O ouvido é constituído por três partes: Ouvido Externo, Ouvido Médio e Ouvido Interno.
O Ouvido Externo inclui o Pavilhão Auricular e o Canal Auditivo Externo (CAE).
Este último é um tubo composto por cartilagem no seu terço externo e por osso nos dois terços internos. Encontra-se revestido internamente por pele:
- que contém glândulas sudoríparas modificadas que produzem cera, lubrificam e protegem a pele e diminuem o seu pH - dificultando o crescimento de bactérias;
- que realiza uma descamação centrífiga, isto é, a camada superficial que vai esfoliando migra continuamente para o exterior, em direção à abertura do CAE.
O que é uma Otite Externa?
É um processo infecioso do Ouvido Externo podendo afetar quer a porção cartilaginosa do pavilhão, quer a pele do CAE. Menos frequente que a Otite do Ouvido Médio, afeta anualmente 1 em cada 200 indivíduos e é causada, em 98% dos casos, por bactérias (podendo ser ainda de causa fúngica ou, raramente, viral).
O que provoca uma Otite Externa?
É uma infeção frequentemente relacionada com a manipulação da pele do CAE com cotonetes, ganchos ou outros instrumentos utilizados para este fim e que provocam a compactação da cera e lesões na pele do canal. Da mesma forma, a presença de elementos agressivos como o gel de banho, o champô ou o sabonete podem causar o mesmo efeito.
Aparece ainda associada à frequência de piscinas, principalmente no verão - época em que a qualidade da água se apresenta, muitas vezes, duvidosa: seja pelo elevado número de banhistas, deficientes hábitos de higiene (não utilização de duches, por exemplo) ou pelas elevadas temperaturas.
Nas crianças, a introdução de corpos estranhos não detetados nas primeiras 48-72h, dependendo do seu tipo de traumatismo por si provocado, pode igualmente constituir uma causa para a inflamação ou infeção do CAE.
Quais os sintomas?
- início rápido (menos de 48h);
- otalgia - dor no ouvido - (prurido - comichão/ plenitude aural - sensação de ouvido tapado) muito intensa, espontânea e que se agrava quando se faz pressão local ou se mobiliza o pavilhão auricular;
- evidência de inflamação (eritema, vermelhidão ou edema do conduto);
- secreção mais ou menos pastosa, de odor desagradável;
- diminuição da acuidade auditiva se o CAE inflamar.
- Sendo uma infeção local, da pele e tecidos adjacentes, habitualmente não é acompanhada de febre, exceto nas formas mais graves.
- Se não for tratada, o inchaço pode aumentar e produzir dor suficiente para que o movimento da mandíbula se torne desconfortável.
- esta infeção é particularmente perigosa nos diabéticos.
Como se faz o diagnóstico?
Os médicos baseiam o seu diagnóstico nos sintomas do paciente e na observação clínica:
- otoscopia para verificar a existência de vermelhidão, edema e pus;
- se a infeção for causada por fungos também pode ser diagnosticada através de exame ou cultura (de uma amostra do pus e/ ou detritos).
Qual o tratamento?
A maioria dos casos resolve-se espontaneamente em poucos dias. Pode, contudo, ser necessária:
- remoção de resíduos;
- aplicação de gotas otológicas, com antibióticos e/ ou antifúngicos;
- administração de analgésicos sistémicos;
- manter o ouvido seco durante todo o tratamento.
Importante relembrar, contudo, que a educação para a prevenção é essencial para evitar as Otites Externas!
Inês Martins
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