nascer, a salivação pode acontecer de forma acentuada, devido ao desconforto gerado pelo rompimento da gengiva.
Esta situação, por norma, ocorre a partir dos 6 meses. Pode verificar que o seu bebé fica muito incomodado, as gengivas estão inchadas e vermelhas e a criança tende a levar tudo à boca e "raspar" as gengivas.
Assim, aconselhamos:
- ofereça um mordedor, alguns dos quais têm gel que deve refrigerar (no frigorífico ou congelador) antes de oferecer à criança, já que isso irá proporcionar alívio do desconforto, por diminuição da inflamação;
- pode utilizar uma compressa embebida em água fresca e aplicar nas gengivas da criança;
- utilizar algum produto natural, adquirido na Farmácia e que proporcione alívio do desconforto.
O nascimento dos dentes provoca algum desconforto adicional na criança?
É frequente os pais associarem a diarreia ou outros sintomas gastrointestinais, ao nascimento dos dentes. No entanto, esta relação não é causa efeito. O que poderá acontecer é uma diminuição da imunidade e, como as crianças passam a estar mais sensíveis, levar a que adoeçam mais facilmente.
Caso haja alguma alteração, procurem o apoio do profissional de saúde que vos tem acompanhado.
Quando os dentes rompem, há algum cuidado a ter?
Sim! Quando os dentes começarem a romper, deve ter o cuidado de lavar os dentinhos pelo menos 2 vezes ao dia, sendo que uma das vezes deve, obrigatoriamente, ser ao deitar.
Para a higiene dos dentes, poderá utilizar inicialmente uma dedeira ou compressa. Mas poderá adquirir uma escova com cerdas macias e utilizar pasta de dentes para crianças (com flúor na quantidade de 1000 a 1500 ppm).
Quando deverá ser feita a primeira visita ao dentista?
A primeira visita deverá ser feita assim que o primeiro dente romper, ou seja, a partir dos 6 meses. Pode parecer-vos estranho, mas nesta altura o dentista colherá os dados da vossa história ao nível da saúde oral e identificará o risco para a criança. Quanto mais cedo esta avaliação for feita, com maior antecedência se inicia a prevenção de cáries. Para além disso, vai permitir à criança familiarizar-se com o dentista e toda a parafernália existente no consultório, levando a menos momentos de ansiedade, no futuro. Em todo o caso, poderão ler sobre esta questão no artigo publicado no nosso blogue.
o pai, a mãe e eu
Alteração do comportamento alimentar na infância e juventude
A tendência para o comportamento de recusa alimentar se prolongar ou recair ao longo do tempo estará muito ligada a padrões relacionais desadequados que se estabeleçam entre a criança e a família nos momentos de refeição. De facto, ainda que de forma subconsciente, a criança e o adolescente poderão integrar o comportamento desadequado como estratégia apelativa e maladaptativa para lidar com as adversidades. Assim, importa que não seja permitida à criança a perceção de controlo sobre o adulto através do seu comportamento alimentar. Para o casal, será da maior importância a implementação de rotinas que assegurem oportunidades de diálogo, momentos imprescindíveis para uma adequada contenção emocional a dois e plena dedicação à sua criança.
Determinadas conjunturas relacionais e comportamentais constituem, portanto, causa frequente de dificuldades alimentares na infância. A estas se acrescentam, por exemplo, a má evolução ponderal por razões físicas ou sociais, a seletividade alimentar, a recusa alimentar por motivações não relacionadas com a imagem corporal (quadros emocionais, história de trauma), quadros obsessivo-compulsivos (com rituais em torno da alimentação), efeitos adversos de tratamentos farmacológicos (metilfenidato, por exemplo).
O eclodir da puberdade tenderá, posteriormente, a suscitar preocupações e angústias centradas no corpo, que sofre profundas alterações numa questão de meses, impondo inevitáveis e consecutivas adaptações ao adolescente. Como objeto de transação com o meio, enquanto instrumento de mediação no processo de ajustamento social e de autonomização em relação aos pais, faz sentido que alguns comportamentos patológicos se organizem em torno do corpo adolescente. As dismorfofobias (preocupações obsessivas com o corpo, que facilitam distorções da imagem corporal) são frequentes e até normativas, desde que transitórias e não prejudiquem substancialmente o funcionamento do adolescente. No entanto, alguns comportamentos poderão fixar-se e tornar-se patológicos, invadindo e transtornando o quotidiano. Podem girar em torno dos alimentos, das refeições e da atividade física e absorvem a disponibilidade do jovem.
Num cenário relacional e genético propício, o jovem confrontado com dificuldades difíceis de transpor poderá desenvolver uma Perturbação do Comportamento Alimentar (PCA). São os casos da Anorexia Nervosa (AN) e da Bulimia Nervosa (BN), entre outras. Tratam-se de perturbações psiquiátricas relativamente frequentes na adolescência e particularmente prevalentes nas sociedades que tendem a sobrevalorizar o culto do corpo. Caracterizam-se fundamentalmente pela motivação obsessiva para perder peso ou ganhar peso e investem-se dum leque de estratégias direcionadas a tal objetivo. Poderão acompanhar-se por um rol de manifestações físicas e psicológicas, que importa identificar: estados depressivos e ansiosos, pensamentos obsessivos relacionados com a imagem corporal, sintomas associados aos diferentes aparelhos e sistemas com queixas de âmbito digestivo, cardiovascular, endocrinológico, dermatológico, cognitivo, etc. Na adolescência, as fronteiras entre AN e BN poderão ser mal definidas e não é rara a alternância entre ambas no mesmo jovem.
A AN desenvolve-se habitualmente durante a adolescência, afirmando-se como a principal causa de perda de peso no género feminino e o principal motivo para admissão em internamento pedopsiquiátrico. Além da típica apresentação, haverá entre os rapazes uma percentagem considerável em que a temática se traduz na busca pelo corpo musculado, mais do que pelo corpo magro. A distorção da imagem corporal mantém uma permanente convicção de excesso de peso, agravada pela habitual ausência de crítica. Irredutíveis perante os argumentos angustiados de familiares e amigos, estes jovens doentes encerram-se e protegem os seus hábitos patológicos sob um manto de indiferença e superficialidade. A perda de peso abrupta e a carência nutricional em momentos críticos do desenvolvimento físico e psicológico podem determinar sequelas a médio e longo prazo. A mortalidade da AN é consideravelmente superior à da população geral, sendo inclusivamente das principais causas de morte nos adolescentes, tanto como consequência dos danos físicos (normalmente hidroeletrolíticos e cardiovasculares), quanto por consequência nem sempre pretendida de gestos suicidários. Todas estas noções tornam premente a avaliação imediata por equipa especializada e o internamento poderá ser equacionado, com vista à reabilitação nutricional, ao gradual restabelecimento da crítica e à corresponsabilização do doente e sua estrutura familiar. A angústia e a frustração são compreensíveis e o tratamento poderá revelar-se um processo lento e difícil, pautado por avanços e recuos. No entanto, importa perceber que elevados níveis de emoção expressa podem tornar a recuperação mais difícil. Assim, as famílias devem ser ajudadas a lidar com emoções negativas e atuar com compreensão, calma e assertividade. A renutrição adequada permitirá recuperação considerável da maior parte dos sintomas, permitindo igualmente melhorar a disponibilidade para as intervenções psicoterapêuticas.
A idade de início da BN é sobreponível à da AN, mas o diagnóstico é habitualmente mais tardio, ocultado sobretudo pela manutenção do peso em parâmetros normais. Estima-se que cerca de 12% das adolescentes enfrentem pelo menos uma forma transitória de BN, sendo a prevalência no sexo masculino mais difícil de apurar. Revela-se pelos comportamentos de binge eating (episódios de ingestão de grandes quantidades de comida num curto intervalo de tempo), seguido de comportamentos de purga (vómitos, laxantes, etc), sensação de enfartamento e culpabilidade, podendo acompanhar-se de um leque variado de manifestações: sintomas emocionais, fadiga e queixas inespecíficas, irregularidades menstruais, queixas de âmbito neurológico, etc. Compreensivelmente, verifica-se um declínio substancial do funcionamento sociofamiliar e ocupacional.
Não haverá chave para o sucesso que não pressuponha uma abordagem multidisciplinar, em estreita comunhão com a família e com o próprio adolescente. Especialidades e valências como a Pedopsiquiatria, a Pediatria, a Enfermagem, a Nutrição e a Psicologia são alguns dos intervenientes habituais. Será, igualmente, da maior pertinência incluir a escola nesta equação, promovendo uma atmosfera de consciencialização, que aborde ativamente e sem estigmatização este tema, possibilitando uma deteção atempada dos casos nos diferentes contextos de vida dos jovens.
Vítor Ferreira Leite
Licença para assistência a filho com deficiência, doença crónica ou doença oncológica
Os pais têm direito a licença por período até 6 meses, prorrogável até 4 anos, para assistência de filho com deficiência, doença crónica ou doença oncológica.
Esta licença é prorrogável até ao limite de 6 anos, nas situações de necessidade de prolongamento da assistência, confirmada por atestado médico.
Caso o filho com deficiência, doença crónica ou doença oncológica tenha 12 ou mais anos de idade a necessidade de assistência é confirmada por atestado médico.
De referir que o limite máximo da licença não é aplicável no caso de filhos com doença prolongada em estado terminal, confirmada por atestado médico.
O trabalhador apenas tem direito a esta licença se o outro progenitor exercer atividade profissional ou estiver impedido ou inibido totalmente de exercer o poder paternal.
Nos casos em que há dois titulares do direito à licença, esta pode ser gozada por qualquer deles ou por ambos em períodos sucessivos, não podendo ser gozada em simultâneo pelo pai e pela mãe.
Durante o período das licenças, o trabalhador não pode exercer outra atividade incompatível com a respetiva finalidade, nomeadamente trabalho subordinado ou prestação continuada de serviços fora da sua residência habitual.
Para exercício do direito, o trabalhador tem de informar o empregador, por escrito e com a antecedência de 30 dias do início e do termo em que pretende gozar a licença.
A comunicação que é feita ao empregador tem de conter ainda outros elementos, sendo necessário que o trabalhador informe: que o outro progenitor tem atividade profissional e não se encontra ao mesmo tempo em situação de licença, ou que está impedido ou inibido totalmente de exercer o poder paternal; que o menor vive com ele em comunhão de mesa e habitação; que não está esgotado o período máximo de duração da licença.
Na falta de indicação em contrário por parte do trabalhador, a licença tem a duração de 6 meses.
Presentemente, o subsídio para esta licença corresponde a 65% da remuneração de referência. mas, nas situações em que a remuneração de referência é muito baixa, a lei estabelece um limite mínimo de €11,62 por dia.
Em caso de hospitalização, se a criança tiver menos de 12 anos ou, independentemente da idade, se for deficiente ou tiver uma doença crónica, o subsídio é concedido durante todo o período de hospitalização.
Por fim, cumpre esclarecer que quando entrar em vigor a Lei de aprovação do orçamento de estado para 2020 as licenças para assistência a filhos em caso de doença ou acidente passem a ser pagas a 100%.
Dina Fernandes
Sou alérgico!
A modificação dos hábitos alimentares na Era Moderna, com a introdução de novos ingredientes e a crescente utilização de produtos processados, aumentou significativamente a frequência de reações indesejadas associadas a alimentos. Agora, uma nova ferramenta online pode ajudar a identificar onde se encontram os mais perigosos.
As reações adversas devido a alimentos podem ser divididas em dois tipos - as alérgicas (Alergias Alimentares) e as não-alérgicas (normalmente também chamadas de Intolerâncias Alimentares).
A Alergia é uma resposta exagerada e inadequada do sistema imunitário contra substâncias inofensivas do meio ambiente. Numa situação normal, o organismo combate agentes que possam causar doenças, como bactérias ou parasitas e "tolera" substâncias benéficas como os alimentos. Normalmente existe uma tendência familiar, ou seja, um risco genético para a ocorrência. A alergia alimentar afeta aproximadamente 5% das crianças e 3-4% dos adultos nos países ocidentais. A sua frequência parece estar a aumentar e as reações parecem estar a tornar-se mais graves, apesar de ainda não haver uma explicação definitiva para este aumento.
A Intolerância a um alimento, não está relacionada com o sistema imunitário - resulta de erros na digestão ou metabolismo dos alimentos. Quando se fala de intolerâncias alimentares não se fala de uma doença única, mas de um conjunto de problemas diferentes que resultam em sintomas desagradáveis devido a um alimento. Normalmente os sintomas não ocorrem em todas as ocasiões em que há ingestão e são habitualmente necessárias quantidades razoáveis do alimento para ocorrer sintomas. Apesar de serem menos graves que as reações de alergia alimentar, podem também afetar muito a qualidade de vida.
Os tipos mais comuns de intolerância ocorrem devido à falta de uma enzima necessária para a ingestão de um componente/ parte de um alimento. Um exemplo típico é o caso da intolerância à lactose, que se deve à perda da atividade enzimática da lactase, uma molécula responsável pela digestão da lactose, um açúcar do leite. A intolerância alimentar também pode resultar da própria composição química do alimento - alguns alimentos são muito ricos em aminas (enlatados, alguns peixes, morangos ou citrinos), cafeína (chá, café ou cacau) ou salicilatos (tomate, citrinos, frutos vermelhos ou chá) e estes alimentos podem provocar sintomas em pessoas mais sensíveis, mesmo que ingeridos em pequenas quantidades.
Quando suspeitar de uma alergia alimentar?
A Alergia Alimentar pode causar muitos sintomas diferentes. No entanto, estes sintomas são reprodutíveis, isto é, surgem sempre que o alimento (ou, pelo menos, alimentos da mesma família) é ingerido. Além disso, são frequentemente imediatos, ocorrendo de minutos até um máximo de 2 horas após a ingestão. Em algumas situações, o contacto ou inalação de vapores de cozedura do alimento também podem causar sintomas.
Os sintomas frequentemente afetam a pele. Pode manifestar-se como manchas ou babas/ borbulhas vermelhas que provocam muita comichão (urticária) ou como inchaço, habitualmente nos lábios ou olhos. Também podem provocar comichão intensa na boca, vómitos ou cólicas abdominais, causar espirros, comichão nos olhos ou lacrimejo, tosse, chiadeira ("gatinhos") no peito ou dificuldade em respirar. Em algumas situações pode ocorrer uma reação alérgica grave (anafilaxia) que envolve vários órgãos em simultâneo, como a pele, o sistema respiratório, o digestivo e/ ou cardiovascular. Nesses casos, pode ocorrer uma queda súbita da pressão arterial, suores, palidez ou perda de consciência. Estas reações colocam a vida em risco.
A Intolerância Alimentar pode manifestar-se de muitas formas diferentes, já que não se trata de uma doença única. Normalmente os sintomas não são reprodutíveis, nem imediatos. Os sintomas mais frequentes são a má-digestão, o enfartamento, barriga inchada, flatulência, azia, falta de apetite, queda de cabelo, olheiras, dores de cabeça, entre outros.
Que alimentos provocam alergia?
Embora uma reação alérgica possa ocorrer com qualquer alimento, os alimentos mais alergéncios e que causam alergia mais frequentemente são: na criança, as proteínas do leite, o ovo, o peixe, frutos secos, amendoim, soja e trigo; no adulto, os mariscos, peixes, frutos secos/ sementes e amendoim.
Em que idade se manifestam as alergias?
A Alergia Alimentar pode manifestar-se pela primeira vez em qualquer idade, embora seja mais frequente nos lactentes e crianças. Infelizmente alguém que previamente tolerava um determinado alimento, pode em qualquer momento da vida tornar-se alérgico.
De uma forma geral, quando surgem alergias alimentares na infância, estas tendem a desaparecer, sobretudo as alergias a leite e ovo. Pelo contrário, a alergia alimentar em adultos tende a manter-se para o resto da vida.
Como diagnosticar?
O diagnóstico de alergia alimentar deve ser feito por um médico especialista em Imunoalergologia. Normalmente baseia-se na combinação de uma história clínica cuidadosa, testes cutâneos, análises de sangue e provas de tolerância oral.
Como viver com alergia alimentar?
A principal forma de lidar com a alergia alimentar é evitar rigorosamente os alergénios implicados, o que inclui leitura cuidadosa dos rótulos, precaver refeições em restaurantes ou preparadas por pessoas alheias ter especial cuidado na preparação das refeições devido à possibilidade de reações apenas com o contacto ou inalação de vapores de cozedura ou utilização de objetos mal lavados na cozinha.
Ainda assim, por vezes as reações ocorrerem inesperadamente- É por isso importante existir um plano escrito de emergência com indicação dos medicamentos a tomar em caso de reação.
Não existe qualquer remédio caseiro ou natural que permite acelerar a resolução da alergia ou resolver os sintomas. O doente não deve também automedicar-se sob pena de poder agravar o seu quadro clínico e colocar a vida em risco.
A plataforma SouAlergico.com
A única forma de prevenção de reações alérgicas é a evicção alimentar. Contudo, esta exclusão é por vezes complicada pela presença invisível de alergénios em produtos comercializados. Esta situação gera muita ansiedade nos doentes e seus familiares, devido ao receio de ocorrer uma exposição acidental e contribuem para um grande impacto negativo desta doença na qualidade de vida.
A Universidade do Algarve e a consulta de Imunoalergologia do Grupo HPA Saúde desenvolveu recentemente uma plataforma simples e intuitiva que permite uma rápida identificação da presença dos alergénios nos alimentos à venda nas maiores superfícies comerciais.
A plataforma soualergico.com está disponível online e é totalmente gratuita. Permite facilmente criar listas de compras com produtos isentos de alergénios para diversas categorias de alimentos e apresenta também informação adicional acerca de alergia e intolerância alimentar.
Pedro Morais Silva
A Escola e o novo Coronavírus
É importante não esquecer que o ser humano é um ser que vive de relações, especialmente as crianças, que aprendem a brincar e, para isso, é de extrema importância socializarem com os seus pares e adultos, quer sejam os pais, ou outros elementos da família e professores/ educadores/ auxiliares.
Então, estamos perante um dilema. O que importa mais? Afastar as crianças e mantê-las encerradas em casa ou, pelo contrário, lança-las para o desconhecido do novo Coronavírus?
De forma a manter as crianças em segurança, garantir o seu adequado desenvolvimento e permitir aos pais retornar às suas atividades laborais, a Direção-Geral da Saúde emanou algumas orientações que têm sido atualizadas no decorrer destes, tendo em conta a evolução da pandemia.
Não obstante haver diretrizes que deverão ser seguidas pelo pessoal docente e não docente, é natural que todas as famílias se sintam inseguras. Decidimos então, resumir as mesmas e orientar-vos nas indicações que poderão dar aos vossos filhos.
Antes de mais, é importante relembrar quais as formas de contágio pelo novo coronavírus. Assim, há duas formas possíveis. São elas:
- contacto direto: através de gotículas produzidas quando uma pessoa infetada tosse, espirra ou fala e podem ser inaladas ou pousar na boca, nariz ou olhos das pessoas que se encontram próximas (a menos de 2 metros de distância);
- contacto indireto: quando tocamos numa superfície ou objeto contaminado e, de seguida, sem higienizar as mãos, tocamos na boca, olhos ou nariz.
De seguida, apresentaremos algumas indicações específicas para as crianças que irão frequentar o jardim de infância/ ama e o ensino básico/ secundário.
Jardim de infância/ ama
Uma das maiores maiores diferenças que vai encontrar é a (provável) impossibilidade de poder levar o seu filho até à sala. No entanto, esta medida poderá ser adotada pela maioria dos estabelecimentos escolares de forma a poder reduzir o risco de infeção. A esta medida acresce a necessidade de:
- levar calçado suplente para que o seu filho possa usar na sala algo que não tenha sido usado na rua. Há algumas escolas que pedem também uma muda de roupa para que a roupa que veio da rua não seja usada na sala;
- não levar brinquedos ou outros objetos que não sejam realmente necessários;
- começar a treinar o seu filho a lavar as mãos, explicando a importância desta medida (se a criança tiver idade para este treino, obviamente);
- tentar obter informações acerca do comportamento do seu filho por parte da educadora, mesmo que apenas por via digital, dado que neste momento todos os contactos presenciais foram reduzidos ao máximo.
Ensino Básico/ Secundário
Embora mais autónomos, nestas idades ainda há os que gostam da companhia dos pais até à porta, contudo, a sua entrada também será muito provavelmente interdita.
Se tem filhos dentro destas faixas etárias, deverá alertá-los para:
- que usem a máscara durante todos os momentos e que só a retirem para as refeições:
- mudem de máscara caso a sua esteja húmida (dependendo das atividades que realize, poderá transpirar mais e ter necessidade de mudar). Para a remover, deverá lavar/ desinfetar as mãos e só após isto remover a mesma pelos elásticos;
- lavar com frequência as mãos e, até as lavar, não tocar no nariz, boca e olhos;
- evitar tocar em bens comuns, corrimãos, maçanetas, interruptores, ou outros. Caso não haja alternativa, lavar ou desinfetar as mãos de seguida;
- caso necessite de se assoar, deverá usar um lenço de papel de utilização única e em seguida colocá-lo no caixote do lixo. Depois deverá lavar/ desinfetar as mãos;
- que, quando sentir necessidade de tossir ou espirrar, não deve remover a máscara e deve fazê-lo para o braço e nunca para as mãos ou para o ar (mesmo com máscara colocada).
Para além disto, independentemente da idade, é importante que cheguem a casa, tomem o seu banho e a roupa utilizada seja colocada para lavar. Impede desta forma que roupas potencialmente infetadas circulem pela casa.
Até agora, falámos das questões mais práticas e comportamentais. No entanto há uma questão de maior importância e que não deve ser descurada. Estamos a falar da questão emocional.
Esta é uma questão abordada por vários profissionais e uma preocupação de todos (profissionais e família).
Nas crianças mais pequenas refere-se a dificuldade em criar uma ligação emocional com as educadoras e auxiliares, devido à barreira provocada pela máscara e a insegurança que daí poderá advir. Mas, na nossa opinião, se pensamos que para as crianças mais crescidas passarão por esta situação de forma mais tranquila, desenganem-se.
Habituados à liberdade de circulação nas escolas, aos amigos e às brincadeiras com estes, ver-se-ão limitados na sua essência. Assim sendo, aconselhamos a que haja muito diálogo e uma preparação prévia e tranquila para o início das atividades escolares.
Dada a complexidade desta situação e a sua imprevisibilidade provocada pelo desconhecido, deixamos 4 aspetos que são importantes transmitir aos vossos filhos.
- É normal sentires-te desta forma (irritado, triste, inseguro, ...)! - É importante transmitir à criança que a percebe e que não há o que punir na sua atitude. Pode inclusivamente partilhar a forma como se sente no seu trabalho ou quando vai às compras e abordar com ele o que mais o incomoda. Tentar encontrar, em conjunto, formas de ultrapassar e gerir estes sentimentos e emoções, de forma a controlá-los.
- Não estás sozinho! - Deve mostrar à criança que o distanciamento social que vai imperar na escola não significa que, em caso de necessidade, não terá ninguém a quem recorrer. Muito pelo contrário! Deverá informá-lo sobre os nomes e locais onde se dirigir caso tenha algum problema ou não se sinta bem (embora decerto na Escola também o façam). Por outro lado, reforçar, tal como referido anteriormente, que estamos todos a sofrer as mesmas restrições, com especificidades apropriadas aos locais que frequentamos. Os receios dela serão os receios dos colegas, professores e pais.
- Tens sempre direito à tua palavra nas decisões! - Se envolver a criança nas decisões, ela sentir-se-á mais segura e terá a ideia que, tal como os adultos, controla ligeiramente o que a rodeia.
- Vamos ver o lado positivo e mostrar disponibilidade para aprender com as novas situações! - Não só nesta situação, mas em todas as outras na sua vida, é importante ensinar a criança a ver o lado positivo, mesmo que muito difíceis. Por outro lado, tentar aprender com a adversidade. Pode, para isto usar algum exemplo de situações que tenham ocorrido no passado: umas férias mais aventureiras e a forma como resolveram algo inesperado; o confinamento e o final do ano letivo passado que aproximou os elementos da família e os levou a organizar atividades em casa, permitindo tornar esses dias menos stressantes.
Os tempos são desafiantes e a forma como os encaramos marcará a diferença. É importante criarmos crianças resilientes e não esquecer que aprendem, em qualquer altura, com o exemplo, sendo os pais os maiores modelos.
Por último, alertamos para a existência de apoio por parte da Psicóloga do Sistema Nacional de Saúde, que poderá acompanhar o seu filho/ família, em caso de necessidade. Para isso poderá contactar o seu Centro de Saúde ou a Saúde Escolar, através do Diretor de Turma.
Esperamos que o início deste ano escolar seja o mais tranquilo possível. Digam-nos como o estão a vivenciar e quais as vossas maiores preocupações. Encontramo-nos, também nós, disponíveis para colaborar convosco, no que estiver ao nosso alcance.
Bom início de escola!! Vai tudo correr bem!!!
o pai, a mãe e eu
Crosta Láctea
A Dermatite Seborreica, também denominada Crosta Láctea é caracterizada por se apresentar como crostas de cor amarelada, que aparecem no couro cabeludo, podendo estender-se à testa, sobrancelhas e, por vezes, orelhas.
É comum aparecer nos recém-nascidos (entre as 2 e as 6 semanas de vida) e desaparece, normalmente, antes do ano de vida ( entre os 7 e os 8 meses).
Esta situação ocorre dado que há uma produção excessiva de gordura por parte das glândulas sebáceas nesta zona do corpo, que pensa-se em resposta às hormonas maternas que ainda se encontram em circulação.
Embora tenha um aspeto desagradável, esta situação não causa qualquer desconforto no bebé. No entanto, torna-se importante vigiar a coloração da pele circundante e a saída de líquido amarelado das lesões. Poderá significar uma pequena inflamação, com necessidade de acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.
O que poderá utilizar para remover estas crostas?
Trinta minutos ou uma hora antes do banho poderá aplicar vaselina ou óleo de amêndoas doces na cabeça do bebé. Atenção!!! Não Aplicar nas sobrancelhas, já que poderá entrar nos olhos e provocar reação. Depois, no banho, com água tépida e usando um pente deve tentar remover as crostas de forma suave.
Hoje em dia já existem algumas marcas de cosmética, com gamas pediátricas, das quais faz parte o creme específico para a crosta láctea. É uma questão de experimentar o que tem à sua disposição.
Caso tenha dúvidas, deverá sempre contactar o profissional de saúde que vos acompanha.
o pai, a mãe e eu
Entrevista a Elisabete Abrantes - Alergia Alimentar
As alergias alimentares são atualmente um problema crescente a nível mundial.
Gostaríamos de perceber e de dar a conhecer de que forma este problema tem impacto no dia-a-dia das famílias que por ele são afetadas.
1- A sua filha é alérgica a que alimento?
Ela é alérgica a bacalhau, marisco, especiarias, conservas, enlatados, frutas tropicais, chás,...
2- Existe alguém na família com história de alergia alimentar?
Que eu tenha conhecimento, não existe ninguém com alergias.
3- Quando e como descobriu que a sua filha era alérgica a todos esses alimentos?
Descobri quando introduzi os alimentos aos 4 meses. Foi uma experiência complicada, porque começou a vomitar e o corpo ficou cheio de borbulhas.
4- O que teve de mudar no seu dia-a-dia? A família também mudou os seus hábitos alimentares?
Mudou tudo quando se soube que a L. era alérgica. Mudámos a alimentação de toda a família para não corrermos riscos. Para os irmãos, esta mudança foi complicada até conseguirem habituar-se.
5- Como foi educar a sua filha para conviver com este problema? Foi fácil para ela perceber que não podia comer grande parte das coisas que todos os outros podem? Aceitou bem não poder aceitar comida, por exemplo, na escola ou em festas de aniversários dos amigos?
A L. aprendeu a lidar com a situação bastante rápido. Hoje tem 11 anos e sabe bem o que pode e não pode comer. Alguns colegas acham a L. estranha em relação à alimentação.
6- Quais as principais limitações que sente? Como é, por exemplo, organizar uma viagem ou um fim-de-semana em família?
A limitação é mesmo a leitura dos rótulos... todos tivemos de aprender. Relativamente a eventos, tentamos não organizar, nem frequentar casamentos e batizados. Quando fazemos uma viagem a cinco, procuro sempre levar a alimentação dela.
7- Acha que o país e a sociedade em geral estão preparados para conviver com este tipo de problemas? Da sua experiência, as pessoas percebem as restrições ou muitas vezes associam a caprichos?
Não, não estão preparados. Consideram que este tipo de restrições alimentares não passam de mimos, caprichos, onde uma boa palmada podia resolver.
8- Recebe algum tipo de apoio financeiro, visto ter gastos superiores na alimentação da sua filha?
Sim, recebo abono complementar. para isso foi necessário o médico fazer prova do problema da L.
9- Teve alguma formação de como agir, caso a sua filha sofra uma reação anafilática (reação alérgica exacerbada, com compromisso respiratório)?
Não. Quando o corpo reage de maneira diferente, como já aconteceu começar a inchar de forma exuberante, dirijo-me ao hospital mais próximo.
10- O que acha que poderia facilitar o seu dia-a-dia com a sua filha?
Parece-me que o que poderia facilitar era a formação como atuar em caso de reação exacerbada.





















