A médio-longo prazo, estas crianças podem ser completamente normais, com bom desenvolvimento neurológico e cognitivo. Podem ter graus menores a maiores de paralisia cerebral, que pode variar de uma pequena limitação motora, mas com autonomia quase total, a formas graves, incapazes de comer, andar, totalmente dependentes de terceira pessoa e, por vezes, estados vegetativos, em que a capacidade de ver, ouvir e sentir o meio exterior é muito duvidosa. 

Normalmente, pela evolução das ecografias transfontanelares, pela ressonância magnética cerebral que geralmente se faz quando as crianças têm uma idade gestacional corrigida equivalente a 40-42 semanas e pela evolução do exame neurológico, vai sendo possível ser-se mais preciso em relação às consequências a médio e longo prazo. Nas formas muito graves, deteta-se precocemente que a evolução vai ser muito negativa. Nas formas intermédias e ligeiras, dada a plasticidade cerebral e variabilidade de fatores envolvidos, torna-se difícil ser preciso, nos primeiros meses a anos, sobre a evolução a longo prazo. Na idade escolar, por vezes, detetam-se alguns problemas de atenção, que embora sendo mais prováveis nesta população prematura, também podem existir em crianças de termo que nascem e crescem sem problemas aparentes. 

Um diálogo aberto com os profissionais de saúde envolvidos, em cada momento, no tratamento da criança, dá a oportunidade de se colocarem as dúvidas e naturais angústias, quando se tem um filho(a) prematuro(a) e os problemas que daí podem advir. Infelizmente temos muitas vezes que aprender a lidar com o fator desconhecido, com a variabilidade dos seres humanos e com o fato de que, frequentemente, não se podem dar certezas nem fazer previsões, pois há muitas variáveis em jogo. A esperança, o positivismo, a perseverança, o diálogo familiar e com os profissionais, apoiados nos dados concretos que se vão obtendo ao longo da evolução da criança, são a melhor maneira de se enfrentar o dia a dia com a criança prematura.


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