Durante muitos anos a iniciação da diversificação alimentar seguiu parâmetros e regras razoavelmente rígidos, passando pelo uso obrigatório de papinhas e sopinhas, recebidas de boa vontade ou a contra gosto pelos lactentes a partir dos 4 meses.

O BLW baseado em premissas tão diferentes da alimentação convencional, veio trazer "uma lufada de ar fresco" à forma como alimentamos os nossos filhos, proporcionando-lhes a oportunidade de experimentarem uma infinidade de sabores, cores, texturas e consistências.

créditos da imagem: Cheguei ao Mundo


Os princípios básicos do BLW são simples:
  • o leite materno (ou o leite artificial) são a base da alimentação no primeiro ano de vida;
  • o bebé a partir dos 6 meses, em média, tem capacidades para se autoalimentar, ou seja, ficar sentado ainda que com o apoio, agarrar e levar à boca e mastigar. O intervalo ideal para aprender a mastigar é entre os 6 e os 10 meses de idade;
  • o bebé nasce com a capacidade de autorregulação, ou seja, sabe quando tem fome ou está saciado, bem como sabe de que alimentos necessita em diferentes etapas da vida, privilegiando-os quando lhe é dada a oportunidade;
  • o bebé é naturalmente curioso e aprende por imitação dos gestos e atitudes que vê, pelo que as refeições devem ser feitas em Família, pelo menos com mais um elemento sentado a comer junto do bebé e o mesmo que ele;
  • todos os alimentos podem ser oferecidos ao bebé, sendo apenas necessário atentar à forma, ao tamanho e à consistência dos mesmos, para que possam ser agarrados pelo bebé, mastigados e deglutidos sem constituir perigo de engasgamento;
  • sal, açúcar, mel e processados não devem constar na dieta dos bebés (neste como em qualquer método de introdução alimentar a crianças);
  • o bebé nunca deve ser deixado sozinho.
Desde há cerca de 3 anos que falo de BLW aos pais, explico em que consiste, como deve ser feito, quais as vantagens que traz para as crianças. Verifico que existe um interesse crescente pelo método e tenho atualmente numerosas crianças a praticá-lo como forma de introdução dos alimentos ou complementarmente aos alimentos triturados e oferecidos com colher. 

A maior parte das crianças não tem, infelizmente, a Mãe por perto a tempo inteiro durante esta fase da vida, porque muitas mulheres necessitam trabalhar, quantas vezes antes dos 6 meses, devendo o bebé ingressar num infantário, onde a alimentação é oferecida da forma convencional. Quando têm mais sorte existe uma avó ou avô, mas que dificilmente irão aderir ao BLW por receio dos engasgos ou da "chafurdice" em que o local da refeição irá ficar.


Tenho a certeza que estamos a criar uma nova geração que vai apreciar a comida de uma forma mais saudável, possivelmente com menor risco de obesidade, com musculatura orofacial melhor desenvolvida, eventualmente com menos alergias alimentares e seguramente com muito mais prazer para filhos e pais, evitando as batalhas à mesa e a recusa em provar qualquer alimento novo. Mas acima de tudo, aquilo que mais prezo no BLW e que considero a sua mais valia é o respeito demonstrado pela criança, o aceitar de que ela melhor do que ninguém sabe o que precisa, quanto e quando precisa. Este princípio pode e deve ser aplicado em qualquer forma de introdução da diversificação alimentar, permitindo que a criança participe ativamente no processo. 



Graça Gonçalves