Da sucção à primeira palavra - Como estimular a oralidade?
quarta-feira, 10 de maio de 2017
A primeira palavra...
Aquele momento em que ouvimos, pela primeira vez, o transformar de sons, que dantes não entendíamos, em algo que conhecemos.
De certeza que se lembram qual foi a primeira palavra do(a) vosso(a) filho(a) e do turbilhão de sentimentos que a acompanharam: emoção... alegria... orgulho...
Ouvir os nossos filhos dizerem a sua primeira palavra é algo de marcante que enche o coração e que nos faz crescer como Mães e Pais abrindo-nos a porta a um novo mundo de interação e descoberta que nos acompanhará para o resto da vida: o mundo da linguagem, da comunicação verbal. "E lá dentro (do coração de mãe/ pai) abre-se uma janela sempre que um filho aprende uma nova palavra." (In: "Coração de mãe". Martins, I., Carvalho, B.. Planeta Tangerina. Carcavelos. 2008)
Mas algo que surge, aparentemente, assim tão espontânea e inesperadamente será que se desenvolve também assim? De um momento para o outro? Ou será que é algo que se inicia bem "lá" atrás e que vai "marinando" em segundo plano até ao grande momento? De onde vem? Do que depende? O que o pode alterar ou por outro lado facilitar?
A maior parte das crianças demora cerca de um ano ou mais até conseguir pronunciar as suas primeiras palavras e como aprendem tudo por imitação, têm nos pais os maiores professores nesta tarefa. Reconhecer que os sons que desde cedo aprenderam a imitar e repetir, fazendo longas brincadeiras (balbuciar, palrar), provocam reações no meio envolvente é algo fantástico e que estimula a criança a continuar esta troca em que, de acordo com a reação que recebe às suas produções, percebe que quando quer determinada "coisa" tem que fazer determinado som.
Com o passar do tempo e através deste jogo, a criança vai desenvolvendo a capacidade de juntar sons fazendo combinações que soam cada vez mais semelhantes àquilo que ouve à sua volta.
Este é um complexo para qualquer criança e, por isso, demorado. Neste sentido, é de grande importância que os pais tentem sempre responder às produções orais das suas crianças (mesmo que não as consigam entender), repetindo corretamente aquilo que pensam ter ouvido e a
Os pais podem também ajudar o seu bebé a construir o seu próprio vocabulário dizendo-lhe o nome das coisas pelas quais ele manifesta interesse. Aproveitem as alturas em que estão a tratar dele para lhe ir dizendo os nomes das coisas que estão a usar, mostrando-lhe. Quando estão fora de casa e vão no carro, é importante chamar-lhe a atenção para aquilo que vão vendo e conversar com o bebé sobre isso. As brincadeiras de associação dos sons aos objetos fazem as delícias dos mais pequenos, que adoram repetir os sons dos animais ou dos veículos, por exemplo. Os pais devem ajudar o bebé a associar cada som ao objeto/ animal. Ler-lhe livros adequados à sua faixa etária, mostrando-lhe as imagens e explicando o que está a acontecer em cada uma, ajuda a criança a fazer a relação do está a ouvir com o que está a ver e potencia a sua organização de vocabulário. Utilizar rimas (por exemplo em canções), lengalengas, brincadeiras com sílabas associando gestos, ajuda bastante a criança a aprender novas palavras e a pronunciá-las corretamente.
Joana Fortunato
Perder peso depois da gravidez!
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Parabéns Mamã!
Finalmente consegue sentir, cheirar e amar na plenitude a pessoa que você ajudou a desenvolver durante 9 meses.
Privou-se de uma série de alimentos sempre com o pensamento guerreiro de Mãe: "Isto não é bom para o meu bebé!"
A verdade, Mãe, é que o drama de controlar o seu peso pode começar agora que a preocupação do que você ingere fica para segundo plano (apesar da importância para a amamentação), a logística de tempo, as compras para casa, o começar a trabalhar, as cólicas, as noites mal dormidas e a distração maravilhosa com sorrisos babados que o seu bebé lhe dá.
Assim vamos aqui criar um desafio para as nossas Mães e Pais (SIM PAIS!!!! POR FAVOR!!!! SÃO MAIS IMPORTANTES DO QUE O QUE PENSAM!)
Pai, aqui é onde deve atuar!!! Pode preparar à noite e deixar no frigorífico, num recipiente de vidro, pronto para o dia seguinte.
Atenção!!! Pode fazer se estiver a amamentar!
Assim vamos aqui criar um desafio para as nossas Mães e Pais (SIM PAIS!!!! POR FAVOR!!!! SÃO MAIS IMPORTANTES DO QUE O QUE PENSAM!)
DESAFIO 7 SEMANAS
1º Registe os seus dados: o peso não é o mais importante nesta fase. O que interessa é entrar nas suas roupas, certo?
- Pesar: 1 vez por semana, a meio da semana (exemplo: 4ª feira), de manhã;
- Tirar fotografia em frente ao seu espelho: no início e outra no fim, fixar a distância da fotografia. Colocar-se de frente, lados e costas;
- Fazer três medições: 3 dedos acima do umbigo, 2 dedos abaixo do umbigo e linha da anca.
2º Líquidos: fundamental não só para hidratação, mas também para perda do seu volume e desintoxicação, alterne à semana estas três opções e depois volte ao início. A logística é muito fácil.
Pai, aqui é onde deve atuar!!! Pode preparar à noite e deixar no frigorífico, num recipiente de vidro, pronto para o dia seguinte.Atenção!!! Pode fazer se estiver a amamentar!
- Para 1,5L de água colocar: 1 colher de sopa de chá de hibisco + 1 colher de gengibre fresco picado. Ferva a água e desligue o lume assim que começar a ferver (também pode utilizar uma chaleira elétrica!). Coloque as porções já referidas, tape o fervedor e deixe repousar durante 5 a 7 minutos. Coar ao fim deste tempo. Pode beber quente ou frio, ao longo do dia.
- Para 1,5L de água: colocar num jarro 1 limão pequeno em rodelas + metade de um pepino pequeno em rodelas + 1 mãozinha de salsa fresca. Preencha com água e mexa bem. Deixe o jarro no frigorífico durante a noite, a apurar. Pode beber ao longo do dia.
- Para 1,5L de água colocar: 1 colher de sopa de amora miura (folhas de amoreira) + pau de canela. Ferva a água (pode utilizar a chaleira elétrica). Depois de estar a ferver, desligue o lume e coloque as porções já referidas. Tape o fervedor e deixe repousar entre 2 a 4 minutos. Coar ao fim deste tempo. Pode beber quente ou frio, ao longo do dia.
3º Comer de 3 em 3 horas: Ir "beliscando" alguma coisa é importante para evitar fomes ou vontades incontroladas, mas é aqui que o "alguma coisa" deve ser importante estar à disposição, de forma controlada e que vá ao encontro dos seus objetivos.
Não é necessário que seja algo altamente complexo, apenas queremos pequenas frações de cada vez.
O Pai considere-se, nesta fase, chefe de logística desta sua nova empresa. Assim, garanta que não falta nada!
- pepino em palitos (sem semente);
- tomate cherry;
- rabanetes em rodelas;
- pimentos em tiras (sem a parte branca);
Tenha sempre opções no seu frigorífico, já arranjadas, de forma a ser só pegar, colocar numa taça/ copo com gelo e ir comendo.
- Gelatinas (10 kcal Royal ou 8 kcal Condi ou caseiras): podem fazer simples ou um pouco mais proteica e saborosa, ou seja, como se fosse um pudim. Para cada 500 mL de gelatina diluída (água quente e água fria) juntar 200 g de Queijo Quarck e 1 colher de chá de Sementes de Chia e bater com uma varinha de varas, até a mistura ficar homogénea. Se não ficar uniforme (ficar em duas camadas), passado 30 minutos de estar no frigorífico, voltar a mexer. Sirva cerca de 4 colheres de sopa cheias, mas coma com uma colher de café... para saborear!!!
- Frutos secos: Atenção!!! São excelentes, mas temos que nos controlar com a porção. Podemos fazer misturas, simples. O importante é ir variando entre o que gostamos, desde que sejam sem sal e sem ser torrado (exemplo: sementes de girassol, abóbora, noz, noz pecã, castanha do brasil, caju, amêndoa com pele, avelã, pinhão, ...). Pode consumir o equivalente a 1 chávena de café cheia, 2 vezes ao dia.
Pai, pode colocar num recipiente a quantidade diária permitida e deixe no local onde a Mãe costuma amamentar. - Sopa sem batata/ Gaspacho: como sabemos, por vezes, a Mãe não consegue ter um almoço ou jantar seguido, o que acaba por aumentar gradualmente a fome. Surge, então, a vontade para doces ou para salgados. Assim, podemos dividir as refeições principais e utilizar a sopa para fazer 2 a 3 horas antes de uma refeição principal.
4º Refeições principais: É muito importante que o seu Chefe de Logística (o Pai) esteja organizado. É importante ter sempre em casa opções simples e fáceis de preparar, principalmente quando está sozinha com o bebé.
- Restos do jantar: se ao almoço é comum fazer o que há no frigorífico, então sempre que forem fazer o jantar lembrem-se disso e preparem logo uma terceira refeição. Não se limite ao restinho disto ou daquilo, porque pode não ser suficiente.
- Saladas: vamos entrar numa altura do ano que apetecem. Assim, tenham sempre sacos de saladas pré-lavadas (alface, espinafres, agrião, tomate cherry, rabanete) para conseguirem ser práticos e fazer uma bela taça. Juntem sempre uma boa proteína, por exemplo: lata de atum ao natural, frango assado, salmão fumado, mozzarela de búfalo, camarão cozido, sardinha em lata de azeite, arenque em lata, pescada cozida fria.
Pode ainda adicionar: metade de um abacate ou sementes de sésamo, sementes de cânhamo, pólen de abelha, ... - Legumes salteados/ forno: ter no congelador sempre opções de legumes prontos a saltear. Rápido, saboroso e não precisa comer só folhas de alface.
Exemplo: salteado de cogumelos e espargos com peito de frango desfiado OU brócolos salteados com pimentos com polvo OU couves de bruxelas com cavala no forno OU abóbora no forno com couve flor e folha de alcatra.
5º Hidratos de carbono:
- Pode adicionar ao almoço ou ao jantar: meia batata doce pequena ou 3 colheres de sopa de quinoa OU 3 colheres de sopa de leguminosas OU 3 colheres de sopa de trigo sarraceno OU 3 colheres de sopa de arroz integral/ selvagem.
- Pão: ai... e agora?! Aqui temos que ter atenção, pois o fato de terem farinhas refinadas e fermento causam dilatação abdominal... mas nem tudo está perdido. Podem utilizar uma destas opções: Pão de padaria biológica (marca: MIOLO) ou Tapioca (vende-se também no Jumbo).
Podem comer ao pequeno-almoço, com um ovo estrelado/ mexido (com o mínimo de gordura). - Fruta: optem por fruta menos calórica e pequena (exemplo: 6 morangos ou 1 kiwi ou meia papaia pequena ou 1 maçã ou 1 rodela de ananás).
Podem ingerir na refeição que não colocam os hidratos de carbono no prato, como se fosse a sobremesa ou num intervalo/ lanche juntamente com a porção dos frutos secos.
6º Exercício: Pai, aqui você é a chave! Tem de ficar 1h com o seu bebé, longe da Mãe ou noutra divisão da casa. A Mãe precisa de se concentrar. O importante é começar a mexer-se!!!
- Caminhadas ativas: num parque ou junto ao mar, o importante é mexer-se.
- Livro de apoio de exercícios para fazer em casa: "Perde barriga sem fazer abdominais", de Teresa Manafaia.
- Bola de Pilates para fazer exercício em casa e quem sabe até com o seu bebé.
7º Descanso: agora estão vocês a pensar: "Era bom, era!!" Daí eu, desde o início, ter referido que o apoio do Pai é fundamental.
Sabemos que o sono não é contínuo e o desgaste é imenso, mas podem ir fazendo sestas. No fim-de-semana, como o Pai está por casa, deve aproveitar para descansar um pouco mais. Pode fazê-lo depois da primeira mamada da manhã ou no final do dia, quando o Pai chega a casa e aproveitar para tomar um banho altamente relaxante. São pequenas coisas que fazem encher novamente o "recipiente" de energia.
Sabemos que o sono não é contínuo e o desgaste é imenso, mas podem ir fazendo sestas. No fim-de-semana, como o Pai está por casa, deve aproveitar para descansar um pouco mais. Pode fazê-lo depois da primeira mamada da manhã ou no final do dia, quando o Pai chega a casa e aproveitar para tomar um banho altamente relaxante. São pequenas coisas que fazem encher novamente o "recipiente" de energia.
Sendo assim, quem adere a este desafio?
Neide Rangel
segunda-feira, 1 de maio de 2017
O meu nome é Neide Rangel. Sou licenciada em Nutrição e Engenharia Alimentar e em Ciências da Nutrição. Realizei uma Pós-Graduação em Nutrição Entérica e Parentérica, especializei-me em Nutrição Funcional e sou formadora certificada. Para além disto, frequentei cursos de especialização noutras áreas.
Trabalho como nutricionista na Casa do Pessoal da RTP, na Clínica Rebalance e na Healthy Mommy (programa pré e pós parto).
Sou fundadora e nutricionista da INN, by Neide Rangel (centralizada no Estádio da Luz).
À conversa com os Pais - As primeiras conversas, as primeiras dúvidas...
quarta-feira, 26 de abril de 2017
À conversa com os pais já há alguns anos, algumas dúvidas têm sido recorrentes nas consultas do primeiro mês de vida.
O que se segue são extratos das explicações às dúvidas mais frequentes para quem chega apaixonado pelo seu bebé e assoberbado pelo desafio de ser pai ou mãe.
A amamentação é um dos desafios que mais dúvidas suscita, principalmente aos pais de primeira viagem e, por isso, se opta começar por este tópico.
AMAMENTAÇÃO
- Que horário fazer?
O horário deverá ser livre. No entanto, recomenda-se que não ultrapasse as 3 horas entre cada refeição, uma vez que os bebés, nas primeiras semanas, estão a tentar recuperar o peso que habitualmente perdem após o nascimento.

É importante lembrar que se contabiliza o intervalo entre as refeições desde que o bebé começou a mamar. Os bebés são pequenitos, precisam de tempo para se adaptar, demoram a mamar e, entretanto, como o leite materno tem uma digestão fácil, passado pouco tempo estão prontos para mamar novamente. Parece que não se faz mais nada... mas eles acabarão por lhe apanhar o jeito e, com o tempo, tudo melhora.
- E agora? Dou as duas mamas ou só uma?
Oferecer a primeira mama até ao fim, isto é, até que a mãe sinta a mama menos tensa, mais mole, e o bebé perca o interesse por aquela mama. Depois de ter obtido da primeira mama o essencial do leite do início e fim desta mama (pois é, o leite não é sempre igual), poderá tentar adaptá-lo à outra mama, mas já não é imprescindível - é só se o bebé quiser.
Em todas as refeições, é também importante alternar as mamas que se oferece, ou se mamou das duas mamas, iniciar a refeição seguinte com a última mama da refeição anterior, pois será aquela em que o bebé mamou menos tempo.
- E as feridas nos mamilos e as mamas duras?
O contato pele com pele permite não só fomentar a interação entre a mãe e o bebé, mas ao alinhar o corpo do bebé com o da mãe, vamos também evitar algumas das dificuldades mais frequentes para a mãe e que decorrem da amamentação, como as fissuras nos mamilos e as mamas túrgidas.
Para as fissuras o ideal será expor os mamilos ao ar, aplicar leite materno nos mamilos e aréola e, posteriormente, aplicar creme rico em lanolina.
Nas mamas duras, túrgidas, ocorre que inicialmente o corpo da mãe produz mais leite do que o bebé consegue mamar e torna-se necessário extrair o que está em excesso. A aplicação de calor em pachos ou com duche de água quente facilita a extração do leite. Retira-se o leite suficiente até que a Mãe se sinta confortável, com a mama menos tensa. Com o tempo, o corpo passará a produzir apenas a quantidade de leite necessária para o Bebé.
Depois desta extração pode-se aplicar frio na mama (e pode ser um saco de ervilhas congeladas protegido com um pano) para que não volte a encher demasiado até à refeição seguinte.
Se temos um bebé tranquilo, que dorme bem e a sujar muitas fraldas, em princípio estará a alimentar-se bem. Ainda assim, é importante avaliar o peso entre o 10º e o 14º dia após o nascimento para verificarmos se o bebé está a recuperar o peso perdido.

- Arrotar versus Vomitar
Para conseguir que o bebé arrote, é importante colocá-lo na vertical para que consiga expelir o ar. Quanto ao bolçar, é frequente e normal, mas por vezes assusta os pais por poder expelir leite em grande quantidade. Mas, se o bebé bolça, expele ar e, ao mesmo tempo, algum leite sem ter feito esforço e depois fica bem-disposto, não é preocupante, desde que continue a aumentar de peso.
E a grande diferença entre o bolçar e o vomitar reside aqui: com o vómito, ao contrário do que acontece com o bolçar, o bebé fica inquieto e faz muito esforço para expelir o leite.
- Cocós
A cor pode ser muito variável, desde o amarelo ao verde.
Quanto à consistência, o cocó pode ser líquido, pastoso, com alguns grânulos.
É normal os bebés fazerem cocó muitas vezes, sendo que, quando o bebé está a fazer aleitamento materno, a frequência é habitualmente superior, levando a que as mudanças de fralda sejam quase de cada vez que o bebé mama.
- Cólicas
As cólicas são muito frequentes desde as primeiras semanas de vida e podem prolongar-se até por volta dos 3 meses.
Estão intimamente relacionadas com a imaturidade dos sistema digestivo e requerem uma dose extra
de paciência dos pais.
Existe uma variada oferta de medicação para o bebé. Mas o que pode fazer para pôr o bebé confortável? As estratégias variam de bebé para bebé e podem ser colocá-lo num ambiente calmo, relaxante, com música suave, fazer uma massagem, dar um banho ou mesmo carregá-lo ao colo de barriga para baixo.
- Coto Umbilical
Os cuidados mais adequados para a mumificação do coto umbilical - isto é, para que o que restou do cordão umbilical seque e caia - são que esteja ao ar e seco, bem seco.
No entanto, da experiência profissional, considera-se que é importante reforçar outro aspeto. Um coto umbilical seco, é um coto que não "cheira mal", logo não há necessidade de desinfetar. No entanto, se não se mantiver seco e apresentar um "líquido" amarelo, este deve ser desinfetado com compressas esterilizadas e álcool a 70 graus, sem cetrimida. Caso apresente "mau cheiro" deve contatar os profissionais de saúde.
Após a queda do coto, é frequente a perda de uma pequena quantidade de sangue que mancha a roupa, habitualmente do tamanho de uma gotinha. Não é preocupante! Com o tempo deixará de acontecer.
- Sono
O tempo que cada bebé dorme varia muito. Muitos bebés dormem até 19 horas por dia, estando
acordados apenas quando comem e tomam banho. Outros dormem muito menos... Para todos eles é importante ajudá-los a interiorizar o ciclo do dia e da noite e, para tal, vamos à noite escurecer mais o quarto e criar um ambiente mais calmo. Além disso, uma temperatura ambiente agradável, a rondar os 21-22º, proporciona maior conforto e favorece o dormir.
Não só por uma questão de conforto, mas também para evitar a Síndrome de Morte Súbita do Latente, é importante que o bebé durma de barriga para cima, com a cabeça voltada para o lado e não sobreaqueça. Assim, prevenir acidentes é também não agasalhar demasiado o bebé e tapá-lo, mas sem que a roupa que o cobre ultrapasse a altura dos ombros.

- Vestuário
Já vimos que os bebés precisam de temperaturas à volta dos 21-22ºC. Geralmente a esta temperatura, os bebés só precisam de mais uma peça de roupa do que os adultos.
Para temperaturas mais baixas pode ser necessário colocar mais uma mantinha.
- Banho
O banho do bebé pode ser diário e a hora é indiferente. Poderá ser adaptada de acordo com o que for mais relaxante para o Bebé e mais prático para os Pais.
O quarto deverá ser ligeiramente aquecido e tudo o que seja necessário já deverá estar preparado antes de iniciar o banho - desde a roupa do bebé, aos produtos de higiene, as fraldas, a água do banho...
Porquê? Porque nesta idade são muito frequentes as quedas. Se precisarem de ir buscar alguma coisa,
o Bebé vai convosco ou fica no berço. Outro cuidado de segurança prende-se com a temperatura da água do banho. Se não for possível verificar que a temperatura da água não ultrapassa os 35-36ºC com um termómetro, façam-no nas costas da vossa mão ou com o cotovelo.
Relativamente aos produtos a serem utilizados no Bebé, como este tem as camadas da pele tão fininhas, que absorvem tudo, se tiverem alergias e estiverem a usar vários produtos ao mesmo tempo, será difícil identificar a que produto estará a fazer alergia. Assim, como medida geral, os produtos de higiene devem ter uma composição o mais neutra possível e devem ser todos da mesma marca.
- Mudança de fraldas
Na mudança das fraldas, a higiene dos genitais deverá ser realizada lavando com água e secando, sem esfregar. A aplicação de um creme barreira, rico em vitamina A, apenas está indicado se a pele estiver "assada" ou se o bebé estiver com cocó, uma vez que nestas situações a pele encontra-se mais sensível.
Na higiene dos meninos temos de ter especial cuidado com a região do escroto, que se lava e seca sem esfregar, por ser uma zona muito sensível.
Nas meninas, acresce a importância de realizar a higiene da frente para trás, no sentido de evitar infeções urinárias.
Os toalhetes não são completamente interditos. Não devendo ser de uso diário, poderão ser utilizados, por exemplo, fora de casa. Recomenda-se os que não contêm álcool ou perfume na sua composição.
E porque cada bebé, cada mãe e cada pai são únicos, tanto fica sempre por dizer...
A todos os Pais e Mães, parabéns pela coragem de acolherem uma nova vida e votos de felicidades imensas!!!
Enf.ª Cristina Terruta
Nota: As imagens utilizadas nesta publicação foram retiradas do Google Imagens.
Cristina Terruta
segunda-feira, 24 de abril de 2017
O meu nome é Cristina Terruta e sou Enfermeira Especialista em Saúde Infantil e Pediatria.
Trabalho há mais de 20 anos com crianças e as suas famílias e durante este percurso profissional tive oportunidade de prestar cuidados na Maternidade Dr. Alfredo da Costa, no Hospital D. Estefânia e, na última década, em Cuidados de Saúde Primários, num Centro de Saúde da Grande Lisboa.
Consulta Pré-concepcional (Planeamento Familiar)
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Nesta consulta a mulher e preferencialmente o casal devem ser questionados quanto aos antecedentes pessoais e familiares (fatores de risco genético) que possam motivar a necessidade de um acompanhamento mais especializado na futura gestação.
São pedidas análises que visam entre outros aspetos saber o grupo sanguíneo, rastrear doenças hematológicas ou doenças infeciosas com risco de transmissão materno-fetal. A futura mãe deve nesta consulta, e se não houver contraindicação para uma gravidez, iniciar suplementação com ácido fólico pelo 2 ou 3 meses antes de parar o contracetivo.
Outros aspetos que devem ser avaliados são as condições socioeconómicas e contexto familiar. É preciso perceber se o casal está preparado do ponto de vista emocional e social para receber uma criança e se tem a maturidade necessária para cumprir essa função.
As situações de risco devem ser atempadamente referenciadas aos Serviços Sociais responsáveis. Se forem detetadas situações de infertilidade de um ou de ambos os elementos do casal é também nesta consulta que se podem pedir os exames iniciais e fazer depois a referenciação à consulta de Infertilidade do hospital de referência.
É aqui que se estabelece o primeiro vínculo com a equipa de saúde familiar (médico e enfermeiro), que assegurará a continuação dos cuidados ao longo da gestação da mulher e após o parto.
Joana Gil
Em que consiste a consulta de Saúde Materna?
Em Portugal, a Direção Geral de
Saúde criou um programa de vigilância da gravidez que visa a prestação dos
melhores cuidados à grávida, o acompanhamento do desenvolvimento do bebé, o
aconselhamento do casal, a preparação para o parto para os cuidados perinatais (ex.
higiene, aleitamento materno etc).
Estas consultas decorrem nos
centros de saúde e geralmente organizam-se em dois tempos:
- Consulta de Enfermagem - a grávida é pesada, é avaliada a tensão arterial (TA), esclarecem-se dúvidas práticas e faz-se aconselhamento. Geralmente é aqui que a grávida e o pai do bebé (ou outra pessoa de significado para a mesma) são encaminhados para os cursos de preparação para o parto idealmente realizados no 3º trimestre);
- Consulta Médica - o profissional de saúde vê e regista os exames (análises, ecografias), preenche o boletim de saúde da grávida, depois de aferir a TA, aumento de peso, perímetro abdominal, altura uterina e foco fetal (batimento cardíaco do bebé). Palpa a barriga da grávida e faz alguns gestos (manobras de Leopold) que lhe permitem perceber a orientação e a posição do bebé, bem como a sua apresentação (ex. cefálica se estiver de cabeça para baixo, pélvica se estiver sentado). O médico calcula o risco da gravidez (baseado em vários factores relativos à idade da mãe, antecedentes clínicos e eventos durante a gravidez actual ou anteriores) e se a gravidez for considerada de risco referencia a grávida a uma consulta hospitalar de Obstetrícia. Aconselha a grávida quanto às vacinas recomendadas no curso da gravidez e prescreve também os suplementos necessários (iodo, ferro, ácido fólico). Pode emitir o cheque dentista (grávida tem direito a 3, segundo o Plano Nacional de Saúde Oral) para realização de tratamentos dentários. Também nesta consulta deve haver disponibilidade para responder às questões da grávida ou aconselhar nalguma área em que haja necessidade de esclarecimento. O médico deve também informar a grávida sobre os principais sinais de alerta para recorrer ao Serviço de Urgência de Obstetrícia e quanto aos sinais de início de trabalho de parto (constantes no livro da grávida nas primeiras páginas).
O intervalo recomendado entre as
consultas é de 4-6 semanas até às 30 semanas; 2-3 semanas entre as 30 e as 36
semanas; 1-2 semanas após as 36 semanas até ao parto. Ao longo dos 3 trimestres
de gravidez são pedidas análises (grupo sanguíneo, hemograma, teste de Coombs,
serologias das principais doenças infeciosas para a mãe e bebé, rastreio da
diabetes gestacional - tal como ilustra o quadro seguinte) e 3 ecografias.
- 1ª ecografia (das 11 às 13 semanas) faz-se a datação da gravidez pelo comprimento craneo-caudal do embrião e avalia-se o risco de trissomias, tendo em conta a idade da mãe e características do feto podendo-se conjugar-se com o rastreio bioquímico;
- 2ª ecografia (das 20 às 22 semanas) também chamada ecografia morfológica, avalia-se ao detalhe toda a anatomia do feto em busca de anomalias e determina-se o sexo;
- 3ª ecografia (das 30 às 32 semanas) estima-se o peso fetal através das suas biometrias (perímetro cefálico e abdominal; comprimento do fémur) e avalia-se o perfil biofísico fetal através de vários parâmetros que incluem o volume de líquido amniótico, o tónus e os movimentos respiratórios fetais, entre outros.
Depois das 36 semanas a grávida
deve ser encaminhada para a consulta perinatal no hospital de referência, para
realizar o CTG (cardiotocografia) em que se avalia a contratilidade uterina e
variabilidade da frequência cardíaca fetal – indicadores do bem estar fetal.
Uma vez ocorrido o parto e até 42
dias (6 semanas) após a data do mesmo, a mãe deve comparecer no seu Centro de Saúde para uma consulta de Revisão de Puerpério em que, mais uma vez, em
conjugação de consulta médica e de enfermagem se avalia o estado físico geral
da mãe (peso, TA, exame mamário e ginecológico), se realiza colpocitologia
(vulgo Papanicolau) caso não tenha sido realizada no último ano, se aconselha
quanto ao método contracetivo a adotar e quanto a outras questões práticas
relacionadas com os cuidados com o recém-nascido.
Joana Gil
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Nasci em Lisboa. Ingressei na Faculdade de Medicina da
Universidade de Lisboa onde concluí o Mestrado Integrado em Medicina em 2012.
Em 2013 fiz o Ano Comum no Hospital de Vila Franca de Xira e na UCSP da Póvoa de Santa Iria.
Em 2014 escolhi a especialidade de Medicina Geral e Familiar e iniciei o Internato de Formação Específica na USF Monte de Caparica, em Almada, atualmente reestruturada com o nome de USF Poente. Estou no meu último ano de Internato.
Em 2013 fiz o Ano Comum no Hospital de Vila Franca de Xira e na UCSP da Póvoa de Santa Iria.
Em 2014 escolhi a especialidade de Medicina Geral e Familiar e iniciei o Internato de Formação Específica na USF Monte de Caparica, em Almada, atualmente reestruturada com o nome de USF Poente. Estou no meu último ano de Internato.
Gosto de escrever, de ouvir música, de fotografia, da natureza,
das pessoas e claro, da Medicina!
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