O Pai, a Mãe e Eu!
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Aranha, sim ou não?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Qualquer idade é propícia a acidentes, tendo em conta a fase do desenvolvimento e as competências que a criança tem nesse momento, assim como a sua mobilidade. Num futuro próximo abordaremos outros tipos de acidentes, no entanto parece-me ser importante falar sobre os andarilhos, mais conhecidos como aranhas. Sim, ou não à sua utilização?

A partir dos 6 meses a criança já deverá conseguir sentar-se sem apoio e, por isso, terá outra perceção do espaço que a rodeia. Nesta altura já rebola e rasteja, prontinha a começar a gatinhar. Esta maior independência coloca ao seu alcance objetos e situações que a deixam em perigo, enquanto a mãe e o pai piscam um olho. Assim, muitos pais, na melhor das intenções preferem sentar a criança na aranha e deixá-la explorar em… segurança. Mas será que está assim tão segura? Será que realmente a criança aprende a andar mais rapidamente do que se o tentasse fazer sozinha?


Caros pais, sentar a criança numa aranha é igual a sentá-la no automóvel, sem cinto de segurança.

Sabia que as quedas são uma das principais causas de acidentes mortais, na Europa, em crianças com idades entre os 0 e os 19 anos?

Sabia que uma das causas das quedas são as aranhas e que 90% dos danos causados são na cabeça e que, destes últimos, mais de 30% correspondem a danos cerebrais?

Assustadores estes números, não são? Também o são para a European Child Safety Alliance e para a ANEC (entidade europeia certificadora). E, por isso, desaconselham totalmente o uso das aranhas, já que para além de não promoverem o desenvolvimento da marcha nas crianças, também demonstraram aumentar exponencialmente o risco de acidentes a nível cerebral (como já referido).

Para além das quedas, o uso de aranhas/ andarilhos poderão levar a:

- queimaduras – a criança está mais elevada, consegue alcançar lugares mais altos e com isto, facilmente alcança fornos, puxa toalhas da mesa onde já estão recipientes com conteúdo quente, …;

- envenenamento -  exatamente pelos mesmos motivos descritos na situação anterior. Como se encontra mais elevado, tem acesso a lugares que de outra forma estariam ligeiramente mais inacessíveis.

É importante referir ainda que, de estudos realizados, os acidentes ocorrem maioritariamente sob observação dos pais. E embora pareça descabido, a razão deve-se ao facto de, nas aranhas, a crianças consegue percorrer uma maior distância, num menor espaço de tempo. O que dificulta a tarefa dos pais em alcança-los e evitar o acidente.

Para além disso, temos a questão do desenvolvimento físico. Se pensarmos bem, muitas crianças que são sentadas nas aranhas, ainda têm a perna curta, pelo que começam a “andar” em bicos de pés de forma a conseguirem movimentar a aranha. Esta situação associada a uma incorreta postura da anca poderá levar a problemas futuros na marcha.

Devido a todas as intercorrências verificadas ao longo dos anos, o Canadá foi o primeiro país a proibir a venda e utilização de aranhas, em 2004.

E se não pode utilizar as aranhas, como pode fazer para ajudar o seu filho a andar?

Para responder a esta, coloco outra questão. Como faziam os nossos pais para nos ajudar no desenvolvimento da marcha ou como fazemos nós com os nossos filhos, quando não temos aranha disponível?

Pois é! Não há nada melhor do que o deixar explorar o ambiente. Proteja-o de todos os locais que poderão suscitar perigo e deixe-o andar pela casa. Por norma, as primeiras vezes que se irá levantar, será apoiando-se no sofá ou num móvel. Garanta que o móvel não pode tombar e para isso tente fixá-lo o melhor possível à parede, por exemplo.

Dedique-lhe algum tempo e ampare-o na marcha. Ele irá adorar!

No fundo, é permitir que, no tempo dele, consiga dar os primeiros passos, sem recorrer a objetos que podem comprometer o adequado desenvolvimento e a saúde e bem-estar.

Nem tudo o que é “à moda antiga” é mau.

E por aqui desejamos uns felizes primeiros passos… em segurança.

 

o pai, a mãe e eu

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Ortoptista - o que é?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Ortoptista... a palavra difícil e a profissão que poucos sabem o que é. 

A licenciatura em Ortóptica atribui a qualificação para o exercício profissional independente e autónomo, cujo conteúdo funcional se rege pelos Decreto-Lei nº. 564/ 99 de 21 de dezembro; Decreto-Lei nº. 261/ 93 de 24 de julho e Decreto-Lei n.º 320/ 99 de 11 de agosto e pelo Despacho n.º 3207/ 2012 de 3 de dezembro. Os profissionais licenciados em Ortóptica enquadram-se na categoria de Técnico Superior de Diagnóstico e Terapêutica. 

Após esta "explicação legal", vamos simplificar! 

A palavra Ortóptica deriva do grego "ortho optikos" que significa "olhos direitos". Por aqui podemos entender que umas das principais áreas de intervenção é o estrabismo. Na verdade, a profissão, pelo nome que é conhecida até aos dias de hoje, foi criada exatamente com base no estrabismo. O ortoptista era um profissional de saúde que tratava as disfunções da visão binocular. Atualmente, essa continua a ser uma área nobre de atuação dos ortoptistas. No entanto, o trabalho que desempenhamos tornou-se muito mais amplo e dinâmico. 

Enquadrados em equipas multidisciplinares, na área de oftalmologia, os ortoptistas exercem funções tanto no setor público, como no setor privado. São responsáveis pela realização dos exames complementares de diagnóstico, podem realizar consultas de optometria e contactologia, trabalhar em centros de investigação, em áreas responsáveis pela baixa visão, treino visual e lecionar. Participam também em programas de rastreio, como o Rastreio Nacional de Retinopatia Diabética e os rastreios de deteção de fatores ambliogénicos, em idade pré-escolar. Isto faz com que, numa grande maioria das vezes, estes profissionais sejam uma primeira linha de contacto com a população. 

O mais provável é já se ter cruzado com um ortoptista, simplesmente não sabia é que era este o nome da sua profissão. 

E qual a importância da Ortóptica e de um Ortoptista?

São diversas as patologias oculares, assim como sistémicas, que podem provocar alterações na motilidade ocular. Desta forma, a Ortóptica propriamente dita, continua a ter um papel fundamental nos dias de hoje. 

Nas crianças é necessário garantir um diagnóstico precoce, de modo a que o tratamento seja o mais eficaz possível, permitindo que a criança tenha um correto desenvolvimento visual. Em adultos, uma das principais causas de estrabismo é o traumatismo e lesões nos pares cranianos, como consequência de doenças sistémicas. Logo, um acompanhamento próximo e estreito pode fazer toda a diferença. Grande parte das patologias oftalmológicas apresentam melhores prognósticos se detetadas precocemente. Fazendo os ortoptistas parte dos cuidados primários de saúde, são muitas das vezes estes profissionais que sinalizam situações urgentes e fazem um primeiro acompanhamento. 


Joana Azevedo

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Joana Azevedo

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

 

A Joana Azevedo tem 31 anos e é Ortoptista. 

A visão é uma das suas maiores paixões, o que a levou a licenciar-se em Ortóptica, na Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto. O seu percurso profissional foi sempre feito na área da visão, quer na parte comercial, quer na parte de prestação de cuidados primários de saúde. 

Atualmente encontra-se a trabalhar na Opticalia de Amarante, onde realizo consultas de optometria, contactologia, avaliações ortópticas, terapia visual, entre outras. 

Um dos seus principais objetivos é tornar a sua profissão mais conhecida e, para isso, criou uma página no Instagram (@ortoptista_joanaazevedo), onde diariamente explica o que é a Ortóptica e o que faz um Ortoptista. Uma das missões da sua página é a partilha de conteúdo informativo, de forma lúdica e elucidativa.

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O choro intenso nos lactentes

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

O choro é a linguagem universal do bebé.

É com o choro que ele se apresenta ao mundo e, no momento do parto, o choro significa para os pais vida e saúde. No fundo, é este grito de independência que traz alívio aos pais e reforça os laços de amor.

Contudo, o choro deixa de ser visto da mesma forma ao longo do tempo, quando começa a ser intenso e persistente. E embora nem todos passem pela mesma fase, é normal os bebés passarem a ter períodos de choro intenso durante várias horas seguidas. 


Já lhe aconteceu?

Deixe-me adivinhar! O seu bebé começa a chorar ao final da tarde e consegue passar várias horas seguidas neste registo, sem que nada funcione para o acalmar. Acertei?

Pois é. Então vamos lá ver se conseguimos desmistificar o que está por detrás do choro excessivo.

Entre 9 a 26% dos bebés apresentam períodos de choro intenso até cerca dos 4 meses de vida e este é o principal motivo de consultas recorrentes de Saúde Infantil.


Mas afinal porque ocorre esta situação?

Parece-me que uma coisa que para todos é certa é que o choro faz parte da forma como o bebé comunica com os pais. É através dela que comunica que tem fome, sono, está cansado ou simplesmente quer um miminho.

Costumo dizer aos pais que, à medida que o tempo for passando, conseguirão perceber que o choro do bebé tem diferentes timbres, tendo em conta a razão que o leva a existir. E isto é mesmo verdade.

No entanto, a partir das 6 semanas, até cerca dos 4 meses de vida, o choro dos bebés torna-se excessivo, muitas vezes gritado, como se tivesse dor. E o pior de tudo é que é de difícil consolo ou até mesmo impossível de consolar. Podem inclusivamente permanecer 5h ou mais a chorar sem conseguirmos fazer cessar o que o incomoda.

Por outro lado, há especialistas que referem que o pico deste “comportamento” acontece às 6 semanas e vai diminuindo, tendo em conta a capacidade de regulação do bebé, que faz com que haja uma menor necessidade de recorrer a influências reguladoras externas.

Vários são os estudos realizados para tentar perceber a razão de haver um choro intenso a partir das 6 semanas e até aos 4 meses. E, atualmente, a teoria mais comummente aceite é a de que a criança apresenta uma imaturidade a nível do sistema nervoso central que dificulta a autorregulação. O que acontece com as cólicas tem um pouco a ver com este aspeto. Com a comida, os movimentos do estômago e intestinos aumentam e com ele o desconforto do bebé. Como há uma imaturidade, o bebé não consegue processar este desconforto e chora de forma intensa. É importante referir que as cólicas afetam 20 a 30% das crianças até aos 3 meses.


Então o quer tudo isto dizer?

Em suma, o que quero dizer é que é normal que o seu bebé:

  •  chore por um longo período de tempo, que pode atingir pelo menos 5h;
  •  estes episódios são mais frequentes ao final da tarde e por vezes durante a noite;
  •  não apresente uma causa aparente para chorar;
  •  apresente um fácies de dor, o que não quer dizer que aconteça, não obstante o choro poder ser caracterizado por choro gritado;
  •  não se acalme com as medidas que tentar promover e isso não significa que as esteja a fazer de forma errada ou que seja má mãe ou mau pai.

Se o seu bebé está com uma adequada progressão ponderal (aumento adequado de peso), o seu desenvolvimento é normal e não existe um problema de base, então este quadro de choro intenso é, também ele, normal. O mesmo se pode dizer dos bebés prematuros.

Quem passa por uma neonatologia sabe que inicialmente estes choram pouco, por um curto período e de forma pouco vigorosa. O seu choro faz lembrar o miado de um gatinho bebé. Acalmam-se facilmente, bastando um toque, um aconchego e uma chucha.

No entanto, à medida que vão crescendo e atingindo as 38 – 40 semanas de idade corrigida, o choro torna-se mais frequente e vigoroso, sendo também esta situação reveladora de um adequado desenvolvimento.

Quanto mais baixa tiver sido a idade gestacional, maior a probabilidade de fazerem períodos de choro/ agitação com duração de 6h ou mais por dia, com um pico máximo aos 3-4 meses de idade corrigida.


Embora fazendo parte do desenvolvimento, em que pode ser prejudicial este choro intenso?

Algo que desconhecemos, não controlamos e eleva os níveis de stress é algo que tem um impacto negativo na nossa vida. Agora multipliquemos esse momento por quase todos os dias da semana, durante 4 meses. Não dá para imaginar, verdade?

Obviamente qualquer pai tenta, incessantemente uma resposta adequada para o seu filho que parece estar em sofrimento. Nestas tentativas nem sempre bem-sucedidas, acontece muitas vezes a interrupção prematura da amamentação, já que a mãe pensa que o bebé chora com fome e a quantidade de leite que produz não é suficiente.

Nisto, introduz o leite artificial, mas mesmo assim, o bebé tem dias em que não se consegue aguentar. Sim, aguentar é a palavra correta quando o cansaço bate à porta e as respostas são quase nulas. Ao esgotamento dos pais, surgem novas aquisições de leite artificial e, quando dão conta, já têm em exposição, na bancada da cozinha, os leites de todas as marcas. Mas continuam sem conseguir acalmar o bebé durante a maior parte dos dias. E entram numa espiral. Deixou de amamentar, afinal não é o tipo de leite artificial que influencia esta situação no seu filho e esta situação aumenta a irritabilidade e frustração da mãe e do pai. A interação entre estes e o bebé pode passar a apresentar algumas dificuldades caso a situação não se consiga controlar.

Por outro lado, há estudos que falam que, na infância, crianças que tenham tido estes episódios de choro intenso, têm maior propensão a alterações comportamentais, hiperatividade e perturbações do sono.

Não obstante ser uma situação normal e nem sempre conseguirmos o controlo da mesma, há técnicas que podemos colocar em prática e tentar a nossa sorte. No entanto, caso não seja bem-sucedido, não fique preocupado. Decerto está a fazer tudo corretamente.

Para terminar, deixamos então algumas sugestões:

  • Sempre que necessário procure ajuda dos profissionais de saúde que vos acompanham
  • Sempre que se sentir esgotada, deixe o bebé com o pai ou a avó e vá beber um copo com água. Respire fundo e regresse para junto do seu bebé quando estiver mais calma;
  • Reveze-se com o seu marido no cuidado ao bebé;
  • Acredite em si e não deixe de amamentar. Procure apoio, mas persista. A introdução de leite artificial aumenta o risco de cólicas e a permanência neste ciclo vicioso;
  • Quanto mais tranquila se encontra, mais fácil será tranquilizar o bebé. Se perceber que o bebé não tem fome, tem a fralda seca, já teve dejeções, tente fazer uma massagem na barriguinha e fale-lhe com suavidade e doçura;
  • Encoste-o a si e contenha-o. O contacto com o seu corpo, o seu calor, cheiro e batimento cardíaco acabarão por fazer milagres;
  • Pode colocar o seu bebé de barriga para baixo, no seu braço. Por norma promove algum alívio abdominal e ele sentir-se-á confortável;
  • Sons ritmados, como os que existem nas canções de embalar, por vezes têm o efeito calmante. Por isso, ponha em uso os seus dotes vocais e aprenda músicas infantis e tranquilas.
  • Existem alguns produtos naturais que ajudam a regular a flora intestinal com a finalidade de diminuir os episódios ou a intensidade das cólicas. Poderá aconselhar-se com o seu médico assistente.


Independentemente do que possa fazer para ajudá-lo a descansar, não o deixe a chorar sozinho. Isso fará com que o seu bebé perceba que os pais estão lá para quando necessitar. Lembre-se que ele esteve 9 meses (caso tenha nascido de termo) a ser embalado na sua barriga. Contido, quente e com alimentação sempre que necessitasse sem esforço. Após nascer, passa a ter que fazer tudo sozinho. A diferença é grande e a adaptação demorará algum tempo.

Tenha paciência! Aproveite para descansar quando ele finalmente tranquilizar.


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Amamentar na prematuridade

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Quando comecei este meu caminho com o pai, a mãe e eu, tentei perceber as necessidades dos pais que vivenciaram a prematuridade, principalmente no pós-alta. A minha experiência estava completamente focada para a fase do internamento e durante estas conversas houve uma crítica que me marcou profundamente. Sempre acreditei que, de uma forma geral, tínhamos uma prestação de cuidados virada para as necessidades do bebé e da família, mas a crítica fez-me refletir e rever vários momentos dos meus 15 anos de Neonatologia. 

Realmente tentamos sempre prestar os melhores cuidados, tendo em atenção o bem-estar e o adequado desenvolvimento do bebé, mas AINDA falha um aspeto muito importante. A AMAMENTAÇÃO.

Para quem não vivenciou a prematuridade, é importante referir que principalmente as mães se culpabilizam pelo nascimento prematuro. Consideram que não foram boas mães, que algo falhou neste seu percurso da gravidez, que fez com que o seu bebé tivesse como destino a incubadora e não o seu colo. Se somarmos a esta questão a impossibilidade em amamentar (quando esse era o maior desejo da mãe), então estamos perante uma mãe/ mulher devastada. 

É do conhecimento geral que o leite materno desce imediatamente determinadas condições e para isso não basta apenas o bebé ter nascido. É necessário o contacto físico, o cheirinho do bebé, situações que não existem na prematuridade, na maior parte das vezes. 


Então as mães de bebés prematuros estão "condenadas" a não amamentar? 

Nada disso. Mas aqui surge a crítica. É IMPORTANTE QUE HAJA O APOIO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE. E é aqui que por vezes falhamos. 

Se em situações de um parto normal, após gestação de termo, é importante o apoio à mulher e o reforço positivo que servem de alavanca ao sucesso, no caso de uma mãe de prematuro, esta situação reveste-se de maior importância. 

Portanto, se é mãe de um bebé prematuro, que neste momento está internado numa unidade de neonatologia, acredite! É possível sair da unidade a amamentar. 

Quando o bebé nasce, provavelmente não irá comer nas primeiras horas, talvez dias. Mas, a mãe poderá começar imediatamente a estimular a mama. Será muito importante que o primeiro leite que o seu bebé ingira seja o seu. 

É importante: 

  • assim que possível começar a estimular a mama, como se fosse o seu bebé. De 3/ 3h e no início e fim da noite, já que é neste período que a hormona que produz o leite está em circulação em maior concentração;
  • que quando puder ter o seu bebé ao colo, consiga ter contacto pele-com-pele (método canguru), já que um dos benefícios para a mãe é a produção de leite; 

  • mesmo que ainda demore a conseguir pegar no seu bebé, tente fazer a estimulação da mama quando está sentada ao lado da incubadora. O contacto visual e o toque são dois dos aspetos que também ajudam na produção de leite. 

Neste momento, decerto está a questionar sobre quando poderá o bebé pegar diretamente na mama. 

Dependendo da idade gestacional com que nasceu, o seu bebé poderá demorar mais ou menos tempo até o conseguir adaptar. No entanto, mesmo que o seu filho esteja a receber o leite por sonda, questione a enfermeira responsável por ele sobre a possibilidade de, ao mesmo tempo, ser adaptado à mama. Por vezes, este é o estímulo que necessitam para começar com alguns movimentos de sucção (mesmo que não sejam eficazes). Poderá também colocar-lhe a chucha, à medida que o leite vai correndo pela sonda, pois esta será uma ajuda preciosa no treino da sucção. 

É por volta das 34 semanas que o bebé começa a conseguir coordenar a sucção com a deglutição e, é nesta altura, que as enfermeiras começam a ficar mais tranquilas quanto ao treino de adaptar à mama. Poderá ainda acontecer que se canse. Que exista ainda uma dificuldade em coordenar a sucção-deglutição-respiração. Então é importante não forçar o bebé, para que não hajam retrocessos. 

Se ele se demonstrar recetivo, então deixe ver até onde consegue chegar, sempre com a ideia que, o que ele fez nesta mamada, pode não ser o desempenho que terá na próxima. As conquistas são pequenas e lentas e o importante é manter-se tranquila. 

Sempre que estiver com o seu bebé e a sua situação o permite, adapte à mama. Insista! Peça ajuda às enfermeiras. Quanto mais segura se sentir durante o internamento, menos dificuldades terá quando chegar a casa. 


E se já não estiver a conseguir produzir leite? Não será possível contornar esta situação? 

Sim, é possível, com muita paciência e com um pensamento positivo. Lembre-se que é possível uma mãe adotiva amamentar um bebé. É moroso, mas conseguimos fazer com que aconteça. Para isso, é importante continuar a estimular a mama e, na altura em que o bebé for mamar, colocar uma sonda colada à mama. Adaptar o bebé à mama para que também a sonda seja introduzida na boca deste. O leite mesmo que artificial, correrá pela seringa-sonda e será sugado pelo bebé à medida que este for mamando na mama (para esta situação é importante procurar ajuda de um profissional/ CAM que a ajude no procedimento). 

Desta forma, o seu cérebro perceberá que há um bebé a sugar na sua mama e que necessita haver produção de leite. E todo o processo começará a desenrolar-se. 

Tudo na vida requer perseverança, consistência e positividade. Se realmente quer amamentar de verdade, então acredite em si e no seu filho. O trabalho em equipa será bem-sucedido. 

Quando estiver em casa e o pesadelo do internamento tiver terminado, não duvide de si. É natural que o peso oscile um bocadinho. Que o bebé passe a aumentar menos do que no internamento, mas é tudo uma situação transitória. Garanta que quando ele mama, mama sem pausas prolongadas e que as fraldas têm sempre urina. Vá falando com a enfermeira e/ ou médico assistente em caso de dúvida. Eles são as melhores pessoas para a ajudar neste percurso. 


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Geração online

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

As novas tecnologias são muito importantes para a nossa evolução e desenvolvimento de novas habilidades. Mas, como tudo, tem também os seus contras. 

Há uns anos (muitos), os computadores eram usados apenas por alguns e quando mesmo necessário. Aprender a mexer neles não foi a mais difícil das tarefas, mas a caneta e o lápis foram os preferidos durante muito tempo. 

No entanto, as crianças parecem nascer já com conhecimentos informáticos e, em tenra idade, manuseiam um telemóvel como ninguém. Ficam completamente vidrados no ecrã e o estado de hipnose é tal, que não existem birras e o mundo parece parar. Surgiram assim as novas babysitters, as babysitters digitais. São baratas, disponíveis a qualquer hora do dia e pelo tempo que considerarmos necessário. Ideais para reuniões de família ou amigos ou até, quem sabe, durante as compras no supermercado. 


Mas será o mais adequado? 

Uma das maiores preocupações dos pais é poder haver problemas de visão, motivadas pelo uso excessivo dos ecrãs e, sobre isso, temos já um artigo redigido pela Dra. Lígia Figueiredo e que pode consultar aqui. Mas, os problemas não se resumem apenas a este aspeto. Senão vejamos. Porque razão as crianças pequenas utilizam os dispositivos? 

  1. Porque os pais, irmãos e todos os que as rodeiam utilizam algum ecrã;
  2. os sons e as cores atraem a atenção;
  3. quando são removidos da sua posse, fazem uma birra;
  4. ficam calmos. 

E a partir de que idade as crianças podem usar os telemóveis ou computadores? Será benéfica a sua utilização?

De acordo com as indicações de 2013, da Academia Americana de Pediatria, os ecrãs (tablet, TV, telemóvel ou computador) não estão recomendados em crianças com menos de 18 meses e, entre os 18 meses e os 2 anos, não deverão passar mais do que 1h em frente a um dispositivo. Tendo sempre em atenção que as crianças não devem utilizá-los sozinhas e que apenas devem servir como complemento a uma atividade lúdica com os pais/ cuidadores. 

Se, por um lado, a utilização dos dispositivos possa ajudar na aprendizagem (as cores, números,...), por outro poderão levar a: 

  • atraso cognitivo, da linguagem e da motricidade;
  • diminuição do tempo total do sono (em qualquer idade), com dificuldade em adormecer e despertares frequentes. Isto porque a luz do dispositivo diminui a quantidade de hormona que induz o sono (melatonina) e leva a que a criança tenha dificuldade em adormecer. 

Para além destes aspetos, é importante ainda referir outro bastante importante. É normal (levante o dedo quem ainda não o fez) oferecerem-se os telemóveis e escolher a espetacular aplicação do YouTube durante as refeições. Mas, o que acontece quando as crianças estão entretidas com o telemóvel? 

Não aprendem que as refeições são para ser realizadas em família; não estão atentas aos sabores, cores e texturas dos alimentos e este momento pode tornar-se stressante caso um dia não seja possível oferecer o telemóvel. O ideal e o que recomendamos é que as refeições sejam realizadas em família e sem qualquer tipo de distração. 

Quando a nossa idade-chave passa a ser a idade escolar e a adolescência, precisamos ter em mente que as novas tecnologias passam a ser uma constante no seu dia-a-dia. Atualmente a escola integra as novas tecnologias como ferramenta para complementar a aprendizagem e a utilização torna-se frequente. Para além disso, os jogos de computador passam a ser uma constante e uma forma de se integrarem num grupo, já que todas as crianças/ adolescentes acabam por ter as mesmas preferências. 

Por outro lado, os pais oferecem telemóveis cada vez mais cedo e o Whatsapp, Facebook e Tik Tok passam a fazer parte do quotidiano e conseguir interagir nas redes sociais fá-los entrar num mundo cool. 

A verdade é que a socialização virtual é atualmente uma realidade que pesa bastante, muito em parte pelos jogos online que os leva a conhecer pessoas nos 4 cantos do mundo. Conseguem adquirir algumas estratégias de defesa com os jogos, assim como a rapidez de reação. Acresce o facto de os fazer sentir integrados no seu grupo (como referi anteriormente), situação tão importante na adolescência. Por outro lado, fomenta a criatividade e a capacidade de escrita. 

Mas, como "não há bela sem senão", mesmo com os aspetos positivos, há aspetos mais desafiantes que devem ser ponderados e tidos em conta para estabelecer limites. 

Com a existência de televisão na cozinha e de telemóveis, as refeições em família perderam a sua essência de momento familiar privilegiado para a comunicação. E que tal decidirem, todos os elementos da família, colocar os telemóveis na sala, durante as refeições?

Aproveitem para conversar, partilhar o vosso dia, as vossas preocupações, ... É importante voltarmos a conseguir conversar, sem pressas e envolver todos os elementos da família nos problemas/ preocupações/ dúvidas que possam existir. Verão como isso vos aproximará mais. 

Por outro lado, os telemóveis nos recreios e os videojogos em casa diminuem a competência para "socializar olhos-nos-olhos". 

Para além disto, a exposição social pode ser um risco, dado que as crianças/ adolescentes publicam todos os seus problemas nas redes sociais e, muitas vezes, os pais só se apercebem ao fim de uns dias. Aumenta desta forma o risco de cyberbullying, extorsão e coação sexual levando a que haja uma necessidade de fomentar a literacia digital tanto das crianças, como dos pais, de forma a poderem evitar ou diminuir o perigo e ajudar os filhos a fazê-lo.

Tendo em conta tudo o que já foi descrito, deixo algumas dicas que poderão ser colocadas em prática com os seus filhos. 

  1. Oferecer ecrãs o mais tarde que conseguirem e limitar o uso de acordo com a idade;
  2. Utilizem as novas tecnologias como complemento à aprendizagem, mas não para utilização sem vigilância;
  3. Caso os seus filhos estejam em idade escolar e adolescência, tentem um acordo com eles e estabeleçam um limite de utilização lúdica das novas tecnologias;
  4. Se não for mesmo necessário os seus filhos levarem telemóvel para a escola, deixem-no em casa e estabeleçam um limite de tempo, por dia, para a sua utilização;
  5. Evitem ecrãs, pelo menos, 2h antes dos vossos filhos irem para a cama;
  6. Vigiem as suas redes sociais e ativem as definições de segurança, de forma a diminuir o risco de desconhecidos entrarem em contacto com os vossos filhos. No caso de serem adolescentes, tentem conversar com eles e tentem perceber se há algum problema ou preocupação. Conversem tranquilamente, sem pressões, para que possa haver uma partilha e não uma discussão. Mostrem-se disponíveis para escutar;
  7. Organizem atividades em família, jogos de tabuleiro, jogos tradicionais, momentos de leitura que fomentem a relação e comunicação familiar. 
Recordem-se que a família e as tecnologias devem ser dois elementos completamente interligados, mas nada deve substituir o tempo de qualidade entre pais e filhos. 




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o pai, a mãe e eu... e a educação!

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Educar uma criança nunca foi fácil, impera sempre o medo de que aquilo que estamos a fazer leve a que esta criança não se sinta amada, não seja um adulto íntegro, de bons princípios...

No entanto, também acredito que a sociedade não ajude quando as receitas surgem em catadupas. A piorar temos cada vez mais famílias isoladas, cansadas e a quem não é sequer oferecido apoio. Antigamente, a vida em comunidade levava a que as mulheres mais velhas suportassem as mães mais novas e estas últimas se sentissem mais apoiadas. Neste momento, o apontar de dedos pode ser uma realidade e fazer com que a mãe e pai se sintam "incompetentes" no seu papel. 

Ao longo destes anos a contactar com diferentes famílias, em diferentes contextos, fui-me apercebendo que não há famílias perfeitas e nunca poderá haver. No entanto, há as mais assertivas e aquelas que demonstram maior dificuldade. Tenho percebido também que as inseguranças e a falta de assertividade, muitas vezes despoletadas pelo cansaço e falta de apoio, moldam completamente o desenvolvimento de uma criança e consequentemente o seu comportamento. 

Uma coisa que costumo dizer nas minhas consultas, a todas as famílias que por lá passam é que a palavra Não, também significa Amor. Embora pareça uma palavra que carrega em si uma conotação negativa, é importante que a criança a aprenda a ouvir e que saiba os motivos para ela lhe ser proferida. Isto, para além de estabelecer limites tão importantes ao seu crescimento, levará a que ela cresça com consciência que a vida, em muitos momentos, lhe dirá "Não" e esta frustração inerente permitirá que ela mude de direção e caminhe em busca de alternativas. 

No entanto, este Não terá sempre de ser dito com amor. Explique à criança o motivo de não lhe ser permitido fazer algo que ela tanto deseja naquele momento. Pode demorar até que ela interiorize que os pais não vão mudar de opinião, mas mantenha a sua posição até ao fim. O que vai ficar deste momento é que a mãe e o pai não vacilam, são firmes e não há estratégias que possam mudar isso. São firmes tanto nos limites, como no amor. 

Se, pelo contrário, a sua opinião mudar, porque a criança até foi meiguinha ou chorou e fez uma birra, o que fica é que se perpetuar estes comportamentos, os pais mudarão sempre de opinião. Estamos, neste caso, a ser o motor para o capricho e manipulação por parte das crianças. 

Outro aspeto com que me tenho deparado também é a "idade da criança". Pais que consideram que crianças de poucos meses não entendem o que falamos com elas e o seu sentido. Que com 1 ano de vida, a criança ainda pode fazer o que quiser, porque o tal "Não" referido em cima é muito forte. "Oh! E fica tão engraçada a fazer aquelas malandrices!"

Pois é! Mas as criança compreendem muito bem o que lhes é dito e não hã idade mínima, nem máxima, para a educação e para educar.

E com estas palavras começarão a pensar que sou apologista da punição. Da bela palmada. Na sua infância, quem não levou um enxota-moscas, levante o dedo. Pois... muito provavelmente todos fomos brindados com isso no momento certo. Mas, será mesmo necessário levantar a mão a uma criança? Será que, se optarmos por conversar e usarmos a assertividade com uma pitada de amor, adicionadas ao discurso adequado à idade da criança, a palmada não deixa de ser necessária?

Ou o grito! O que sente quando gritam consigo? As crianças são como nós. Vão sentir-se humilhadas, intimidadas quando podemos evitar todos esses maus sentimentos. Esta situação provocará marcas que permanecerão para sempre na criança e futuro adulto. 

Lembre-se que é o influencer e que o seu seguidor verá em si um modelo. Não perpetue o medo, a insegurança. Mas para isso, estes sentimentos também não poderão fazer parte de si. Como disse no início deste artigo, educar não é fácil, mas a coerência é necessária. 

Lembre-se que não podemos exigir algo que não damos. Olhe para o (a) seu (sua) filho (a) e veja-se ao espelho. Gosta do que vê? 

A criança de hoje será o adulto de amanhã! 



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A gravidez e a saúde oral

terça-feira, 27 de outubro de 2020

 A gravidez traz consigo grandes mudanças na mulher e, inevitavelmente, na família. É nesta altura que se repensam os hábitos de vida, em prol do adequado desenvolvimento do bebé. E, embora comecem a haver mudanças, algumas acabam por cair no esquecimento. 

Hoje iremos abordar um dos aspetos mais importantes da gravidez e que é, em grande parte das vezes, descurado. E com isto refiro-me à saúde oral. Talvez este "esquecimento" ocorra muito em parte por questões financeiras. Mas já lá chegaremos. 

Dizem que, durante a gravidez, o sangramento das gengivas é perfeitamente normal. Mas será mesmo normal? Podemos desde já dizer que não. Não é normal e este é um dos sinais que necessita para agendar uma consulta com um dentista. 


Mas então, porque razão será tão importante cuidar dos dentes durante a gravidez?

A resposta é simples e assustadora. É importante cuidar dos dentes durante a gravidez, porque uma mãe com problemas dentários, futuramente terá uma criança com os mesmo problemas. 

Estima-se que um quarto das mulheres em idade fértil (com idade para engravidar) apresenta cáries e que cerca de 30% das grávidas apresentam gengivite (inflamação das gengivas provocada por uma higiene deficiente ou por alterações hormonais). 

Por outro lado, vários estudos indicam a possível relação entre cáries e os partos prematuros ou restrições de crescimento in utero. Isto porque, as cáries são causadas por bactérias que, quando viajam pela corrente sanguínea, poderão provocar outras reações e desencadear o parto prematuro ou a restrição de crescimento. 

Por último, informar ainda que em 70% dos casos estudados, é a mãe que transmite estas bactérias à criança, aumentando em muito o risco de aparecimento de cáries. 

Sim, isto é verdade e passo a explicar a razão. 

As cáries dentárias são a doença infeciosa crónica mais frequente, mais até do que, por exemplo, a asma. No entanto, são completamente passíveis de prevenir através da mudança de hábitos de higiene e alimentares. 


E porque razão os problemas dentários são, de certa forma, transmissíveis?

Já reparou, certamente, numa mãe a certificar-se da temperatura da sopa levando a colher à sua própria boca antes de a oferecer ao filho. Quase todas as mães o fazem de forma inconsciente e, por isso, sem se aperceberem do aspeto nocivo desta ação. 

Pois é! Algo tão simples pode significar a transmissão da bactéria que é a causadora das cáries. Isto, ou o limpar a boca/ cara da criança com a nossa saliva, o lamber a chucha porque caiu ao chão, antes de a dar novamente à criança... Neste caso, incluímos aqui também o pai, a vó ou outra pessoa significativa e cuidadora. Importante salientar que a colonização (infeção pela bactéria) pode acontecer desde o nascimento, mas tem maior probabilidade de ficar retida na boca após o nascimento do primeiro dente. 


Mas, foquemo-nos em si, que está grávida. O que poderá fazer para diminuir o risco de vir a ter cáries e de as transmitir ao seu bebé?

Tendo em conta o que dizem os especialistas e a Direção-Geral da Saúde, deixamos aqui alguns conselhos: 

  • escovar os dentes duas vezes ao dia, com pasta com flúor e uma escova macia;
  • limitar a ingestão de alimentos açucarados às refeições e fora delas;
  • optar por beber água e/ ou leite magro, em vez de bebidas açucaradas;
  • dar preferência à fruta em vez de sumos de fruta naturais. 


Se está permanentemente nauseada (maldisposta) e a vomitar, deve acrescentar as seguintes medidas: 
  • comer pequenas quantidades de alimentos nutritivos ao longo do dia;
  • bochechar, após vomitar, com uma solução composta por 1 colher de chá de bicarbonato de sódio, num copo de água. Esta solução eliminará o ácido que ficar nos dentes, evitando a sua destruição. 

Para complementar estas medidas, há estudos que indicam que, se a futura mãe bochechar diariamente com produtos prescritos pelo dentista, a partir dos 6 meses de gestação, diminui drasticamente a colonização da boca e a transmissão das bactérias para o filho. Existe também outra medida, embora ainda pouco se conheça relativamente a dosagens e duração do uso. Esta medida tem a ver com o uso de pastilhas Xilitol, após as refeições. O xilitol é um adoçante natural, encontrado nas fibras de muitos vegetais e que tem um efeito positivo no controlo das bactérias na boca, pois embora doce, inibe o crescimento destas últimas e não prova cáries. 


Por último, falta abordar a questão da visita ao dentista. 

Referem as diretrizes que a visita ao dentista deve ocorrer entre as 14 e as 20 semanas de gestação, pois embora o risco de aborto provocado pelo tratamento do dentista seja mínimo em qualquer momento da gravidez, este é o período ideal. 

Se tiver tido uma visita ao dentista nos últimos 6 meses, recomenda-se que agende uma nova visita que, idealmente deverá acontecer ainda durante a gravidez. Caso a sua última visita tenha sido há mais de 6 meses, deverá agendar uma antes das 20 semanas. 

E aqui surge a questão mencionada no início deste artigo. Por norma, estas consultas são tão dispendiosas que, para muitos portugueses, tratar dos dentes só em última instância. Foi a pensar nisso que a Direção-Geral da Saúde criou o Cheque Dentista. 

Então mas o que é isto? Todas as grávidas têm direito? Não é um direito apenas em vigor para as crianças?

O cheque dentista funciona como um voucher que dá acesso a um conjunto de cuidados ao nível da saúde oral, quer na prevenção, quer no diagnóstico e tratamento. 

Este voucher pode ser utilizado em qualquer parte do país, mas o médico deverá ter aderido ao Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral. Para saber quais os médicos aderentes, pode consultar a lista no sítio da internet do SNS24.

Todas as grávidas têm direito a 3 cheques dentista, completamente gratuitos e que devem ser utilizados até 60 dias após o parto. 

Não se esqueça que a saúde oral é muito importante e que uma grávida saudável significa um bebé saudável. 

Aposte na sua saúde oral... pelo seu filho!


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Os cocós dos bebés

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

 "O meu filho não faz cocó!" ou "O meu filho faz cocó verde!" ou ainda "O meu filho faz demasiado cocó!". Estas são as frases que mais ouço durante as minhas consultas. Manifestamente uma das maiores preocupações dos pais, nos primeiros meses de vida dos seus filhos. 

Mas qual a razão desta preocupação? Serão as cólicas que muitas vezes estão associadas? Será a informação que se encontra pela internet e que nem sempre é a mais fidedigna?

Uma vez que a preocupação é frequente e transversal, decidi que este tema merecia ser alvo de um artigo. Aqui tentarei esclarecer quanto à coloração, frequência e consistência das fezes e deixar algumas dicas que poderão ser úteis para a resolução de alguns problemas que possam surgir. 

Sendo assim, aqui vamos nós. 

Durante a gestação, o intestino encontra-se completamente formado a partir das 8 semanas. Por volta das 10 semanas de gestação, este começa a trabalhar, absorvendo o líquido amniótico que o feto ingere e que será eliminado em forma de urina. É nesta altura que se começa a produzir o mecónio (primeiras fezes do bebé, verde e espesso, com aspeto tipo "pastilha elástica"). 

Por norma e em situações normais, o bebé apenas evacua o mecónio após o nascimento, tendo o colostro (primeiro leite produzido pela mãe e que parece uma "aguadilha") uma função facilitadora para esta primeira dejeção. Ao fim de mais ou menos 3 dias, as características das fezes mudam, dependendo do tipo de leite (materno ou artificial) ingerido pelo bebé. Caso a mãe amamente, as fezes características do leite materno são amarelas, líquidas e a maior parte das vezes com grânulos, tipo "papa mal passada". Caso o leite oferecido seja o artificial, as fezes tendem a ser mais pastosas e uniformes, de cor também amarelada. 

Por vezes, as fezes tomam a tonalidade verde ou acastanhada. Esta mudança de cor poderá estar associada à alimentação da mãe, caso esteja a amamentar. No entanto, existe outra corrente que refere que o contacto do ar com as fezes na fralda oxida-as, atribuindo-lhes a tonalidade verde. Por isso, não precisam preocupar-se! 

Há, no entanto, necessidade de procurar ajuda por parte do médico assistente e/ ou enfermeira, caso as fezes: 

  • estejam muito escurecidas (e aparentemente com sangue misturado) e tenham cheiro muito intenso;
  • sejam muito claras/ esbranquiçadas;
  • tenham sangue vivo;
  • sejam muito moldadas ("bolinhas"). 

Como já referi antes, as fezes tendem a ser mais líquidas e, nas primeiras semanas, será normal que haja uma dejeção em cada mamada. Contudo, não há bebés iguais, com o mesmo comportamento e, por isso, cada um terá um padrão intestinal diferente. Assim, também é normal que o seu bebé tenha apenas uma dejeção por dia. Após o primeiro mês de vida, dizem os especialistas que, os bebés poderão passar quase 5 dias sem evacuar, dado que se pensa que nesta fase todo o leite materno ingerido é totalmente absorvido. Obviamente que se o bebé mostrar desconforto, deverá ajudá-lo a evacuar, com massagem abdominal e/ ou estimulação. No entanto, aconselho-vos a tentar que o bebé evacue pelo menos uma vez por dia. 

Como já percebemos, o número elevado de dejeções não é de todo sinónimo de diarreia, pelo que não deverá suscitar qualquer preocupação. 

Aos 6 meses de vida, com o início da alimentação complementar, as características das fezes irão assemelhar-se muito às do adulto. Fezes castanhas, mais moldadas e cheiro mais intenso. Alguns alimentos tendem a provocar obstipação (dificuldade em evacuar), pelo que, em caso de dúvida, devem contactar a enfermeira/ médico que vos acompanha. 

Por último, pensando que por vezes as fezes se tornam mais ácidas e provocam assaduras, deixar uma dica sobre a higiene do rabinho. 

No dia-a-dia, em casa, devem utilizar água e sabão e um pano para secar devidamente a pele do bebé. As toalhitas deverão ter uso exclusivo fora de casa, já que não se torna prático levar água num recipiente, para lavar o rabinho. Isto porque, o uso permanente de toalhitas fragiliza a pele e promove, elas próprias, assaduras. 


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A baba e os dentes

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

É vulgar dizer-se que um bebé, quando começa a "babar-se" (salivar) muito, tem os dentes prestes a nascer. Mas, se o seu bebé tem menos de 6 meses, a causa não será essa. 

Faz parte do normal desenvolvimento da criança, esta começar a salivar em grande quantidade, entre os 2 e os 4 meses. É nesta altura que as glândulas salivares (glândulas que estão na boca e que produzem saliva) iniciam a sua produção de saliva. Contudo, este amadurecimento não é acompanhado pelo desenvolvimento muscular da boca e garganta (orofaringe), o que faz com que a criança não consiga deglutir a maior parte da saliva que é produzida. Esta situação poderá durar até após os 12 meses. Note-se que, principalmente na fase adulta, as glândulas salivares produzem, por dia, perto de 1 a 2L de saliva. 

Parece-nos importante salientar que a saliva desempenha um importante papel na saúde oral e na digestão. Ela lubrifica e humedece os alimentos, facilitando a mastigação e deglutição. Ajuda também, através dos seus componentes, a iniciar a digestão. Para além disso, ao humedecer a boca, permite controlar o crescimento de bactérias, diminuindo a probabilidade de aparecerem cáries. 

Mas, o que poderá fazer para evitar que o seu filho permaneça molhado devido à baba?

Com o aumento da saliva, a criança passa a ter o rosto e pescoço molhados. Se não for frequentemente limpo, a pele poderá macerar e levra a infeções provocadas por fungos. Desta forma deve:

  • colocar um babete na criança e mudá-lo com regularidade;
  • secar, com frequência, a cara e pescoço, para que estas zonas não fiquem molhadas durante muito tempo;
  • caso a pele do pescoço comece a ficar avermelhada, pode colocar uma camada muito fina sa pomada que utiliza no rabinho;
  • vigiar sinais de agravamento e consultar a enfermeira/ médica de família/ pediatra, caso perceba que não há melhoras nos sinais da pele. 

Não obstante, também é verdade que, quando os dentes começam a nascer, a salivação pode acontecer de forma acentuada, devido ao desconforto gerado pelo rompimento da gengiva. 

Esta situação, por norma, ocorre a partir dos 6 meses. Pode verificar que o seu bebé fica muito incomodado, as gengivas estão inchadas e vermelhas e a criança tende a levar tudo à boca e "raspar" as gengivas. 

Assim, aconselhamos:

  • ofereça um mordedor, alguns dos quais têm gel que deve refrigerar (no frigorífico ou congelador) antes de oferecer à criança, já que isso irá proporcionar alívio do desconforto, por diminuição da inflamação;
  • pode utilizar uma compressa embebida em água fresca e aplicar nas gengivas da criança;
  • utilizar algum produto natural, adquirido na Farmácia e que proporcione alívio do desconforto. 


O nascimento dos dentes provoca algum desconforto adicional na criança?
É frequente os pais associarem a diarreia ou outros sintomas gastrointestinais, ao nascimento dos dentes. No entanto, esta relação não é causa efeito. O que poderá acontecer é uma diminuição da imunidade e, como as crianças passam a estar mais sensíveis, levar a que adoeçam mais facilmente. 

Caso haja alguma alteração, procurem o apoio do profissional de saúde que vos tem acompanhado. 


Quando os dentes rompem, há algum cuidado a ter?

Sim! Quando os dentes começarem a romper, deve ter o cuidado de lavar os dentinhos pelo menos 2 vezes ao dia, sendo que uma das vezes deve, obrigatoriamente, ser ao deitar. 

Para a higiene dos dentes, poderá utilizar inicialmente uma dedeira ou compressa. Mas poderá adquirir uma escova com cerdas macias e utilizar pasta de dentes para crianças (com flúor na quantidade de 1000 a 1500 ppm). 


Quando deverá ser feita a primeira visita ao dentista?

A primeira visita deverá ser feita assim que o primeiro dente romper, ou seja, a partir dos 6 meses. Pode parecer-vos estranho, mas nesta altura o dentista colherá os dados da vossa história ao nível da saúde oral e identificará o risco para a criança. Quanto mais cedo esta avaliação for feita, com maior antecedência se inicia a prevenção de cáries. Para além disso, vai permitir à criança familiarizar-se com o dentista e toda a parafernália existente no consultório, levando a menos momentos de ansiedade, no futuro. Em todo o caso, poderão ler sobre esta questão no artigo publicado no nosso blogue.


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