Crosta Láctea
A Dermatite Seborreica, também denominada Crosta Láctea é caracterizada por se apresentar como crostas de cor amarelada, que aparecem no couro cabeludo, podendo estender-se à testa, sobrancelhas e, por vezes, orelhas.
É comum aparecer nos recém-nascidos (entre as 2 e as 6 semanas de vida) e desaparece, normalmente, antes do ano de vida ( entre os 7 e os 8 meses).
Esta situação ocorre dado que há uma produção excessiva de gordura por parte das glândulas sebáceas nesta zona do corpo, que pensa-se em resposta às hormonas maternas que ainda se encontram em circulação.
Embora tenha um aspeto desagradável, esta situação não causa qualquer desconforto no bebé. No entanto, torna-se importante vigiar a coloração da pele circundante e a saída de líquido amarelado das lesões. Poderá significar uma pequena inflamação, com necessidade de acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.
O que poderá utilizar para remover estas crostas?
Trinta minutos ou uma hora antes do banho poderá aplicar vaselina ou óleo de amêndoas doces na cabeça do bebé. Atenção!!! Não Aplicar nas sobrancelhas, já que poderá entrar nos olhos e provocar reação. Depois, no banho, com água tépida e usando um pente deve tentar remover as crostas de forma suave.
Hoje em dia já existem algumas marcas de cosmética, com gamas pediátricas, das quais faz parte o creme específico para a crosta láctea. É uma questão de experimentar o que tem à sua disposição.
Caso tenha dúvidas, deverá sempre contactar o profissional de saúde que vos acompanha.
o pai, a mãe e eu
Entrevista a Elisabete Abrantes - Alergia Alimentar
As alergias alimentares são atualmente um problema crescente a nível mundial.
Gostaríamos de perceber e de dar a conhecer de que forma este problema tem impacto no dia-a-dia das famílias que por ele são afetadas.
1- A sua filha é alérgica a que alimento?
Ela é alérgica a bacalhau, marisco, especiarias, conservas, enlatados, frutas tropicais, chás,...
2- Existe alguém na família com história de alergia alimentar?
Que eu tenha conhecimento, não existe ninguém com alergias.
3- Quando e como descobriu que a sua filha era alérgica a todos esses alimentos?
Descobri quando introduzi os alimentos aos 4 meses. Foi uma experiência complicada, porque começou a vomitar e o corpo ficou cheio de borbulhas.
4- O que teve de mudar no seu dia-a-dia? A família também mudou os seus hábitos alimentares?
Mudou tudo quando se soube que a L. era alérgica. Mudámos a alimentação de toda a família para não corrermos riscos. Para os irmãos, esta mudança foi complicada até conseguirem habituar-se.
5- Como foi educar a sua filha para conviver com este problema? Foi fácil para ela perceber que não podia comer grande parte das coisas que todos os outros podem? Aceitou bem não poder aceitar comida, por exemplo, na escola ou em festas de aniversários dos amigos?
A L. aprendeu a lidar com a situação bastante rápido. Hoje tem 11 anos e sabe bem o que pode e não pode comer. Alguns colegas acham a L. estranha em relação à alimentação.
6- Quais as principais limitações que sente? Como é, por exemplo, organizar uma viagem ou um fim-de-semana em família?
A limitação é mesmo a leitura dos rótulos... todos tivemos de aprender. Relativamente a eventos, tentamos não organizar, nem frequentar casamentos e batizados. Quando fazemos uma viagem a cinco, procuro sempre levar a alimentação dela.
7- Acha que o país e a sociedade em geral estão preparados para conviver com este tipo de problemas? Da sua experiência, as pessoas percebem as restrições ou muitas vezes associam a caprichos?
Não, não estão preparados. Consideram que este tipo de restrições alimentares não passam de mimos, caprichos, onde uma boa palmada podia resolver.
8- Recebe algum tipo de apoio financeiro, visto ter gastos superiores na alimentação da sua filha?
Sim, recebo abono complementar. para isso foi necessário o médico fazer prova do problema da L.
9- Teve alguma formação de como agir, caso a sua filha sofra uma reação anafilática (reação alérgica exacerbada, com compromisso respiratório)?
Não. Quando o corpo reage de maneira diferente, como já aconteceu começar a inchar de forma exuberante, dirijo-me ao hospital mais próximo.
10- O que acha que poderia facilitar o seu dia-a-dia com a sua filha?
Parece-me que o que poderia facilitar era a formação como atuar em caso de reação exacerbada.
Licença para assistência a filho
Dina Fernandes
- Direito do trabalho e Segurança Social;
- Insolvência e recuperação de empresas e pessoas singulares;
- Direito comercial e societário;
- Propriedade intelectual e proteção de dados pessoais;
- Contencioso.
Plano de Nascimento
- início espontâneo das contrações;
- respeito pelos tempos de nascimento;
- ambiente e espaço físico, por exemplo, luzes baixas música ambiente escolhida pela parturiente/ casal;
- acompanhante(s) durante o trabalho de parto e parto;
- métodos de alívio da dor, não farmacológicos/ farmacológicos;
- liberdade de movimentos durante o trabalho de parto;
- tipo de monitorização do bem-estar do bebé;
- posição para o nascimento do bebé;
- corte tardio do cordão umbilical por pessoa significativa;
- apoio no aleitamento materno;
- alojamento conjunto mãe-bebé;
- primeiro banho;
- ...
- acompanhante;
- solicitar descrição de todo o procedimento;
- corte tardio do cordão umbilical;
- contacto pele com pele;
- música durante a cirurgia;
- ...
Cláudia Cardoso
Promova o desenvolvimento psicomotor em sua casa
Para entender melhor que tipo de atividades podem ser desenvolvidas em determinada idade, devemos compreender como progridem os fatores psicomotores:
1º fator - Tonicidade, surge no primeiro ano de vida e associa-se, como o nome indica, ao tónus muscular, pelo que deve ser trabalhado através de questões corporais como alongamentos, reforço muscular, ...
2º fator - Equilibração, entre o primeiro e o segundo ano, a criança explora o plano vertical, sendo importante o trabalho de brincadeiras que estimulem os apoios (com os dois pés ou só um), saltos, ...
3º fator - Lateralidade, até ao terceiro ano, a criança, após compreender as dimensões anteriores (horizontal, vertical) é capaz agora de iniciar a diferenciação do seu espaço interno (noção de um lado e do outro);
4º fator - Noção corporal, do terceiro ao quarto ano a criança necessita de vivências e consciencializações corporais, assim como, promoção do controlo de si mesmo;
5º fator - Estruturação espacio-temporal, até aos 5 anos é aprimorada a capacidade de compreender o espaço envolvente, noções de ritmos e localização temporal;
6º fator - Praxia global, dos cinco aos seis anos, a criança necessita de brincadeiras que envolvam coordenação, agilidade, dissociação de membro;
7º fator - Praxia fina, até aos sete anos é aprimorado o último fator para permitir a pega de lápis, manuseio de objetos pequenos, entre outros.
Conhecendo agora como o desenvolvimento progride e as respetivas competências, podemos passar à prática. O tempo em família é cada vez menor, com rotinas rígidas e pouco tempo, por isso seguem alguns exemplos de tarefas ou atividades que podem ser realizadas em casa, num curto espaço de tempo:
- ajudar no transporte de pequenos objetos;
- realizar percurso com almofadas ou criar pequenos fortes;
- manusear objetos com diferentes texturas;
- amassar folhas;
- contar histórias, interaja com a criança, peça para virar páginas, apontar para algo;
- concurso de caretas;
- desenhar com espuma de barbear (atenção à supervisão);
- brincar no parque ou no jardim de casa, pedir para ajudar a apanhar folhas e pedrinhas (agrupar por categorias);
- pedir à criança que seja o copiloto, informando sobre o caminho de volta;
- estender meias;
- fazer colares de massa;
- ajudar na cozinha;
- dar responsabilidades (arrumar brinquedos, fazer a cama, ...);
- brincar com os jogos que tem em casa;
- ...
A importância de brincar
- o desenvolvimento motor;
- o desenvolvimento social;
- o desenvolvimento cognitivo;
- o comportamento adaptativo (IDEIA, 2004).
- Jogo funcional;
- Jogo condicional;
- Jogo com regras;
- Jogo dramático.
- O jogo é um dos domínios do desenvolvimento, através do qual se pode motivar a criança para a aprendizagem e implementar a criatividade;
- O jogo é um suporte ao desenvolvimento de áreas como a cognição, linguagem, comunicação e desenvolvimento social;
- O jogo é um importante instrumento para identificar a existência de atraso ou dificuldades no brincar/ jogo nas crianças.
- Implementar e dar suporte ao desenvolvimento das atividades lúdicas;
- Utilizar os contextos naturais para os propósitos do jogo;
- Monitorizar os ganhos/ progressos no jogo e repercussão noutras áreas;
- Atenção à tensão entre o tempo de brincar e o das atividades pré-académicas (tempo de brincar é tempo de qualidade para aprender!).
Maria do Carmo Vale
- desde 2013 em atividade clínica privada e coordenadora da Unidade de Pediatria do Neurodesenvolvimento, da Fundação Nossa Senhora do Bom Sucesso (IPSS);
- 2004 - 2013: Coordenadora do Centro de Pediatria do Neurodesenvolvimento, do Hospital de Dona Estefânia (HDE);
- 2004 - 2011: Chefe de Equipa do Serviço de Urgência, do HDE;
- 1991 - 2004: Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, do HDE;
- 1999: Subespecialidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, pela Ordem dos Médicos.
- 1990: Especialidade de Pediatria Médica, pelos Hospitais Civis de Lisboa e Ordem dos Médicos;
- 1983 - 2013: Assistente Hospitalar Graduada de Pediatria Médica, no HDE.
- 2017 e 2019: Professora Coordenadora de Curso Pós Graduado em Neurodesenvolvimento da Criança e do Adolescente - 1ª e 2ª Edições - NOVA Medical School:
- 2015 - Doutoramento na Especialidade de Medicina da Mulher, Infância e Adolescência - Pediatria;
- 2007 - 2013: Assistente Convidada da Disciplina de Pediatria, no âmbito do mestrado integrado da Nova Medical School, Universidade Nova de Lisboa.
- 2001: Mestre em Bioética, pela Faculdade de Medicina de Lisboa.
- Desde 2011: Membro da Comissão de Ética da ARSLVT;
- 2009 - 2018: Nomeada pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) representante da Saúde, na Subcomissão Regional do Sistema Nacional de Intervenção Precoce (SNIPI);
- 2006 - 2009: Comissão Consultora da ARSLVT para a Área da Saúde da Criança e do Adolescente;
- 2005 - 2011
- Membro da Comissão Executiva da Comissão Nacional de Ética para a Investigação Clínica (CEIC), por nomeação do Ministério da Saúde;
- Membro da Comissão Plenária da Comissão Nacional de Ética para a Investigação Clínica (CEIC)
- Chefe de Equipa do Serviço de Urgência do HDE; - 2005 - 2010: Presidente da Comissão de Ética para a Saúde, do HDE;
- 2003 - 2004: Vice-Presidente da Comissão de Ética para a Saúde, do HDE.
Birras: o eterno dilema
- Sono e fome nunca fez bem a ninguémAs crianças tendem a fazer mais birras quando têm fome, sono ou quando ficam doentes... e é normal! Até nós adultos nos sentimos completamente diferentes quando estamos com fome e não conseguimos comer a horas. Assim, lembre-se que cada criança tem o seu próprio ritmo e que uns precisam de comer mais ou dormir mais que outros em determinadas alturas do dia.
- Falar simples e direto - ajuda mesmo!Quando nos irritamos, a tendência é para falar mais e mais alto - pois é! Mas deveria acontecer exatamente o oposto.Deste modo, se a criança fala com uma ou duas palavras, o máximo que deveríamos usar seriam duas palavras. Se perceber que o seu filho, mesmo com um discurso simples, não consegue resolver a birra, ajude-o a cumprir o que pediu ou até mesmo sair do lugar onde se encontra o estímulo que desencadeou a birra.Não julgue nem fale sobre o comportamento menos adequado. Concentre-se de imediato no comportamento assertivo, como ficar mais calmo ou parar de gritar.
- Seja positivo e firme"Não faças isso"; "Não mexas nisso"; "Não digas isso" - Não, Não Não! Sempre Não! - Gosta de ouvir a palavra Não? Eu também não!Mas é das palavras mais usadas no nosso dia-a-dia. O que vou dizer parece impossível (mesmo impossível), mas em vez de dizer sempre "Não", mude a forma de falar. Por exemplo, em vez de "Não mexas nisso", utilize "Deixa estar assim". E vez de "Não corras", utilize "Anda mais devagar". Mesmo que não consiga aplicar sempre, poderá pensar em determinadas situações que o possa fazer.
Explico porque é importante: para algumas crianças, esta palavra só promove o comportamento que não pretende que ela tenha. Por isso, ter uma abordagem positiva, em que identifica o comportamento correto a ter, vai ajudá-la a saber o que fazer. Pois, já deve ter reparado que quanto mais diz para não fazer algo, mais eles vão tentar fazer aquilo que está errado, certo? Por isso, quebre este ciclo através da linguagem! - Respire fundo e calma!Há dias em que nada parece resultar: respire fundo e analise a situação:- o que aconteceu? O que causou a birra?- como é que eu a resolvi? Quais foram as consequências?Escreva num papel a resposta a estas perguntas. Isso ajudar-vos-á a perceber quais as estratégias que melhor resultam com o vosso filhote. E pensem sobre: "o que estava a tentar ensinar?"; "Como é que estou a verbalizar o que ele deve fazer?". Ensine-o todos os dias! O cérebro precisa desse constante reforço. Depois, procure estabelecer um acordo em que fique explícito que, se cumprir determinada tarefa, obterá o que pretende.
- Birras por sensações
Lavar o cabelo, barulho muito alto, comida crocante, comida mole, camisolas de lã, etiquetas... podem causar uma birra? Sim! Lembre-se que o cérebro das crianças está a tornar-se maduro e, por vezes, sensações como vestir uma camisola, lavar ou escovar o cabelo são registadas no cérebro como se fosse algo novo ou até como se fosse um ataque ao seu corpo.
Este processo pelo qual todos nós passamos chama-se integração sensorial. Ou seja, é a forma como recebemos, modelamos e processamos a informação que vem dos órgãos dos nossos sentidos: tacto, visão, olfato e paladar. É por isso que, por vezes, se ouve falar de baixa sensibilidade ou hipersensibilidade auditiva, por exemplo.
Os nossos pequenotes estão a crescer e a forma como processam as sensações está constantemente a ser registada no seu cérebro - daí esse impacto criar conflitos - surgindo este tipo de birras. Assim, lembre-se: deve expor o seu filhote gradualmente a este tipo de estímulos. Se vir que existem muitas birras e que o seu filho fica mesmo muito agitado, poderá pedir ajuda a um terapeuta ocupacional especialista em integração sensorial.
As birras farão sempre parte da nossa vida e mostram que estamos a ficar mais velhinhos. Por isso, em vez de apenas educar em situações limite, lembre-se que todos os dias servem para ensinar a criança a lidar com a frustração e com os seus sentimentos.



















